domingo, março 11, 2012

Quadrinhos e teatro em Curitiba, PR

Divulgando o release:

"CENA HQ BRASIL

Projeto inédito de leituras dramáticas e debates sobre a cena contemporânea dos quadrinhos brasileiros em Curitiba.


Com patrocínio da Caixa Federal, chega o projeto Cena HQ Brasil. Durante o ano de 2012, serão apresentadas mensalmente no Teatro da Caixa leituras dramáticas de 09 'Graphic Novels' nacionais, com direção e interpretação de alguns dos maiores nomes do teatro curitibano na atualidade. Cada leitura será seguida de um debate entre o encenador e o autor da obra. Com curadoria de obras e autores de José Aguiar e curadoria de encenadores de Paulo Biscaia Filho, o programa fará com que esses inusitados encontros entre quadrinhos e artes cênicas deflagrem discussões sobre a atual produção de quadrinhos no Brasil.

Depois desta primeira leitura, o projeto apresentará mensalmente novas obras de autores como Lourenço Mutarelli, André Diniz, Sandro Lobo entre outros. As direções estarão sob a batuta de grandes nomes do teatro curitibano como Edson Bueno, Sueli Araújo, Nina Rosa, Marcio Mattana, e outros.

SERVIÇO:
14 de março (Quarta) às 20h.
Leitura dramárica seguida de debate com os autores.
Ingresso: 01 livro de quadrinhos ou 01 livro não didático.
Teatro da Caixa - Rua Conselheiro Laurindo, 280 - Centro"

sábado, março 10, 2012

Senhor Cash

Ainda aproveitando a onda de comemorações aos 80 anos da data de nascimento de Johnny Cash, celebrados no último dia 26 de fevereiro, tive a oportunidade de responder a uma gostosa entrevista sobre a tradução de Johnny Cash - uma biografia, do quadrinista alemão Reinhard Kleist. As perguntas são do blog Senhor Cash, hiper-especializado na obra do músico. Segue abaixo!

***

"No livro, vemos um Johnny Cash mais sombrio. Foi essa mesma a intenção de Kleist?

Sim, foi mesmo, e essa intenção já se manifesta no fato de o livro ser em preto e branco. O Johnny Cash de Kleist é uma espécie de Cavaleiro das Trevas da música country, o que de certa forma demarca a inflluência da linguagem dos quadrinhos na obra. A versão cinematográfica Johnny & June, apesar de bastante diferente, também evidencia a influência de um gênero e de uma linguagem no resultado estético. Essas diferentes versões, no entanto, não significam de modo algum falhas de uma ou outra obra. O mesmo homem pode ser lido sob diferentes luzes. É questão de interpretação. Isso tudo condiz com a declaração feita por uma das personagens da HQ, na página 92: "De vez em quando você tem de ler apenas nas entrelinhas. Então você tem as verdadeiras histórias. No fim, são as histórias que permanecem, não os fatos. E histórias precisam ser contadas." O Johnny Cash de Kleist é isso, um homem iluminado pela luz de uma lanterna na floresta escura.

Qual a importância das músicas (letras) no livro, já que algumas ganharam aspecto de mini-capítulos?

É difícil fazer a biografia de um músico, tanto em quadrinhos quanto em prosa. Por quê? Porque esses são meios visuais, o que faz perder o principal elemento de um personagem como esse: a sua arte. Não que isso inviabilize um trabalho, pois há alternativas. Kleist, por exemplo, usa as músicas como interrupções para dar ritmo à leitura - como as pausas em uma música! Ele inclusive 'desenha' essas músicas, da mesma forma que Crumb faz em
Blues. Isso só é possível, claro, porque as canções de Johnny Cash são de natureza narrativa. Elas contam uma história e, quando a ouvimos, imaginamos essa história. São, portanto, músicas visuais!

Por outro lado, essa estrutura utilizada por Kleist tem outra função: ela insere as obras dentro do contexto da vida do autor contada durante todo o livro. Porque os grandes artistas - os de reconhecimento duradouro - não criam apenas por objetivos comerciais. Eles 'sentem' o que criam, e essa sua obra tem então origem nos acontecimentos à sua volta. Assim é a história de Johnny Cash e assim conseguiu Kleist reproduzir essa história na forma de quadrinhos.



Por que o livro ganhou tantos prêmio pelo mundo todo?

