terça-feira, abril 11, 2006

Cabruuum!!!!!!! - um blog CADA VEZ MAIS redondinho sobre quadrinhos

Bueno, depois dessa maravilhosa conquista do Grêmio, campeão gaúcho 2006, no Beira-Rio, contra o arqui-rival Internacional, não há como não deixar o Cabruuum!!!!!! se contagiar junto. Não que este humilde blog vá passar a ser azul, preto e branco, não, não (se bem que... eheheheh). Mas ele não será mais o mesmo.

Aliás, como você já deve ter notado, o Cabruuum!!!!!!, que viu o Grêmio ser campeão milagrosamente da Série B do Brasileirão ano passado, agora está, ironicamente, mais vermelho, alaranjado. Trata-se do selo (esse bonito aí do lado, sobre o fundo azul) do concurso de blogs CokeRing, da Coca-Cola, que eu passei a participar esta semana. O Cabruuum!!!!!! só tem chance de ganhar o grande prêmio de um garrafão de 5 litros de Coca-Cola (jura! Eheheh) se tiver muitos acessos.

Já pensando nessa empreitada, o meu companheiro e quem sabe primo Leandro Paim linkou o Cabruuum!!!!!! no site que ele faz com um amigo e mais alguns colaboradores, o Juara Em Revista. Juara é uma cidade do Mato Grosso, onde está o Leandro. Você que está passando pelo Cabruuum!!!!!! através de um cutucão no site, seja muito bem vindo!!!



[Claro, estamos numa via de mão dupla: se cutucar no selo aí em cima, você vai parar no site!]


E, pra finalizar, a grande mudança no blog. A partir de hoje, o Cabruuum!!!!!! também terá tiras! Isso mesmo, tiras!!! Não feitas por mim, claro, que eu não sei desenhar nem um ponto final, mas por Rodrigo Oliveira, estudante de Desenho Industrial e Publicidade e Propaganda na UFSM e um grande feitor de HQs. De hoje em diante, você verá aqui tiras como esta, publicadas sazonalmente:

E mais esta:



[nessa última, as letras foram feitas no computador, e não desenhadas a mão, como na anterior, por isso a diferença!]

Detalhe: as tiras são feitas com exclusividade para o Cabruuum!!!!!!, já que o Rodrigo, além de ser meu amigo, acredita que este blog tem algum fundamento. Esperamos que essa parceria vá longe, muito longe!

E é bom deixar claro que as matérias sobre histórias em quadrinhos continuam. Firmes e fortes!

É isso. Não deixe de dar muitos e muitos cutucões por aqui. Você ganha uma Coca-Cola. Com gelo e limão!!! Eheheheh.

segunda-feira, abril 10, 2006

É, vovô, por essa o senhor não esperava...!

Quem lia gibi um século atrás? Ei, vovô, abaixe esse dedo, você está morto! Fiz a pergunta só pra poder comparar com quem lê gibi hoje. Afinal, qual é a diferença?

Sem entrar em questões sócio-histórico-antropológicas ou mesmo freudianas, e pra não ter de mencionar o amável Dr. Fredric Wertham, digo apenas que descobri que o leitor de hoje sabe não só formatar o winchester, mas também armazenar seus gibis de um jeito diferente. Não, as gavetas de hoje não são tecno-gavetas, não. Elas ainda não se abrem sozinha, a não ser que estejam com defeito.

Estou falando do HQ Box. Isso mesmo, HQ Box! “Caixa de HQ”?! É, bem isso, na tradução. Só que não é um apelido mimoso para a velha caixa de papelão em que você guarda os gibis, não. É, sim, um programa de computador.



[justamente esse que você acabou de ver!]

Com ele, você registra todas as revistas da sua coleção num banco de dados, ficando mais fácil encontrar os exemplares que você quer. Também dá para salvar as capas dos gibis, além de poder organizar o material de inúmeras maneiras: por roteiristas, desenhistas etc. Até o preço do gibi aparece.

Você baixa o programa cutucando aqui!

terça-feira, abril 04, 2006

Baixador de tiras a R$ 1,00!!! Na minha mão é mais baratooooo!!!

Essa é pérola: existe um programa de computador (vulgo software) que permite que você baixe tiras de uma porção de autores diferentes e as leia no computador. O nome dessa entidade (ao que parece, benigna) é ComiX 0.1 beta 5. Ela também não morde (apesar de ladrar em inglês) e você pode fazer o download dela cutucado neste link aqui! Vá lá e aproveite!


[Eis o tal do programa!]

quinta-feira, março 30, 2006

Não é só o Popeye que gosta de espinafre...

Fazia tempo que aquela garota morena de semblante nipônico me mirava com seus olhos indecisos. Atrás dela, o fundo colorido, que não se sabia verde nem se resolvia azul, contribuía para o cenário de indecisão, quem sabe prévia de decisão.

Eu mesmo me via em dúvidas tanto quanto. Mas eu era conseqüência, não causa. O olhar de Yukiko era quem governava e me dava vontade de sair à francesa, mas também de ficar e puxar a garota de encontro a mim, como se eu fosse um samurai e conhecesse seus segredos milenares.

Por tantas tardes ficamos assim, nesse clima verde-azul, até que dias atrás eu cansei desse meio-tom e fui, com meu pincel, em direção ao espinafre dela... De repente, surgiu um arco-íris!

Apresento a vocês, agora, Yukiko:


[Você também pode marcar um encontro com ela cutucando com o mouse em cima da figura. Vá lá, eu não fico de cara. Juro!]


Na verdade, esse é O Espinafre de Yukiko, livro escrito pelo quadrinista francês Frédéric Boilet. Há meses um amigo me emprestou uma edição, mas eu, sem tempo para ler, abandonei-a na estante. Até que anteontem, num rompante, decidi lê-la. E, em menos de uma hora, um deleite de Nouvelle Manga passou a fazer parte do meu repertório quadrinístico.

Mas vamos com calma, é muita informação. Vamos respondendo às questões que forem surgindo:

* De que se trata o livro?
Bem, trata-se da história de um francês (provavelmente o próprio autor, embora talvez não em todos os momentos) que vai ao Japão para uma exposição de Nouvelle Vague. Lá, ele e um amigo conhecem uma garota japonesa, a tal Yukiko, que dá seu telefone para ambos. Mas é o francês quem toma a inciativa e começa a sair com ela. Após um tempo, porém, confessando estar apaixonado, Yukiko lhe diz que ela, ao contrário, está apaixondada pelo amigo dele. Que tem namorada... Complicado, né! Mas a história segue...

* E o que é "espinafre de Yukiko"? É alguma pornografia?

Olha, está mais para erotismo. Mas é melhor você mesmo ler e descobrir, senão perde a graça.

* Sou uma pessoa tão atarefada, tanta coisa pra fazer, agora mesmo tenho hora com pedicure, manicure e nickfury... Por que ler o livro?