Premiações às vezes dizem respeito mais a questões extraliterárias (extraquadrinísticas também) do que à qualidade da obra. Mas há casos raros em que mérito e reconhecimento do meio coincidem. É o caso de
Cash - uma biografia. Vejo nessa obra diversos motivos para essa carreira premiada. Um dos principais são técnicos: a qualidade do desenho, as dificuldades de narrar em preto e branco, o layout das páginas... Outros são de natureza narrativa: o modo como Kleist compôs a obra, a escolha do narrador, a estrutura dos capítulos etc. Mas, no fundo, no fundo, o que importa mesmo é o conjunto da obra composto pelo mosaico de todas essas partes. O que importa mesmo é a interpretação que Kleist nos dá de Johnny Cash. Sem romantismo, sem iconolatria. Apenas o homem e o que ele conseguiu com sua arte, sem esquecer aí o que isso lhe custou. O ônus e o bônus. Como na vida de todos nós, pessoas reais.

Na sua opinião, o que diferencia Cash de outro ídolos da música americana?

Acho que a sua versatilidade é um elemento importante que o diferencia. Johnny Cash, que começou com um ídolo comum da música country, tornou-se no fim da vida um artista contracultural. E em todas as fases da sua carreira há músicas emblemáticas que permanecem idolatradas até hoje. Ele também é bastante admirado por sua audácia e coragem - como por ter tocado para os prisioneiros na prisão Folsom, por exemplo - e pela sua perseverança ante os obstáculos da vida - a morte do irmão, as crises com as drogas, o relacionamento com June. Em suma, Johnny Cash sintetiza a unificação entre artista e obra, e aqueles que o admiram de verdade o admiram como homem e como músico.
"

sexta-feira, março 09, 2012

Mamma mia!

Carlo Gubitosa, Mauro Biani e Marco Pinna fizeram uma estripolia na Itália. O triou inspirou-se nesta capa da revista Time...


... para fazer uma paródia na capa da revista de jornalismo gráfico Mamma!

O ser vampirizado aí é Mario Monti, primeiro-ministro da Itália.

Carlo Gubitosa descreve assim a proposta da paródia: "Os primeiros meses de Monti na presidência foram caracterizados por fortes ataques contra aposentados, pessoas em vias de se aposentar e trabalhadores das classe média e baixa, além de obediência cega às vontades dos grandes e poderosos bancos da Europa e aos 'tubarões' financeiros... nós o retratamos como vampiro porque seu plano econômico foi descrito como baseado em 'lágrimas e sangue', com a alegação de que salvaria a Itália da crise, mas a Itália precisa ser salva de pessoas como Monti e seus antigos empregados do banco Goldman Sachs."

domingo, fevereiro 26, 2012

Domínio quadrinístico

"A equipe da Continuum tem notado que, a cada número lançado, se repete uma situação não premeditada, mas muito bacana: a aproximação de pautas que, no conjunto da edição, dão um peso maior a algum tema ou área de expressão. Foi assim na revista passada, quando ganhou força a arte urbana. Nesta, são os quadrinhos que dominaram o pedaço."

Assim começa o editorial da edição mais recente da revista Continuum, do Itaú Cultural. De fato, a publicação está cheia de textos sobre quadrinhos - coisa rara no jornalismo cultural brasileiro, que costuma pensar que duas pautas sobre quadrinhos na mesma edição já é um excesso (o que não é o caso de duas ou mais pautas de música, literatura ou cinema, por exemplo).

Nesta edição da Continuum, você lê:

1) uma homenagem a Angeli (por sinal, capa da revista!)
2) uma reportagem sobre mulheres quadrinistas
3) uma pequena entrevista com o autor da HQ sobre Jack Kerouac
4) a última parte de uma HQ de Lourenço Mutarelli

Tudo isso você confere na versão online, cutucando aqui. Mas o ideal mesmo é ter acesso à edição impressa, que tem uma bela diagramação e vem cheia de imagens (fundamental quando se trata de quadrinhos). Há exemplares da revista disponíveis gratuitamente na sede do Itaú Cultural na Av. Paulista, em São Paulo, mas você também pode baixar a versão para iTunes.

Hoje Johnny Cash faria 80 anos...

... e, para comemorar a data, jornais do mundo inteiro publicaram, neste domingo, reportagens sobre o músico.

Em Passo Fundo, RS (que também pertence ao mundo), o jornal O Nacional dedicou um bom espaço ao tema, focando especialmente na biografia em quadrinhos feita pelo alemão Reinhard Kleist. Divulgo aqui a entrevista que concedi à jornalista Marina de Campos.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Sobre tradução

Estava eu hoje respondendo a perguntas sobre a tradução de Johnny Cash - uma biografia (8Inverso, 2009), quando me dei conta de que não divulguei aqui uma outra entrevista que concedi no ano passado, para o site da editora. Segue abaixo! As perguntas são do jornalista Vitor Diel. Algumas respostas estão desatualizadas, pois a entrevista foi feita em junho de 2011 e de lá para cá muita coisa mudou. Mas são só os dados que mudaram, o conteúdo mais importante parmanece atual.

***

1) Primeiro, resuma um pouco da tua biografia e currículo: idade, onde nasceste, formação, trabalhos que tens feito, cursos que ministras, línguas nas quais tem fluência, etc.

Eu nasci em Porto Alegre, no dia 17 de novembro de 1985, portanto tenho 25 anos. Aos 15 me mudei para Santa Maria, onde terminei o Ensino Médio e fiz a faculdade de Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, na UFSM. Logo após concluído o curso, voltei para Porto Alegre para fazer a Oficina de Criação Literária do escritor Luiz Antonio de Assis Brasil. Desde então, trabalho como jornalista cultural freelance, colaborando com veículos como a Revista da Cultura, a Continuum (do Itaú Cultural) e a espanhola Zona de Obras. Também sou colaborador do Goethe-Institut Porto Alegre, em projetos ligados a quadrinhos, e do Itaú Cultural. E estou desenvolvendo uma reportagem em quadrinhos sobre as favelas cariocas para o site holandês Cartoon Movement. Além do português, falo inglês e alemão, e estou aprendendo japonês.

2) De quem partiu a iniciativa de traduzir o Johnny Cash? Já conhecias o trabalho do Kleist?


Entre 2008 e 2009, morei na Alemanha por oito meses, trabalhando como Aupair. Foi lá que tive contato com a maioria das obras de quadrinhos que tenho me esforçado para trazer para o Brasil, como foi o exemplo de Cash, do Reinhard Kleist. Essa história eu contei no posfácio da edição brasileira, da 8Inverso. Em Berlim, eu visitei o ateliê de um outro quadrinista que eu admiro, o Mawil. Pois ele dividia na época o espaço com mais três quadrinistas, entre eles o Kleist. Foi aí que conheci o trabalho dele. De volta ao Brasil, em meados de 2009, o Robertson Frizero (que foi meu colega na oficina de criação literária do Assis Brasil) me pediu sugestões de projetos para a editora da qual ele recém virara sócio, a 8Inverso. Eu sugeri a tradução de Cash. Aí ocorreu uma coincidência que ajudou bastante nessa decisão: eu já estava organizando um evento com o Goethe-Institut Porto Alegre que traria o Kleist para o Brasil no final do mesmo ano. A editora aprovou a ideia, e então corremos para fazer a tradução a tempo de lançar com a presença do autor. Eu me sinto orgulhoso por ter trazido a obra do Kleist para o Brasil, mas também sei que isso só ocorreu porque houve uma editora com visão suficiente para topar a empreitada e ver aí uma grande oportunidade. Ainda hoje há vários autores alemães consagrados esperando por tradução. Não é toda editora que tem esse tino para negócio.

3) Uma graphic novel biográfica, como é o caso de Johnny Cash – uma biografia, aproxima-se mais da literatura ou do jornalismo?

Eu diria: aproxima-se mais do Jornalismo Literário. A reportagem feita em profundidade, no meu ver, tem muita semelhança com as melhores obras literárias, porque acaba não apenas informando, mas também transformando. Elas nos fazem pensar. O Jornalismo Literário bem feito também tem esse poder. Claro que aí há uma discussão sobre uma possível fronteira entre ficção e não-ficção, o que é bem questionável até certo ponto. A respeito disso, gosto muito de citar o que um personagem diz na página 94 de Cash: "De vez em quando você tem de ler apenas nas entrelinhas. Então você tem as verdadeiras histórias. No fim, são as histórias que permanecem, não os fatos. E histórias precisam ser contadas." Acho que o Jornalismo Literário ou mesmo as biografias em quadrinhos seguem exatamente esse preceito: se bem feitos, contam uma história que nos ensina algo. E essa história surge de uma apuração minuciosa, sem se ater apenas às informações objetivas.