Simplesmente porque O Espinafre de Yukiko muda a sua experiência de leitura de histórias em quadrinhos. Primeiro, porque a narrativa é praticamente visual, com poucos diálogos. Por isso, você tem que estar muito mais atento aos detalhes, como a reprodução das páginas da agenda do francês. Segundo, porque a forma de narrar é ousada e complexa: a partir do momento que Yukiko aceita que seu percurso seja quadrinizado, já que o francês é um autor de quadrinhos, a história segue um ritmo estranho, intercalando fatos novos com a repetição de fatos antigos. Pois, entre um encontro e outro com Yukiko, o francês começa a escrever O Espinafre de Yukiko. Ou seja, é uma metalinguagem, o livro sendo escrito/desenhado dentro do próprio livro.


O terceiro ponto a destacar é que a maioria dos desenhos são feitos em ilustração fotoscópica, quer dizer, são criados a partir de fotografias, com o autor tratando as imagens no computador (mais ou menos como na figura aí de cima, com a diferença que nesse caso a foto é mental). E, finalmente, ler O Espinafre de Yukiko é uma bela maneira de aprender na prática o que é Nouvelle Manga.

* E o que é Nouvelle Manga? E Nouvelle Vague? São de comer?

Não, não. Pelo menos a princípio. Se você não cutucou nos links lá em cima, eu tento explicar agora. Nouvelle Vague é uma vanguarda do cinema francês que contesta a forma narrativa e, principalmente, as temáticas do cinema tradicional. A Nouvelle Manga, portanto, é um movimento com inspiração na Nouvelle Vague, tentando explorar o intimismo da primeira, só que nos quadrinhos. São portanto, HQs que falam sobre coisas do cotidiano, como se pode ver em O Espinafre de Yukiko.

Além disso, a Nouvelle Manga também faz intercâmbio com a forma experimental de narrar dos quadrinhos japoneses, vulgos mangás, e com a epopéia visual dos HQs franceses e belgas. O criador do movimento é o próprio Frédéric Boilet, que é seguido por autores como Kan Takahama, Hideji Oka e Little Fish.

* Tá, mas quem é esse tal de Frédéric Boilet?

Bem, ele é, em suma, um francês que faz mangás. O surpreendente é que ele consiga fazer sucesso na área, já que o estilo de se fazer quadrinhos no Ocidente é muito diferente do que no Oriente. Scott McCloud, a propósito, comenta a diferença no livro Desvendando os Quadrinhos: os quadrinhos ocidentais são publicados em gibis curtos onde a ação é predominante; eles querem levar você a algum lugar; já os orientais valorizam mais o estar em algum lugar, portanto os mangás são publicados em forma de livro, com centenas de páginas.


[o autor, de dois jeitos diferentes. O primeiro, numa foto. O segundo se pode chamar de um auto-desenho, se isso existe...]

Frédéric, apesar de ser francês, identificou-se mais com o estilo oriental. Suas obras seguem essa linha, embora ele misture elementos ocidentais também. Vale a pena conferir o site do autor, onde há inclusive um manifesto da Nouvelle Manga, para você entender melhor. Vá para lá agora!!!

quarta-feira, março 22, 2006

50º POST



Esse desenho aí foi feito pelo Maurício de Souza para comemorar os 26 anos de idade do incrível, fantástico, mágico e gaúcho Ronaldinho (leia mais sobre essa parceria no post Ronaldinho, o Gaúcho). O craque fez anos ontem, mas eu segurei a informação aqui no blog (nossa, tô podendo, hein! Ehehehe) para coincidir com o post de número 50.

A figura é graciosa como são os desenhos da Turma da Mônica e eu não queria de jeito nenhum começar o qüinquagésimo post do Cabruuum!!!!!! com a frase mais usada da publicidade: "Nós estamos fazendo aniversário, mas quem ganha o presente é você!!!" Arghhhhhhhhhhhhh!!! Deusmelivre.

Que todos nós nos sintamos satisfeitos por este projeto estar vingando! E obrigado a quem nos lê!!! Abração.

Promoção: Bruxa + Berinjelas = Bruxelas

Este é o post número 49 do Cabruuum!!!!!! Para comemorar a (come)memorável marca que se aproxima, lançamos agora uma grande promoção: se você encontrar em algum história em quadrinhos o desenho de uma bruxa comendo berinjelas e enviar para mim (pelo correio, sendo que você vai ter que descobrir meu endereço, veja o grau de dificuldade!) de um jeito que chegue até amanhã de manhã, às 7 horas, você concorre a uma incrível, linda e exclusiva viagem à Bruxelas, capital da Bélgica.



[essa é a Maga Patolótica, personagem da Walt Disney. Você pode concorrer com uma figura dessa bruxa. Mas ela tem que estar comendo isto, coitadinha:]

[isso que você viu é uma berinjela. Prazer! O prazer é meu! Pronto, já estão apresentados. Agora, um detalhe: não vale berinjela frita. Tem de ser crua mesmo]

Por que Bruxelas? Ah, sei lá, me deu vontade. Eheheheh. Não, não, tô brincando. É que ontem, depois de um mosquito me entrar no ouvido (vê se pode, tive de ir ao hospital tirá-lo a seringadas de água!!!), li uma matéria do jornalista Sílvio Ribas, do jornal Estado de Minas, publicada também na Zero Hora. O título: Bruxelas, capital dos quadrinhos. Justíssimo, afinal, foi nessa cidade que surgiram célebres personagens do mundo dos HQs, como Tintim e Asterix, além de muitos outros, menos famosos.


[aí em cima, a turma do Asterix. Embaixo, a turma do Tintim. Você vai parar nos sites de cada um se cutucar com o mouse em cima das figuras!]

Bruxelas tem uma porção de museus, exposições e outras formas de homenagear os quadrinhos. As ruas são infestadas de desenhos dos personagens de HQs. Digo só isso porque nunca estive lá e porque não quero repetir o que está escrito na matéria. Aliás, o legal é você mesmo entrar no site da Zero Hora, invadir a seção Viagem e ler. Também vai poder conferir as fotos. Basta se cadastrar gratuitamente no portal. Não é melhor que conhecer Bruxelas presencialmente. Afinal, essa experiência, apesar de não ter preço, vale um monte. Inclusive monetariamente. Portanto, vá ler o texto mesmo. Eheheh.

quarta-feira, março 08, 2006

Tentei, juro que tentei [direto de Aracaju, SE]

Estou viajando pelo Nordeste desde o dia 8 de fevereiro. Férias (quase-)absolutas. Até consegui atualizar o blog umas quatro vezes nesse período, mas...

Buá, buá!!!! Desculpa mesmo! Não deu mais pra seguir.

Mas, enfim, o blog retorna com todo o fôlego lá pelo dia 18 de março, por aí. E então não pára mais!!!