4) A edição original do livro foi publicada na Alemanha em 2006, próximo ao lançamento do filme americano “Johnny & June”, também sobre a vida de Johnny Cash. Que diferenças existem entre as histórias apresentadas nas duas obras?

Pois isso foi uma coincidência. O Kleist não sabia que estava sendo feito o filme. Na minha visão, a versão cinematográfica da vida de Johnny Cash é mais romanceada, focada mesmo na relação dele com a June. Uma história de amor, praticamente. Já o quadrinho de Kleist tem uma atmosfera mais sombria, com bastante peso para o efeito das drogas na vida do Cash. Acho que por isso o trabalho do Kleist corresponde melhor ao que foi à vida de Johnny Cash. Se você acompanha a trajetória completa de Cash - incluindo aí a relação com a June, a carreira musical, sua infância e o uso das drogas -, você compreende (eu diria, você "sente") muito melhor o clipe "Hurt" (veja abaixo), que é praticamente um apanhado de tudo o que a vida de Cash significou. Com o filme não. Com o filme você tem uma visão mais positiva e menos realista da mesma história.



5) Existem limitações narrativas impostas pelo gênero graphic novel? Qualquer história pode ser transposta e adaptada aos quadrinhos?

Essa é uma ótima pergunta. Se formos pensar que o quadrinho é uma mídia visual, pareceria loucura contar aí a trajetória de um músico. Por isso o trabalho do Kleist merece tantos elogios. Por outro lado, acredito que há histórias mais apropriadas para a linguagem dos quadrinhos. Trabalho com Jornalismo em Quadrinhos e tenho pesquisado bastante sobre que vantagens há em se fazer uma reportagem usando essa linguagem. Afinal, há pautas mais adequadas para televisão, outras para impresso, outras para rádio. No meu ver, o quadrinho é muito bom para histórias com bastante apelo visual e que exigem reconstituição de cenas e construção de atmosferas. Nesse sentido, a sarjeta (o espaço entre um quadro e outro) pode ser um recurso excelente para tornar o leitor o responsável pela criação do clima da história, ou seja, para jogar o leitor dentro da história. É uma arte difícil de dominar, mas que o Kleist faz muito bem.

6) Que sugestões darias a jovens estudantes interessados no trabalho de tradução literária?

O importante da tradução literária é dominar a língua de chegada - o português, no nosso caso. Porque o alemão, por exemplo, é uma língua de difícil domínio. É uma língua que esconde muitas sutilezas de significado, mesmo para quem já convive há anos com o idioma, como é o meu caso. Para traduzir Cash, eu contei com a ajuda do próprio autor e de um amigo alemão que fala português. Eles foram cruciais para eu entender o signifcado preciso de algumas frases, principalmente no que diz respeito ao subtexto. A minha responsabilidade portanto foi encontrar a melhor forma de traduzir isso na minha língua, fazer o trabalho de Kleist se comunicar de maneira eficiente com o leitor brasileiro. Por isso acho que o importante mesmo é dominar os recursos da língua de chegada. Já com a língua de partida é necessário ter uma relação longa e profunda, claro, mas dificilmente se conseguirá dominá-la. É aí que vêm em nosso auxílio os dicionários e outras fontes.

7) Como é a rotina e a prática do trabalho de tradução de livros?

É difícil responder a isso. Cash foi a minha primeira e única tradução até agora. Para esse trabalho, tive um desafio especial: tive que traduzir em três semanas, para dar tempo de lançar o livro com a presença do autor. Isso ocorreu porque comecei a conversar com o Robertson em julho, se não me engano. E em setembro a 8Inverso estava fechando o contrato com a Carlsen, que detém os direitos da obra. Antes disso eu não podia traduzir. Foi uma correria, mas deu tudo certo. Enquanto o contrato não ficava pronto, eu me preparei assistindo a documentários sobre a vida de Johnny Cash, de modo que quando eu comecei o assunto não era novo para mim. Agora vou fazer minha segunda tradução e o método será certamente outro. Para começar, não é um trabalho biográfico, então esse tempo de pesquisa diminui um pouco. Por outro lado, também terei mais tempo para a tradução, o que permitirá um preciosismo e uma reflexão ainda maior. O que, claro, já houve durante a tradução de Cash. Acho no entanto que com a correria eu não pude curtir tanto o trabalho: era acordar de manhã e trabalhar em três turnos, quase sem pausa. Nesse novo trabalho quero aproveitar mais o processo, me divertir com ele. Ainda mais que se trata de uma obra que eu gosto muito.

8) Como proceder para acompanhar teu trabalho ou entrar em contato? Tens blog, utilizas as redes sociais?

Eu tenho um site, onde está publicado meu portfólio. O endereço é este: www.augustopaim.com.br. Ali é possível acessar meu perfil no Facebook e no Twitter (@augustoteles). Também tenho dois blogues: o www.cabruuum.blogspot.com, onde desde 2005 escrevo sobre quadrinhos; e o www.augustfest.blogspot.com, que começou como um espaço para relatar as minhas experiências de intercambista e onde hoje divulgo meus mais recentes trabalhos, bem como publico textos literários.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

HQ sobre o teremim

Pesquisando imagens para uma reportagem, dei de cara com esta HQ em espanhol sobre o criador do teremim, um instrumento musical inventado na década de 1920 e cujo som é produzido quando o músico aproxima as mãos das duas antenas. Clique sobre a figura para vê-la ampliada.


A HQ está no site Theremin World (em inglês), uma ótima referência que centraliza informações sobre o instrumento. Para saber mais sobre o teremim, cutuque aqui.

segunda-feira, novembro 14, 2011

"Destroços", por Juscelino Neco

É com muito orgulho que publico no cabruuum a HQ Destroços, de Juscelino Neco. Um trabalho triplamente bem feito: no desenho, no enredo, na realização.


[Você pode folhear a HQ com o mouse. Cutuque sobre a imagem acima para ver em tamanho maior.]

O jornalista, quadrinista e pesquisador Juscelino Neco (transfigurado em imagem aí embaixo) gentilmente cedeu sua HQ para publicação no cabruuum. Agradeço publicamente!

quarta-feira, novembro 09, 2011

Por dentro da Maré

Acaba de ir ao ar, no site Cartoon Movement, a segunda e última parte da reportagem em quadrinhos que fiz com o desenhista MauMau nas favelas do Rio de Janeiro. Cutuque aqui ou sobre a imagem abaixo para lê-la (é em inglês).

Caso você não tenha visto a primeira parte, cutuque aqui.

domingo, novembro 06, 2011

Links de norte a sul

Eis 3 links que, juntos, contemplam uma parcela significativa da nossa brasilidade:

* "Por um lugar nas estantes aos quadrinhos potiguares" - matéria jornalística sobre a cena de quadrinhos do Rio Grande do Norte.

* "Grande sertão: quadrinhos" - uma crítica de Ciro I. Marcondes sobre o livro O olho do diabo, de Mozart Couto.

* Eis "Primeira Edição", um panfleto da Editora Secreta, de Pelotas, RS. Trata-se de uma nova casa para publicação de quadrinhos.

quarta-feira, outubro 19, 2011

Por dentro das favelas

Entre o final de julho e início de agosto, estive no Rio de Janeiro fazendo uma reportagem em quadrinhos para o site Cartoon Movement. Me acompanhou o desenhista Maumau, daqui de Porto Alegre. Durante uma semana, nós visitamos várias favelas, pacificadas ou não, em diferentes regiões da cidade. O resultado é uma reportagem de 20 páginas, dividida em duas partes. A primeira acaba de ser publicada, em inglês.

Para continuar lendo, cutuque aqui ou sobre a imagem aí em cima.

É importante salientar que não se pode conhecer a realidade da favela em uma semana. Trata-se de um cenário complexo, difícil de abarcar rapidamente, a não ser que se apele para estereótipos e leituras superficiais. De tal forma que, para poder fazer esse trabalho, eu venho acompanhando a situação das periferias cariocas faz tempo. Em 2007, fiz na Maré a reportagem "Uma jornada especial". Há pouco mais de um ano, em abril de 2010, voltei lá para escrever a reportagem "Melô da diversidade". As duas foram em prosa. Agora, para fazer em quadrinhos, o raio de apuração aumentou para dar uma ideia da situação geral das periferias do Rio de Janeiro.

Tenho um carinho especial com a favela e com as pessoas que sempre me recebem muito bem quando vou lá. É a elas que dedico esta reportagem. Espero que ela sirva para mostrar mais de perto uma realidade que a maioria das pessoas só conhece pela tevê ou pelo cinema.