Abraços gerais!!! E beijos às mulheres!!!

domingo, fevereiro 26, 2006

Pra aliviar a tensão II - versão para maiores de 18 anos [direto de Salvador, BA, no calor da hora]

Um dia a gente cresce e entende que existe sexo. Impressionante, por um bom período da infância (uns mais, outros menos), a gente ignora isso. Mais tarde olhamos para trás e vemos sexo até onde antes não víamos (e talvez nem houvesse mesmo, em alguns casos).

Isso vale para o reduto da nossa inocência: as histórias em quadrinhos e os desenhos animados. Olívia Palito e Popeye faziam amor? E os Flinstones, como fizeram a Pedrita? E os ThunderCats, como se seguravam no meio de um monte de gatas?

Pois bem, chegou a hora da verdade: a hora de saber, por exemplo, que até mesmo Popeye e Olívia Palito transavam!!! E não só entre eles!!!


[Ehehehehe]

Logicamente, a página acima (escolhi uma das poucas sem pornografia, por recato) é uma paródia. Eis o Paupay, versão pornô do Popeye (cutuque com o mouse em cima do nome)!

Tem também os Fucknstones (avacalhação com os Flinstones, incluindo a história "O Casamento de Prechita") e os FuckerCats (porno-paródia dos ThunderCats).

Se você não tem crianças na sala, ou mesmo quer fazer crianças na sala, taí uma boa pedida! Divirta-se!

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Pra aliviar a tensão [direto de Salvador, BA]

Minha priminha Brenda, 11 anos de experiência (e de vida), treinando para ser correpondente, me mandou essas tiras aí de baixo. Eu as achei tão singelas (ainda mais depois do último post) que faço questão de publicar (tomara que ninguém se ofenda. Eheheh). São da Turma da Mônica!

Eis as ditas cujas:

Valeu, Brenda!

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Mais lenha na fogueira [enviado especial para a "cobertura" do evento (adivinhe qual!!! Eheheh) em Salvador, BA]

Quer dizer, a lenha não é minha, mas eu tô deixando aí, pra quem quiser botar no fogo. Quem trouxe foi o meu professor Rondon Martim Souza de Castro, que carregou muita madeira na Folha de São Paulo e na revista Terra, dentre outros veículos. O Rondon me passou este link aqui, que acrescenta muitos pontos nas discussões sobre as charges de Maomé, assunto do post passado. Veja lá!

sábado, fevereiro 11, 2006

Uma difícil questão [enviado especial a Porto Seguro, BA]

Liberdade de expressão e (cuidado: não é versus) respeito à crença alheia. Isso poderia ser uma disputa, mas é melhor colocar como dois pesos de uma balança. Pois é no equilíbrio que os dois lados acham um meio-termo.

Você deve ter lido/ouvido/visto por aí: a publicação, em setembro do ano passado, na Dinamarca, de charges cujo personagem é o profeta muçulmano Maomé suscitou conflitos (simbólicos e/ou sangrentos) entre o mundo árabe e o Ocidente. Agora, em fevereiro, a revista jordaniana Shihane republicou as charges, provocando mais distúrbios. Eis uma delas:





[Veja outras charges e um fórum de discussões sobre o assunto cutucando com o mouse aqui!]

Daí que a gente pode pensar: poxa, só por causa de uma caricatura como essa aí de cima o povo lá do outro lado destrói embaixadas, incendeia prédios e usa a bandeira da Dinamarca pra limpar os pés? Acontece que o Islamismo não permite qualquer tipo de representação do seu líder.

Bem, a questão não parece ser simples. Vou resumir algumas idéias que peguei da internet pra suscitar o debate:

  • "O Vaticano, por sua vez, afirmou que o direito à liberdade de expressão não inclui a ofensa às crenças religiosas (...)" (Matéria do portal Terra)
  • "O principal jornal iraniano anunciou (...) um concurso de caricaturas sobre o Holocausto, em resposta à publicação de desenhos do profeta Maomé nos jornais europeus (...)" (Matéria do Jornal da Mídia)
  • "O jornal dinamarquês Jyllands-Posten, o primeiro que publicou as polêmicas charges do profeta Maomé, há três anos havia se negado a divulgar ilustrações satirizando Jesus Cristo, já que as considerava ofensivas para seus leitores e nada engraçadas (...)" (Outra do Jornal da Mídia)
  • "Jornais na França, Alemanha, Espanha, Suíça e Hungria republicaram a charge esta semana, dizendo que a liberdade de imprensa é mais importante que os protestos e boicotes provocados pelo desenho." (Matéria do Yahoo!)
  • "O France Soir publicou uma nova charge em sua primeira página mostrando figuras sagradas budistas, judaicas, muçulmanas e cristãs sentadas em uma nuvem, com a legenda: 'Não se preocupe, Maomé, nós todos já viramos caricaturas aqui'." (Matéria da BBC Brasil)

A resposta dos cartunistas

Essa imagem aí do lado é uma espécie de "contra-charge" (acho que acabo de inventar a palavra). Você sabe, o povo que faz cartunismo é tão unido quanto os fundamentalistas. O povo do jornalismo também, o que já dá pano pra manga nesse debate...

[tirei a charge do http://www.chargeonline.com.br/]

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Stan Lee: perfil, frente e costas

Assisti domingo a um belo DVD, recomendável a qualquer fã de quadrinhos. O título original: "Mutants, Monsters & Marvels". No Brasil, "Mutantes, Monstros e Quadrinhos", com uma bela perda em aliteração - a inicial de todas as palavras começando com a mesma letra ("M", no caso), bem típico do Stan Lee, protagonista do filme e criador de personagens lendários da história das histórias em quadrinhos, como Homem-Aranha, Hulk, Quarteto Fantástico, Demolidor, X-Men e Surfista Prateado, dentre outros.

O DVD conta com duas entrevistas de Stan Lee e mais alguns extras, como uma entrevista com a mulher dele, Joan, uma seqüência de cenas de arquivo do cara com a família e um poema escrito e recitado por ele. A desvantagem é que os extras não têm dublagem nem legenda. Mesmo assim, vale a pena pegar/comprar o DVD (cutuque na figura aí do lado). Vou resumir aqui o principal:

O entrevistador anônimo
De início, você se incomoda. Está ali o Stan Lee bonachão, sentado numa cadeira, no meio de uma loja de HQ. Ao lado, o cara que faz a entrevista. E a cada respiro do entrevistado, sem dó nem piedade, o outro fica confirmando com um "ah-rã", "brum", "yes". Uma hora enche o saco.

Mas aí o Stan Lee diz: "Eu me sinto tolo aqui. Eu deveria lhe fazer perguntas. Sua vida é mais interessante!". E aí você devagarzinho vai descobrindo que o entrevistador é Kevin Smith, cineasta e quadrinista, bastante elogiado por Stan. Kevin chegou a fazer as páginas do Demolidor por um tempo.