Quando sair a segunda parte, divulgarei aqui.

domingo, agosto 21, 2011

Podcast sobre Jornalismo em Quadrinhos

Participei de um podcast sobre Jornalismo em Quadrinhos no site Nonada. A gravação durou em torno de 24 minutos. Falei sobre a divulgação desse campo de estudos e sobre o meu processo atuando como HQ-Repórter. Ficou muito bacana. Segue abaixo para quem quiser ouvir.

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sábado, julho 23, 2011

Notícia bacana: quadrinhos na Academia Brasileira de Letras

Clique em EXIBIR IMAGENS para ver o e-mail.
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Huxley versus Orwell

Recebi por email uma interessante comparação entre as ideologias dos escritores Aldous Huxley e George Orwell. Segue abaixo. Para saber onde encontrei essa HQ, cutuque aqui. Quem quiser pode ler o original em inglês aqui.

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terça-feira, julho 19, 2011

Joe Sacco por Daniel Gnattali

O quadrinista Daniel Gnattali esteve recentemente na FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty e decidiu contar em quadrinhos o que viu por lá. Segue abaixo seu longo relato. Destaque especial para a palestra do HQ-repórter Joe Sacco.

[Clique sobre a imagem para ver em tela cheia.]

quarta-feira, julho 13, 2011

Curso de Extensão em Reportagem em Quadrinhos: NOVAS DATAS

Curso de Extensão:

Reportagem em Quadrinhos

Desenho de Maumau

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O quê: curso de reportagens em quadrinhos

Com quem: Augusto Paim, jornalista cultural e escritor

Quando: sextas-feiras, das 14h às 18h, de 12 de agosto a 2 de setembro de 2011

Onde: PUC RS

Inscrições: até 8 de agosto

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Quer aprender a trabalhar com um novo gênero do jornalismo que é uma tendência seguida por jornais como a Folha de São Paulo e o argentino La Nacion? A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) oferecerá em Porto Alegre um Curso de Extensão inédito sobre reportagens em quadrinhos. Serão 20 horas-aula, divididos em quatro encontros, sempre às sextas-feiras, a partir do dia 12 de agosto de 2011. A proposta é unir teoria e prática: os alunos não só serão estimulados a refletir sobre o uso da linguagem dos quadrinhos no jornalismo, como também participarão de uma sala de redação visando à produção de reportagens nesse formato.

O curso é aberto para estudantes da PUC e para o público em geral. Não é exigido ter conhecimentos de quadrinhos. Também NÃO é necessário saber desenhar: para fins didáticos, serão usadas fotografias. No curso, o aluno aprenderá ainda sobre a escrita de roteiros e o uso de técnicas narrativas, que podem ser aplicadas em qualquer linguagem – especialmente no cinema, que têm muitos pontos em comum com os quadrinhos, haja vista que todo filme começa com um roteiro e um storyboard.

O Jornalismo em Quadrinhos surgiu na década de 1990, com os livros-reportagens sobre conflitos bélicos do jornalista maltês Joe Sacco. Já no século 19, no entanto, havia experiências nesse formato. Agora surge uma nova geração internacional de HQ-repórteres e de veículos especializados, como http://www.cartoonmovement.com/ e o http://www.newsmanga.com/, este último uma experiência pioneira com mangás jornalísticos diários. Veículos tradicionais também têm publicado reportagens em quadrinhos, haja vista que essa pode ser uma saída para impedir o fim do jornalismo impresso, ao atrair novos leitores de jornais. O gênero também tem sido trabalhado em biografias e outras formas de não-ficção em quadrinhos.

Para saber mais sobre o Jornalismo em Quadrinhos, a sua história e a nova safra de HQ-repórteres, leia esta reportagem publicada na edição de março da Revista da Cultura.


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Objetivos do curso: incentivar a reflexão sobre o gênero Jornalismo em Quadrinhos a partir da experiência prática; estimular a produção de reportagens em quadrinhos por meio de orientação especializada; qualificar a produção e a reflexão teórica sobre Jornalismo em Quadrinhos através da introdução e aprofundamento do tema no ambiente da Graduação.

Ementa: a linguagem dos quadrinhos aplicada ao jornalismo; a pauta, a apuração e a edição no Jornalismo em Quadrinhos.