[Esse é o Demolidor]

O entrevistado famosíssimo
Você tem um resumão dos 83 anos de vida do Stan Lee cutucando com o mouse em cima do nome dele, no início desta postagem. E é importantíssimo que você faça isso, a história do cara é interessantíssima. Aqui, o que importa é dizer que o cara é daquelas pessoas que sabe bem o seu lugar no mundo, sem falsa modéstia, mas também sem arrogância. Em alguns momentos, parece uma figura pueril, como quando diz que sempre bota o nome e o sobrenome dos seus personagens começando com a mesma letra, como Peter Parker (Homem-Aranha), Reed Richards (Sr. Fantástico), Matt Murdock (Demolidor) e Bruce Banner (Hulk), já que o quadrinista tem memória fraca e assim ficava mais fácil lembrar dos nomes (a excessão seria Tony Stark, o Homem de Ferro. Por quê? Ora, porque o Stan Lee não se deu conta mesmo...). E também quando mostra que muitas das suas criações e as relações entre elas são obra do acaso ou do humor.


[Stan Lee não é de ferro, mas o Homem de Ferro, óbvio, é]

Stan Lee engana na entrevista. Um emblema vivo dos quadrinhos, só deixa escapar conteúdo quando diz que gostava de fazer os diálogos de Thor pois misturava linguagem de Shakespeare e da Bíblia. E que o Demolidor é seu personagem favorito, pois obteve um grande retorno de associações de deficentes visuais, às quais esperava desagradar. Também conta como gostava do Surfista Prateado, pois era por meio dele que colocava a sua própria filosofia.

[à esquerda, o stanleeano Surfista Prateado; à direita, o mitológico Thor]

Curiosidades
Surgiu na entrevista, eu achei bacana trazer pra cá: o Homem-Aranha (veja imagem no antepenúltimo post) é um dos poucos heróis que têm o corpo inteiro coberto pelo uniforme. Nem um pedaço do rosto aparece. Isso facilita a identificação, ou seja, você pode ser índio, negro, loiro, amarelo, cor de rosa, laranja com bolinhas verdes e ainda assim ser o Homem-Aranha!

Mary Jane, a mulher de Peter Parker... Stan ficou sabendo depois que MJ, seu apelido, é uma sigla pra maconha, também. O cara não sabia. (A mim aumentou a dúvida se a música Mary Jane, da banda gaúcha Papas da Língua, faz referência à mulher de Peter Parker, à droga ou à alguma outra história qualquer...)

Stan Lee explica como criou a maioria de seus personagens, dando origem ao que Kevin Smith chamou de "mitologia moderna". Acontece que algumas criações são bem mais práticas do que teóricas. Os X-Men, por exemplo, Stan disse que os fez mutantes por mera preguiça. Estava cansado de ficar criando justificativas pros poderes tais de tais heróis. Sendo mutantes, seus personagens podiam ter quaisquer poderes, só com a justificativa de terem uma mutação genética mesmo.



[X-Men, nascidos do ócio criativo]

Em outros casos, Stan teve de criar uma justificativa para as habilidades de seus heróis. O Homem-Aranha é picado por uma aranha radioativa, o Hulk é atingido pela explosão de uma bomba gama e o Quarteto Fantástico recebe raios cósmicos. Por nomenclaturas como essa, Stan Lee costuma ser reconhecido como produtor de ficção científica. Mas ele diz que ninguém entende menos de ciência do que ele. Stan simplesmente não sabe o que é radiação, raio cósmico ou bomba gama. Achou os nomes sonoros e botou.



[à esquerda, o Quarteto Fantástico; à direita, o Incrível Hulk]

Pelo menos dois personagens são inspirados no próprio Stan: J. Jameson, o malvado chefe do Peter Parker no Clarim Diário, e Reed Richards, o líder do Quarteto Fantástico. O quadrinista diz que colocou neles um pouco de como acha que as pessoas o vêem: um sujeito meio mau-humorado (daonde!). Daí eu fiquei pensando se as laterais embranquiçadas do cabelo de Jameson e de Richards não seriam de propósito, para marcar essa ligação... Quem souber, me diga!

[o algoz do Peter: compare com as melenas do chapa do Quarteto, ali em cima. Você visualiza melhor aquela cutucando com o mouse aqui]

Frases do Stan Lee

"Nunca escrevi para crianças. Escrevia para mim"

"Não se pode implicar muito com uma pessoa com talento. Não deve dizer: 'Não faça assim!' Deve deixá-la à vontade."

[Quando assumiu a presidência da Marvel Comics, por um tempo:] " Eu tinha de fazer planos para 3 anos, 5 anos para a empresa. Eu sou do tipo que não sabe o que comerá no almoço..."

Marvel vs. DC
Domingo entendi um pouco da minha simpatia pela Marvel durante a infância. Assinava as revistas da DC Comics, também, mas sempre as achei muito sérias, sisudas. As da Marvel davam gosto de ler.

Isso porque Stan Lee adotou o estilo de conversa tête-à-tête com seus leitores. Totalmente informal, pessoal. Você pode comparar a diferença na parte das cartas dos leitores. A Marvel sempre se dirigia a seus fãs pelo primeiro nome e tirava a palavra "Editor" do cabeçalho. Ficava: "Caro [Editor] Stan!"

As respostas das cartas eram dadas de forma bem-humorada também ("Obrigado por nos escrever, agora sabemos que temos leitores"), assim como os créditos das histórias (Steve "Sisudo" Ditko).

Método Marvel
Essa é pérola. Sem ter tempo para escrever roteiros, Stan Lee chegava a uma equipe de desenhistas e dizia como era a história que queria. E deixava a cargo deles. Depois, pegava a história desenhada e inseria as legendas e os balões, conforme ficasse melhor. Ou seja, a história era contado primeiro visualmente, pelos desenhos, depois pelas palavras. Um método bem diferenciado...

Quadrinhos e Cinema
Quem acha que o Stan fica de cara quando vê seus personagens sendo distorcidos na telona está enganado. O cara diz que se fascina só de ver o Homem-Aranha voando pelos prédios de Nova Iorque e que às vezes esquece que aquele personagem é dele.

No mais, contou um episódio, quando da confecção da série antiga do Hulk. Bem, o nome do personagem, quando não transformado, é Bruce Banner. Mas a produção do seriado colocou David Banner. Simplesmente, porque achavam que Bruce soava muito homossexual...! No fim, por caridade com Lee, deixaram David Bruce Banner.

[E os caras se preocupando com o nome... tsc, tsc!]


É isso
Não se esqueça de se enganar com os próprios olhos! Assista o DVD!

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Feliz aniversário atrasado!!!

A minha amiga e "correspondente de guerra" Elisa Andrade Buzzo, escritora, jornalista e autora do blog Calíope, sobre jornalismo e literatura, me passou a pauta quentinha, quentinha. Começou perguntando:

- Augusto, quadrinhos são literatura?