Pré-requisitos: nenhum. Apenas são recomendáveis conhecimentos prévios sobre jornalismo em geral.

Programa

Aula 1 - Palestra "Elementos da Narrativa em Quadrinhos" + reunião de pauta

Aula 2 - Apresentação das apurações + decupagem dos temas

Aula 3 - Roteiro + Edição

Aula 4 - Apresentação das reportagens + Avaliação

Ministrante do curso: Augusto Paim é jornalista cultural, escritor e tradutor. Atualmente, cursa o Mestrado em Teoria da Literatura na PUC RS e trabalha como jornalista cultural freelance. Já publicou reportagens nas revistas Continuum, Norte, Aplauso e Revista da Cultura. Em 2009, traduziu para o português o livro Johnny Cash - uma biografia, premiada obra do quadrinista alemão Reinhard Kleist. Em 2010, foi curador e organizador do I Encontro Internacional de Jornalismo em Quadrinhos. No mesmo ano, fez uma reportagem em quadrinhos sobre o Esporte Clube Juventude, com a quadrinista Ana Luiza Koehler. Agora trabalha em uma reportagem em quadrinhos sobre o Complexo de Favelas da Maré, no Rio de Janeiro, para o site Cartoon Movement. Desde 2007, ministra palestras sobre quadrinhos em escolas e universidades. Mantém os blogs http://www.cabruuum.blogspot.com/, sobre HQ, e http://www.augustfest.blogspot.com/, sobre jornalismo e literatura.

Resumo das informações

Carga horária: 20 horas-aula.

Período: De 12 de agosto a 2 de setembro de 2011.

Dia e horário: sextas-feiras, das 14h às 18h.

Datas: 12, 19 e 26 de agosto e 2 de setembro de 2011.

Local: PUC de Porto Alegre

Vagas: 15 a 20.

Investimento: R$ 324 para alunos, diplomados, professores e funcionários da PUCRS; R$ 360 para o público em geral.

Inscrições: até 8 de agosto de 2011.

Onde se inscrever: Av. Ipiranga, 6681, Prédio 15, sala 112, telefone (51) 3320 3727.

Outras informações: com o ministrante Augusto Paim (augusto.paim [@] gmail.com) ou com o coordenador Luciano Klöckner, no telefone (51) 3320 3727, de segunda a sexta-feira, das 8h às 21h15min, ou no site.

terça-feira, julho 05, 2011

Entrevistas com Joe Sacco

O HQ-repórter mais conhecido da paróquia está neste momento no Brasil. Joe Sacco veio até aqui para participar da FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty. Em função disso, tem concedido uma porção de entrevistas. Linco aqui as principais:

- Universo HQ
- Época
- Folha de S. Paulo
- G1
- Omelete

Sobre essas entrevistas (e o fenômeno dos seus aparecimentos), cabem duas observações:

1) creio que a vinda de Joe Sacco ao Brasil dará um impulso a curto, médio e longo prazo no desenvolvimento do Jornalismo em Quadrinhos brasileiro, tanto como campo de estudos quanto prática. É como se a pesquisa e a produção por aqui fosse alçada a outros patamares, muito em função da própria divulgação do gênero. Afinal, para se falar da presença de Joe Sacco no Brasil e explicar a sua envergadura no meio dos quadrinhos, faz-se necessário falar também sobre o que é o Jornalismo em Quadrinhos. Todo mundo que já trabalha com isso sai ganhando.

2) essas entrevistas devem se transformar rapidamente em corpus acadêmico, vindo a aparecer em breve em inúmeras citações em monografias, dissertações e, por que não?, teses. É que até hoje Joe Sacco pouco ou nada tinha falado sobre seu processo de trabalho ou sobre o que ele pensa sobre o Jornalismo em Quadrinhos. Isso mesmo. Ele, que é considerado por muitos o inventor do gênero, não havia falado ainda publicamente sobre isso (pelo menos não que eu saiba). Tanto que nos trabalhos acadêmicos sua obra é citada e estudada, mas ele não costuma ser fonte teórica. Por isso, essas entrevistas devem preencher uma lacuna.

***

PS.: a Folha de S. Paulo fez uma sabatina pós-FLIP com Joe Sacco. Aqui. É muito interessante, pois ali ele relata seus procedimentos jornalísticos para apurar e fazer reportagens em quadrinhos.

PS2.: outra entrevista muito boa, agora do Guia do Estudante. Aqui.