Eu já fui citando todo faceiro o Scott McCloud, autor do livro Desvendando os Quadrinhos, pra defender que HQ é arte assim como a literatura, mas quadrinhos não são literatura. Sim, pois quadrinhos são outro tipo de arte, nem menor nem maior. A tal da nona arte.


Mas a Elisa perguntou por perguntar. Só queria me passar este link aqui!

Trata-se de um artigo sobre o livro Maus - A História de um Sobrevivente, de Art Spielgeman, jornalista-quadrinista. Vale a pena ler ambos, embora a pergunta do subtítulo, a mesma que a Elisa me fez, não seja respondida.

***

E, salvo pelo gongo e pela minha amiga Ana Tiellet, de Ijuí (RS), mesmo que badalando com dois dias atrasos, eis um textinho comemorando o aniversário dos quadrinhos brasileiros, ocorrido em 30 de janeiro.

domingo, janeiro 29, 2006

Um labirinto de links pra compensar os posts atrasados

Em primeiro lugar, desculpa! Fiquei esses dias todos sem postar pois estava sem computador e, depois, sem energia. Não elétrica. Energia pra escrever no blog, mesmo. Em outras palavras, preguiça!

Mas, enfim, adepto do ócio criativo, aproveitei esse tempo pra assistir uma porção de filmes e, assim, achar uma porção de assuntos pra discutir aqui no Cabruuum!!!!! Eis o primeiro:

Ontem à noite assisti Sin City. O filme lembra as obras do Quentin Tarantino, o cineasta que fez Pulp Fiction e Kill Bill, só pra dar umas referências. Não é à toa a semelhança: o Tarantino participou da feitura de Sin City, ao lado do diretor Robert Rodriguez e do autor da obra que originou o filme, o quadrinista Frank Miller.



[a capa do livro]

Bem, não vou entrar em detalhes . Aqui tem um link pro site Azul Calcinha, que já tem isso prontinho. Ah, se sobrar um tempo, depois de ler a resenha de Sin City, visite a seção de HQs do site. Além de ter um belo nome, o site também tem conteúdo!

Bem, voltando ao filme. Desde já, mesmo com vergonha na cara, digo que não li as histórias em quadrinhos. Que diabos está fazendo esse louco aqui, então, querendo falar sobre Sin City?, você pode reclamar. Bem, jornalisticamente e como na cena da morte do Jackie Boy, personagem do filme e da HQ, saio pela culatra e boto alguém pra falar por mim.

Quem?

Luciana de Almeida Pereira Jordão, mestre em Artes – ênfase em Imagem e Som - pela UFMG, e Mônica Fontana, doutoranda em Letras pela UFPE. As duas escreveram o artigo
O Pecado de Sin City - Adaptação dos Quadrinhos para o Cinema, apresentado no XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Rio de Janeiro, setembro de 2005).

Veja um trecho do texto:

"(...) alguns filmes se apropriam dos personagens de HQ sem, no entanto, propor uma aproximação de linguagens. Este é o caso de Homem-Aranha (2002), blockbuster recordista em bilheteria que empregou a narrativa cinematográfica clássica, ampliada por efeitos especiais de última geração, para criar uma verossimilhança sem precedentes. Assim, ao fazer Peter Parker voar pelos céus de Nova Iorque lançando suas teias, sem recursos narrativos que se interpusessem entre o meio e o espectador, o filme criou um efeito de máxima catarse, o que afeta diretamente o público de cinema, muito maior que aquele aficionado em quadrinhos e cultura pop em geral. Cumprem-se assim as estratégias mercadológicas do cinema industrial, cujos objetivos e compromissos financeiros estão acima dos artísticos.

Esta, no entanto, não é a estratégia de todas as adaptações de HQ, e Sin City (2005) optou por incorporar a metalinguagem à sua narrativa para remeter o espectador diretamente ao universo dos livros de Miller. Tal escolha cria uma interposição entre a obra e seu público, o que confere ao filme um menor potencial de bilheteria do que o citado Homem-Aranha e um perfil de independente, reforçado pela escolha de Robert Rodriguez como co-diretor."

E mais este trecho, pra quem manja do linguajar:

"(...) uma das principais interseções de fidelidade entre os dois meios é o uso da silhueta. Em diversos momentos a computação gráfica altera a fotografia de forma a transportar as imagens impressas nos livros para a tela, literalmente. Isto é reforçado por enquadramentos, figurino e postura dos atores, mas como o meio fílmico tem suas peculiaridades, se torna mais óbvio quando a cena é silhuetada. Como na HQ, na cena em que o coiote devora Kevin, sendo assistido pelo impassível Marv a fumar um cigarro, o que se vê são os contornos brancos dos personagens sobre um fundo escuro. Dramaticamente esta é uma solução que ameniza a violência da ação.




[a tal cena]

Este recurso ressurge ao longo do filme, inclusive para destacar elementos menos visíveis, mas que remetem o espectador ao desenho original. É desta forma que os colares e brincos de Becky são evidenciados, numa conexão com o desenho de Miller, onde os adereços estão em contraste com o apagamento de seu rosto, coberto pela sombra de um negrume absoluto. Esta é a apresentação da personagem que irá trair as companheiras deixando o domínio de Old Town em perigo."

Segue o baile do ctrl C + ctrl V:

"Enquanto a estética atinge neste aspecto a fidelidade à HQ, na montagem, o ritmo é perdido. Através da superposição de quadros e da irregularidade de tamanho, formato e posição na página, a graphic novel alcança uma cadência entrecortada e ágil. Traduzir para imagens em movimento seria criar uma edição dinâmica de planos curtos e rápidos. Porém, Rodriguez e Miller optam por planos longos desacelerados pelos movimentos de câmera que demandam tempo para se completar. Isto contradiz a citada afirmação encontrada no site oficial de que a adaptação não apresentaria nenhuma perda neste sentido."

E, ufa!, pra terminar:

"A versão cinematográfica promove ainda uma alteração estrutural na direção de arte que é a inclusão de cores para destacar certos elementos da imagem. Na seqüência de Marv e Goldie, a cama é vermelha, enfatizando o sentimento de paixão, e Goldie tem os cabelos loiros, numa conexão direta com seu nome. Ao longo do filme surgem olhos, lábios, carros e luzes coloridas que se destacam na fotografia P&B. Como era de se esperar, já que se trata de uma história passada na violenta Basin City, há sangue escorrendo praticamente o tempo todo. E é sobre esse elemento que a cor exerce um papel fundamental de ampliação dramática. Em algumas cenas o sangue jorra em P&B, mas em outras, como no momento em que Marv mata dois homens nos fundos do Kadie´s, ele é silhuetado ao ser recortado em branco. Há um forte contraste do branco em oposição à escuridão do beco sujo onde a ação transcorre. Mas é com o auxílio da cor que a ênfase fica mais evidente. Em That Yellow Bastard, quando Hartigan e Nancy perseguem Roark Jr. até a fazenda, acontece um acidente, e nos destroços, o herói percebe que tem sangue em suas mãos. Este indício confirma que seu opositor havia escapado, mas ferido, pois o líquido gosmento de repulsivo cheiro de carne podre, é amarelo. Tal opção estética cria maior intensidade dramática ao filme, mas representa uma ruptura com a proposta da série em quadrinhos."


[exemplo da adaptação. Em cima, quadro do quadrinho Sin City. Embaixo, a mesma cena, no filme]


As autoras não encerram o artigo com chave de ouro. O que, no fim, é até melhor. Pois a porta é pra ficar aberta mesma, pra entrarem os debates. Olha só, que legal, portanto:

"Este posicionamento inflexível não se sustenta diante da inesgotável discussão sobre a impossibilidade de conformação completa de uma linguagem a partir de outra, já que cada uma delas possui suas especificidades intrínsecas. Na verdade, questiona-se a pretensa busca por esta transposição integral que partiu da própria produção, ao afirmar que os elementos narrativos da HQ Sin City foram “pasted of” para as telas do cinema. As lacunas verificadas nesta adaptação não invalidam suas qualidades como obra autônoma, que levou ao limite o diálogo com os quadrinhos."

Bem, o artigo é grande, teria mais coisas pra trazer até aqui. Mas você tem o e-mail das autoras lá em cima, é só cutucar com o mouse sobre o nome delas e iniciar uma discussão.

Bom. É isso. Boas leituras, assistidas e cutucões no mouse!

domingo, janeiro 22, 2006

Quadrinhos por toda parte, devo estar ficando louco!

Este fim de semana foi verdadeiramente quadrinístico. A começar, sexta-feira, em minha peregrinação em busca de parcerias para a distribuição da revista Mosh! em Santa Maria, fui parar em uma porção de lugares onde se vende revistas de quadrinhos. Depois de inúmeras tentações, não resisti e acabei comprando a edição especial encadernada de Homem-Aranha: Azul, de Jeph Loeb e Tim Sale. A história fala do famoso e até então pouco explorado relacionamento do jovem aracnídeo Peter Parker com a loira e respectiva namorada Gwen Stacy. A maioria das pessoas sabe do final: Gwen Stacy morre durante um confronto do Homem-Aranha com o Duende Verde em cima duma ponte. Anos depois, Peter Parker casa com Mary Jane, que aparece algumas vezes em Azul.

Bem, nos filmes do Homem-Aranha, essa parte importante da história do Aranha é distorcida. O confronto da ponte é protagonizado por Mary Jane, e não Gwen Stacy. E, logicamente, o final passa a ser feliz, já que Mary Jane não pode morrer na ponte, como aconteceu com a Gwen. Senão não rolaria o Homem-Aranha 2.

Mas, enfim, o que me chamou a atenção ao reler Homem-Aranha após uns tantos anos foi a ironia do herói, geralmente passada durante situações de vida ou morte com algum supervilão, mas também neste ótimo trecho, que fala da Gwen: "(...) uma pessoa tão importante pra mim que eu pretendia passar o resto da vida com ela. Nunca imaginei que o destino levaria só ela a passar o resto da vida comigo."

***

Fiquei tão motivado com o lance dos quadrinhos, que aluguei o dvd Batman Begins. O filme conta o momento em que Bruce Wayne se torna o homem-morcego, numa trama baseada mais em elementos de psicologia do que pirotecnia. Como nessa frase, que ouvi e anotei: "Não é o que eu sou por dentro e sim o que eu faço que me define."






***

E hoje, domingo, em Passo Fundo (RS), vi minha priminha de 11 anos jogando na internet no site do Garfield. Os joguinhos são bacanas e você ainda pode, se tiver paciência para fazer cadastros, entrar na seção de Comics e acessar as tirinhas do famoso gato amarelo-marrom. Também tem o site do filme do Garfield, que você acha cutucando com o mouse na figura aí do lado.


É isso. Chega de quadrinhos este fim de semana...

sexta-feira, janeiro 20, 2006

22 de agosto de 2083

- Augustinho Neto, tu vai ter que fazer um trabalho sobre o Gilberto Freire para daqui a duas semanas.

- Ah, professora, o Freire é um saco!

- É um saco, sim mas sem esse teu saco tu não passa na disciplina de Sociologia da Comunicação. Seja homem. Faça desse saco um prazer...!

- Bem, se a senhora diz...

- Que sorriso malicioso é esse?

- Nada não! Só minha libido!

- Augustinho, uma semana pra tu me entregar o trabalho!!! E vai ter que ler Casa Grande & Senzala!!!

- Deusolivre-me! São mais de 700 páginas! Por que a senhora não me manda ler a Bíblia!?!?

- Por que não adianta. Tu já está perdido. E não adianta debochar, também! Vai ler e pronto!

- 700 páginas! E o pior: sem desenhos...

- Ninguém mandou teu vô ter te acostumado com gibi! Vai ler Casa Grande & Senzala de cabo a rabo!

- Blé!

***

26 de agosto de 2083

- Taqui o trabalho, professora!

- Sei... Que tu tá aprontando, Augustinho?!

- A senhora é muito desconfiada. Devia ler mais a Bíblia, pra aprender a confiar no próximo!

- Augustinho Neto, seria impossível tu ler Casa Grande & Senzala e escrever sobre a obra em 4 dias!!!

- A senhora diz isso por que não conhece o baú do vô! Não sabe o que tem lá!

- Ah, vai ficar fazendo mistério, é!

- Vou, sim!

- Haja saco!!!

- Agir?! Agora, aqui na sala de aula? Sou tímido, ele não vai nem reagir!

PLAFT!

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Aplauso para Zé Cariúcho

Saiu na edição 71 da revista gaúcha Aplauso um texto tão bom que faço questão de resumir aqui. A reportagem é sobre o desenhista Renato Canini, que ilustrou as páginas do Zé Carioca por um período de cinco anos, na década de 70.

Mostrando o Canini
O cara nasceu em Paraí, na serra gaúcha, em 22 de fevereiro de 1936 (completa, portanto, 70 anos em 2006). Agora mora em Pelotas, também no Rio Grande do Sul. Diz que não gosta muito de viajar e que, por isso, fez o Zé Carioca sem nunca ter pisado no Rio de Janeiro (brinca que foi por cartão-postal!).

A trajetória de Renato Canini por si só já garante segurança no passo e no traço. Ele colaborou com o célebre O Pasquim e publicou muitos livros (olha que engraçado o título desta antologia sobre a Revolução Farroupilha, movimento liderado por Bento Gonçalves: E o Bento Levou...). Também tem uma porção de outros livros na fila para serem publicados. Inclusive saiu uma edição da série Mestres Disney com o seu trabalho (cutuque aqui!). Mas é mesmo com o Zé Carioca que Canini ficou conhecido. Internacionalmente, diga-se de passagem...

O que o gaúcho fez com o carioca
Por incrível que pareça, o Zé Carioca (uma personagem com história bem ideológica) não foi agauchado. Pelo contrário, ficou mais carioca, perdendo o antigo fraque, os sapatos e a bengala e passando a andar descalço e vestindo bermuda e camiseta na Vila Xurupita, uma favela fictícia do Rio de Janeiro. Em suma, foi abrasileirado. E com os traços do cartunista gaúcho. Segundo Renato, isso desagradou a Walt Disney, provocando seu afastamento.

Uma curiosidade: por ser um funcionário da Disney, Canini não podia assinar seus desenhos. Mas ele deu um jeito de registrar sua marca, literalmente. Se você vasculhar a obra do Zé Carioca da década de 70, certamente vai encontrar um "Sabão Canini" ou uma "Loteca Canini" despretensiosamente desenhados no cenário de algum quadro. Em outras, a assinatura é um pequeno caramujo.

Outras personagens

Renato Canini não foi autor de uma obra só. Entre suas criações, Zé Candango, um cangaceiro cearense que dava o maior pau nos heróis estrangeiros; Dr. Fraud, uma paródia da psicanálise freudiana; e Kactus Kid, um caubói ianque, que foi adaptado em duas animações (você pode ver uma delas cutucando aqui).

[à esquerda, o Kactus, óbvio. Abaixo, Dr. Fraud. Fico devendo o Zé Candango, que não consegui encontrar uma imagenzinha sequer da personagem na internet. Falha minha, vou ficar devendo essa...]

Os amigos mostram Canini
"Muita gente é especialista, mas ele é bom em tudo o que faz." (Edgar Vasques, cartunista gaúcho)

"Há uma falsa ingenuidade, uma candura das coisas simples no humor dele." (Santiago, idem)

"Sentado em sua mesinha, Canini quase ruboriza quando vem a pergunta sobre sua importância par as gerações de desenhistas de humor que se seguiram a ele. 'Pois é, eu não sei de onde vem isso. O pessoal diz: 'Olha, você me influenciou'. Mas às vezes não vejo nada parecido entre o desenho dos outros e o meu, talvez apenas um tracinho.' E essa coisa da simplicidade? 'É timidez mesmo', ele sorri." (trecho da reportagem)

A religião do cartunista
Por incrível que pareça, Canini não reza pela cartilha do eu-perco-o-amigo-mas-não-perco-a-piada. É justamente o contrário: o cara já deixou de desenhar muitas idéias suas em função do choque com valores da sua religião, o protestantismo. Tem inclusive organizado obras defendendo o criacionismo em detrimento do evolucionismo.

Feito o carreto
Bem, esse foi um breve e humilde resumo do que li. O ideal seria você se enganar com os próprios olhos. Se for o caso, ache um jeito de comprar a edição nº 71 da Aplauso no site da revista. Agora, se você não pode comprar, o que é uma pena, espero que tenha se informado um pouco pelo Cabruuum!!!!!!.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Mais uma do mesmo naipe

Essa é novamente para os taradões em e por quadrinhos. Navegando na internet, dei de cara com uma matéria do Estadão sobre desenhos eróticos. A compilagem de sites provocadores de ereção é antiga, lá do longínquo maio de 2002. Alguns links, portanto, podem não estar ativos. Em todo caso, a tentiada é livre.

Lá vai
o link!


Desenho do Milo Manara, pauta do post anterior deste blog e um dos quadrinistas citados na matéria do Estadão.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Viva o Amigo Tarado!

Já falei dele algumas vezes aqui. Aliás, dois posts atrás, quando escrevi sobre o Rapadura Açucarada, lá estava ele. Falo do Super Amigo Tarado, cuja identidade secreta, por um questão de tradição super-heróica, eu não posso revelar. Na verdade, quem faz as grandes revelações aqui é ele. Todas relativas a quadrinhos e sacanagem, numa bela fusão hentai.

Pois a última dica do Amigo Tarado me levou aos desenhos eróticos do Milo Manara (momento trilíngüe do Cabruuum!!!!!!, não por charme, mas sim por incompetência minha na tradução: saiba mais em inglês, em espanhol e/ou em italiano sobre o artista). O Milo é o responsável pela autoria de deleites visuais como este:




[juro que não estou apelando. Isso é arte!]

Sim, eu sei que você quer ver, ops, quer dizer, saber mais sobre o cara. Infelizmente, o material que encontrei na rede (entrevista e biografia) é em italiano. Mais infelizmente ainda, o Super Amigo Tarado não vai poder ajudá-lo nisso, apesar de fazer cursinho de italiano (uma dica para facilitar a identificação dos santa-marienses), pois está ocupado descobrindo hentais na internet.

Bem, você ainda pode visitar o site do Manara. Tá, de novo, só dá pra ler em inglês ou italiano. Mas acho que a essa altura do campeonato não faz muita diferença: você deve estar louco para ver os desenhos mesmo (a seção Exhibition é flor de especial, nesse sentido!), que não precisam de tradução. Viva a linguagem universal do erotismo! E dos quadrinhos!

domingo, janeiro 08, 2006

Imperdível!!!

Você vai dizer depois que for aonde eu quero que você vá: que tem isso a ver com quadrinhos? Bem, não interessa! É humor. Vale a pena se afinar rindo de vez em quando.

Então vá pra este link e, com o mouse, baixe a barra de rolagem até aparecerem as fotos da mulher nas pedras. Eheheheh. Depois me conta como foi.

No mais, o gancho com os quadrinhos até que pode ser garantido pelas ilustrações no topo da página. Mas nem precisava. As risadas valem o post.

Tira a mão daí, guri! Essa rapadura não é pra comer!

Há vários caminhos para se chegar à Roma. Também há várias maneiras para, só fazendo uma ilustração, desligar o computador (pelo teclado, pelo mouse, pela CPU ou, a mais humilhante, pelo telefone, chamando o técnico).

No meu caso, também há vários trajetos para se chegar a uma informação. O conhecimento do site que falarei daqui a pouco, por exemplo, me veio por duas rotas bem distintas. Primeiro, a oficial, registrada em cartório, com assinatura do pai e da mãe: Claudiney Ferreira, do Itaú Cultural, apresentador do programa de tevê Jogo de Idéias, me mandou um e-mail com sugestão de pauta pro blog. Depois, a via torta, informal, quase uma barraquinha no Calçadão: um amigo meio tarado me disse pelo msn: "Augusto, olha este link. Dá pra baixar um monte de quadrinhos pornô".

Enfim, eis que cheguei ao Rapadura Açucarada. Taqui o logotipo deles:

[invejinha: só eu não tenho logotipo nessa vida... ai, ai.]

Alguém atento poderá dizer: por que eu estou divulgando um trabalho que, de certa forma, é semelhante ao meu? Afinal, o R.A. é cheio de resenhas de histórias em quadrinhos, coisa que, lá de vez em quando, eu também faço. Seria uma espécie de concorrente do Cabruuum!!!!!!!? Bem, pra mim não existe isso, esse negócio de competir. Afinal, não tenho chance nenhuma. Eheheheh.

Meu blog não tem fotos de mulheres peladas (que bela combinação elas fazem com os quadrinhos... se falasse também de futebol, o R.A. seria completo!), não tem tanta postagem diária nem tanto acesso e não disponibiliza obras de HQ para você baixar!

O quê?! Sim, é isso mesmo! No Rapadura Açucarada, você cutuca com o mouse na imagem da capa de algum livro ou gibi resenhado e vai parar num espaço de armazenamento que pede senha (adivinha qual é: rapadura). Aí você encontra a tal obra escaneada pra baixar, de graça.

[só pra dizer que o Cabruuum!!!!!!! também tem boas (nas) fotos!]

Aliás, dentro do Rapadura Açucarada também há vários caminhos para se chegar ao lugar que você quer ir, se o lugar que você quer ir é o espaço para downloads (dê suas cutucadas por lá que descobrirá caminhos alternativos). Mas você pode fazer que nem eu: escolher um único caminho e passar o tempo que sobra se deleitando com as fotos...

No mais, a parte mais legal do site, a que recomendo veementemente, está lá no meio: escondidinho no final de um humilde post ("E-BOOKS, HQs AND FÓRUM" é o título), entre duas fotos de gurias vestidas, achei um link pro Cabruuum!!!!!!. Ou seja, pra cá! Portanto, faça como o filho pródigo, vá pra lá e depois volte! Por favor... Eheheh.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Telequadrinhos e vestibular em quadrinhos: escolha uma opção!

Deus ajuda o seu Madruga! Não, não. Não é assim o ditado. Her... acho que é... Ah, sim! Deus ajuda quem cedo madruga!

Pois foi tentando acreditar em algum fundamento disso que cambaleei da cama até a mesa da cozinha pra tomar o café da manhã (ou da madrugada, tanto faz), às 5h45min de hoje. Não sei como não bebi o leite com o nariz, tampouco como escapei de passar margarina na mão. Muito menos, portanto, como consegui fazer a peripécia de ligar a tevê. Só sei que foi providencial, já que desse (controle-)remoto milagre veio o assunto pra este post.

Com o aparelho ligado, tive pelo menos duas surpresas. A primeira: comprovei que a existência do programa Telecurso 2000 não é um mito. Agora posso estufar o peito e dizer pra todo mundo que ele realmente existe e passa na Globo a essa hora da madruga. E que eu mesmo vi, com essa remelas que um dia a terra ainda há de comer (mesmo que mande de volta depois)! Eheheh.

A segunda e mais importante: hoje de manhã estava passando um episódio do curso de inglês. Tá, e daí?! Calma, calma... Eu tardo mas não falho.


Durante o programa, uma personagem do telecurso começou a ler uma revista em quadrinhos escrita em inglês. Folheava, e a gente ia acompanhando página por página. Isso tudo para ensinar o idioma.

Até aí, tudo bem. Acontece que o episódio desviou do assunto principal (inglês) de tal forma que a personagem ficou mais de um minuto falando das peculiaridades de histórias em quadrinhos. Coisas básicas, mas interessante. Tipo: "o que mais gosto nas histórias em quadrinhos é como elas conseguem trabalhar texto e imagem ao mesmo tempo" e "por isso os gibis podem ser uma importante ferramenta educativa" (palavras não ao pé da letra).

Nenhum gancho com o ensino de inglês especificamente. Curioso, não? Um program de televisão curtíssimo usa um grande espaço do seu horário pra falar de alguma coisa que não tem ligação direta com o que, pelo objetivo principal, teria que dizer! Só os quadrinhos pra fazer isso, não?!

***

Esta é especial pra quem vai fazer o vestibular da UFSM, entre os dias 10 e 13 de janeiro, semana que vem: se você, que nem eu, leu muito gibi quando era piá, pode ter certeza que vai cair na prova coisas que você conhece.

Hã? Como assim?

Calma, calma 2. Não tive acesso às provas do vestibular, não mesmo. Vamos à definição de histórias em quadrinhos do Scott McCloud, autor do livro Desvendando os Quadrinhos, que você vai entender: "imagens pictóricas e outras justapostas em seqüência deliberada destinadas a produzir informações e/ou a produzir uma resposta no espectador."

Portanto, segundo a definição do McCloud, isto aqui é uma história em quadrinhos:



E isto:



E mais isto:



[eheheheh]

Daí que quando topar com uma dessas na prova, se não souber a resposta, pelo menos vai ter com o que se entreter!

terça-feira, janeiro 03, 2006

Post comparando o passado e o presente, ao melhor estilo pensamento-de-reveillon

Compare estes dois desenhos (o gancho com o último post é evidente!):





Mônica e Cebolinha, personagens de Maurício de Souza, como eram desenhados antigamente, no tempo do guaraná com rolha, no tempo em que a vovó menstruava...














Mônica e Cebolinha hoje, ainda brigando...









Pois bem, você percebe uma significativa diferença na maneira como se apreende os sentidos em cada um desses desenhos? Digo, as personagens são as mesmas, o enredo também. Mas, mesmo assim, parece que a sensação que se tem ao ler muda.

(Logicamente, estou partindo do princípio de que pra mim muda. Se pra você isso não acontece, ignore o resto do post!)

No ano passado dei uma mini-palestra sobre quadrinhos num curso promovido pelo Grupo Imagem, aqui na UFSM. Durante a apresentação, enquanto falava sobre formas, usei como exemplo justamente essa diferença na produção de sentidos das histórias da Turma da Mônica em função da mudança no desenho das personagens. Faz sentido: os mais antigos são oblongos, elipsais; os de hoje são arredondados, suavizados, passam mais sensação de conforto visual. Claro, tem diferença nas cores, também, pois o avanço tecnológico permitiu o uso de mais tonalidades, como se pode ver no segundo desenho ali de cima.

Agora, tem algo que me fugiu na ocasião mas que acrescento hoje: há uma lição semiótica que prega um fundamento socio-biológico pra justificar por que a figura do círculo transmite suavidade e a as formas pontiagudas passam agressividade (o desenho antigo da Turma da Mônica é menos circular que o atual). Porém, fiquei pensando esses dias: nesse caso específico, a mudança na leitura dos sentidos se dá, principalmente, pela percepção da passagem de tempo.

Entende o que quero dizer? Você sabe que a Turma da Mônica antiga era desenhada de tal forma, e as de hoje são diferentes. Então você se depara com um desenho mais arredondado e lê sabendo que é uma história contemporânea. Ao passo que pega um desenho mais em forma de elipse e, de antemão, já têm a sensação de estar lendo algo antigo. Justamente por você já ter esse conhecimento da mudança na forma dos desenhos do Maurício de Souza com o passar do tempo.

Bem, este post é reflexivo, não conclusivo. Adoraria ter mais discussão em cima disso, receber contribuições. A minha parte, porém, encerra aqui.