quarta-feira, outubro 01, 2008
Não é quadrinhos...
"Na Alemanha, um pouquinho de Brasil, iá, iá...
Em Haselünne, pequena cidade no norte da Alemanha, uma família multicultural vive diariamente a experiência de intercâmbio
Por Augusto Paim
No dia 17 de outubro de 2003, início da tarde, a alemã Christine Hoffmeister chegou ao abrigo Tia Júlia, em Fortaleza, Ceará. Trazia consigo a carta autorizando a adoção do menino José Iládio da Silva Rodrigues. Havia já seis anos que Christine esperava por essa decisão judicial, e agora a tinha em mãos. Não conseguiu nem almoçar, de ansiedade.
Na porta do abrigo, a assistente social pegou a carta, leu e falou: 'Não pode ser. Aqui diz que é para você adotar o Iládio. Ele tem um irmão!'. Christine não sabia. Iládio, de 6 anos, foi escolhido para adoção porque era o primeiro da lista de espera. A assistente social fez Christine entrar. Lá dentro, mostrou a carta a outras funcionárias do abrigo. Todas ficaram surpresas. Diziam: 'Vão separar os irmãos.'
Christine foi levada para a sala onde se faz o contato inicial entre os pais adotivos e a criança. Iládio entrou. A assistente social fez a apresentação: 'Iládio, agora você tem uma nova mãe. Ela vem da Alemanha'. O menino sentou-se no colo de Christine. A nova mãe disse: 'Eu aprendi português para falar com você'.
As pessoas na sala discutiam sobre o problema do irmão. Christine entrou no assunto e não percebeu quando Iládio, pequeno e magro, saiu de seu colo. Em instantes, porém, voltou, trazendo pela mão outro menino, ainda menor. Os dois foram até Christine.
'Benedito', disse Iládio para o irmão, 'essa é nossa nova mãe.'"
Leia mais.
domingo, setembro 28, 2008
Os 24% que faltavam...
ainda um ano de cibervida quando falei dela aqui. Na ocasião, só pude falar por cima sobre cada uma das histórias em quadrinhos que li, e foi pouco para explicar minha admiração. Nunca é demais dizer, essa foi a primeira revista que me fez ver o quanto quadrinhos é uma linguagem tão madura e com tantos regramentos próprios quanto literatura ou música, por exemplo. Em suma, quadrinhos, enquanto linguagem, não precisa falar apenas de personagens infantis e super-heróis. Mas como mostrar isso?Pois agora posso. O site da revista disponibiliza uma das histórias que me encantaram. Chama-se Transmutações Políticas. Deleite-se com os detalhes ou com o todo cutucando aqui!
quarta-feira, setembro 24, 2008
Alienista mais ligeiro que jabuti

Adaptação de 'O alienista' é assinada por Fabio Moon e Gabriel Bá. Quadrinho desbancou livros didáticos de história e geografia do Brasil." [leia mais]
Comics
A matéria me pareceu bem correta, sem aquele ar adolescente que se costuma dar quando se escreve sobre quadrinhos. Pena que é em inglês.
quarta-feira, setembro 17, 2008
E o 50° lugar vai para...
Quem me avisou foi o amigo e colega Léo Foletto, do CenaBeatnik.
sexta-feira, setembro 12, 2008
O Papa era para ser pop

domingo, setembro 07, 2008
Quem disse que fácil seria?
Eis o link!
Quem me avisou da entrevista foi o companheiro de blogosfera Marcelo Engster, do Quadrinhólatra.
quarta-feira, setembro 03, 2008
A união faz a força
São dois blocos. Assista agora ao segundo:
segunda-feira, agosto 25, 2008
Entretenimento interessante (na Suíça)
Por Marcelo Crescenti, para a BBC Brasil
Uma exposição no Museu de História Natural da Basiléia, na Suíça, mostra como seriam os esqueletos de vários personagens de quadrinhos e desenhos animados se eles realmente fossem seres vivos." [leia mais]
sexta-feira, agosto 22, 2008
Sacanagem das boas!
Minha vida pessoal nada importaria aqui se eu não tivesse encontrado, nesse museu sobre a história mundial do erotismo, os quadrinhos da personagem Sjef van Oekel, de Theo van den Boogaard. Se você se interessa por HQs eróticos (isso é totalmente válido) e tem mais de 18 anos, cutuque aqui para conhecer o autor! Na verdade, o link vai dar numa excelente reportagem do Universo HQ sobre quadrinhos holandeses.
Também visitei em Amsterdam o Van Gogh Museum e o Rijksmuseum. Neste último, vi obras de Rembrandt, dentre outros. A tela de um artista me chamou a atenção, pois numa olhada de longe me fez lembrar um quadro de HQ. Esta tela:

É do século 17!
Cutucando aqui, você tem detalhes sobre a tela. Já este link vai dar na wikipedia do autor, em inglês.
Entrevista
Usei um computador da Alemanha pra responder o e-mail, nao repare nos erros. Aliás, "nao", sem til, porque falta esse acento aqui no teclado. Poderia usar no lugar um ß. Que tal? Ou talvez um Ü. Ou um Ä. Ou Ö.
Bem, vale ressaltar que o site Impulso HQ é altamente recomendável.
sábado, agosto 02, 2008
Mudança de endereço
A mudança de endereço a que me refiro é a minha. Pois na terça-feira embarco para Amsterdan, na minha primeira incursão à Europa. Fico dois dias na capital holandesa, depois vou de trem para a Alemanha. Morarei 12 meses lá, numa pequena cidade chamada Haselünne (próxima à fronteira com a Holanda, ao norte). Em princípio, em agosto de 2009 estarei de volta ao Brasil.
Obviamente este humilde blog continuará na ativa. Escreverei de lá, dentro do possível divulgando e refletindo sobre os quadrinhos alemães. E as coisas do Brasil também terão seu lugar, claro.
Mas um alerta: em função da etapa inicial de adaptação, não estranhe se não houver posts nas próximas semanas. Assim que me estabilizar por lá, voltarei com tudo, do mesmo modo que mantenho o blog aqui do Brasil.
De qualquer forma, enquanto isso você tem uma porção de posts para ler e reler. Principalmente os últimos, sobre as oficinas de HQ.
Bem, está avisado! Até breve!
Auf wiedersehen!
segunda-feira, julho 28, 2008
Agora o passo-a-passo
Vou pegar uma das histórias criadas e explicitar as etapas da criação.
1. ARGUMENTO

"Homem-Sereia e Mexilhãozinho [diminutivo de "mexilhão"] são dois heróis, têm 20 anos. Eles estavam salvando a cidade de Eucaliptos do malvado Plankton. Eles lutaram e salvaram a cidade de Eucaliptos. Ficaram descansando em suas poltronas até terem que salvar a cidade outra vez. Observação: o malvado Plankton queria cortar os eucaliptos."
A maioria dos argumentos criados na primeira turma retratava uma história corriqueira, sem nenhum conflito nem transformação das personagens. Nesses casos, eu mostrava isso aos alunos (numa linguagem acessível, adequada à faixa etária) e perguntava a eles se não seria melhor haver uma situação nova, que apresentasse uma mudança em comparação com a situação inicial. No caso das "Aventuras de Homem-Sereia e Mexilhãozinho", o aspecto humorísitco do "ficaram descansando em suas poltronas até terem que salvar a cidade outra vez" supera qualquer ausência de conflito. Apenas sugeri que os alunos explicassem que tipo de risco o vilão Plankton oferecia à cidade de Eucaliptos. Os meninos mesmos tiveram a idéia e escreveram a observação ao fim do argumento.
2. DESENHO DAS PERSONAGENS
Se a outra turma estava lidando com fundamentos de narrativa, a turma responsável pela segunda etapa do processo de criação coletiva da HQ trabalhava agora com imaginação, visualização. Os alunos tiveram que desenhar as personagens citadas nos argumentos. Para isso, além do ato de tirar a história do papel, era necessário uma visão do conjunto, de modo a não prejudicar o trabalho de quadrinização da turma seguinte.
No grupo que pegou a história das "Aventuras", uma menina chegou muito facilmente à forma da personagem Homem-Sereia:

O desenho mais difícil talvez fosse da personagem "Mexilhãozinho", mas a tarefa caiu nas mãos de uma menina criativa:

As tarefas foram divididas expontaneamente dentro do grupo, e a terceira menina ficou com a incumbência de desenhar o vilão Plankton. Houve várias tentativas e certas dificuldades, mas ao fim se chegou a este resultado:

3. QUADRINHOS
Não havia dúvida de que o processo de quadrinização - ou seja, pegar o argumento e os desenhos das personagens, juntá-los e transformar tudo isso numa ou mais páginas de história em quadrinhos - seria a etapa mais difícil (apesar de também a mais prazerosa). Agora os alunos tinham de acionar o pensamento imagético e também lidar com elementos de estrutura narrativa, alguns específicos da linguagem dos quadrinhos.
Tendo já cumprido metade dos encontros que me propus a fazer nessa escola e sabendo que até aquele momento a produção coletiva das HQs estava dando certo, temi que agora as coisas desandariam. Decidi dedicar mais tempo à atividade prática, portanto, ainda assim preparado para que o processo fosse interrompido ali. Para minha surpresa, deu tudo certo.
A primeira página das "Aventuras" começou a tomar forma assim:
E a segunda página:
Agora uma visão geral do grupo responsável por quadrinizar as "Aventuras", para ver como se subdividiam as tarefas entre eles:
O menino que lê
Pausa.
Pausa para falar desses pequenos grandes retornos que recebemos e que valem toda a dedicação que empenhamos.
A foto abaixo mostra um menino da quinta série lendo um livro da Turma do Xaxado.
Até aí, uma foto normal. Mas só se ignorarmos o fato de que esse menino absolutamente ODIAVA LER. Fiquei sabendo disso por intermédio dos professores, que inclusive tiraram a foto para registrar o momento único.
E não foi uma leitura casual. O grupo do qual esse menino participava já havia terminado a HQ, então ele me perguntou se podia pegar um dos livros que estavam na mesa dos professores, onde pus o material que trouxe. Enquanto os outros grupos trabalhavam, o menino se concentrava na leitura.
4. CORES/ARTE-FINAL
A última parte do processo de construção coletiva da HQ era relativamente mais simples, mas de suma importância. Os alunos não só tinham de marcar com caneta esferográfica e canetinha os traços dos desenhos e dos quadrinhos feitos pela terceira turma, além de pintá-los; era ainda um trabalho de revisão. Afinal, essa era a quarta e também a última turma a mexer com a HQ antes de ela ser publicada no mural da escola. Uma grande responsabilidade, portanto, já que havia problemas de falta de clareza e desenhos inacabados para resolver, antes de a história ir a público.
Deu tudo certo e, no fim, a HQ "Aventuras de Homem-Sereia e Mexilhãozinho" ficou assim:


Outras histórias
Usei o exemplo de "Aventuras" para construir um passo-a-passo porque as imagens estão boas e também porque ela constitui uma boa amostra do que surgiu na oficina, em termos de idéias e desenhos. É importante, porém, mencionar que outras seis histórias foram criadas, trabalhando gêneros variados como romance, aventura e comédia. Vale lembrar que a escolha dos temas foi mérito da primeira turma, que criou os argumentos por conta própria, sem minha interferência.
Um desses argumentos me chamou bastante a atenção. Chama-se "A guria que tinha medo".
É a história de uma menina que tinha medo de ficar sozinha e também sentia uma desconfiança geral e desmedida dos seus amigos. Um certo dia, ficando a sós em casa, sentiu medo. Depois viu que o temor passava ao ligar o rádio e que, de certa forma, ao ouvir os passarinhos cantando lá fora ela não estava mais sozinha. Ao se dar conta disso, ela passou a viver em harmonia com seus amigos, sem desconfianças.
É uma história sobre aprendizado, com fundo psicológico. Isso mostra na prática que os quadrinhos são uma linguagem e que, portanto, servem para contar as mais variadas histórias, não importa o grau de complexidade e o tema.
Atividade crítica
Me interessava bastante, fora de simplesmente fazer trabalhos separados com cada turma, que houvesse uma reflexão sobre o processo coletivo de fazer uma HQ - reflexão sobre valores como confiança em si mesmo e no próximo, respeito pelo colega , espírito de grupo e solidariedade - e também sobre o uso da linguagem dos quadrinhos e do trabalho com narrativas em geral. Também buscava um incentivo à criação artística, mostrando aos alunos que, agindo de maneira organizada e unindo forças, eles podem criar e se expressar. Em quadrinhos, principalmente.
Eu tinha esse objetivo mas não sabia se o cumpriria. Precisaria de mais tempo, de mais discussão, de continuidade. Em todo caso, registrei em vídeo o momento em que alunos do grupo que fez um dos argumentos via agora a HQ pronta, publicada no mural da escola. A reação me parece muito rica.
É isso. Mais do que refletir aqui sobre a minha experiência com essas oficinas (sim, porque este post e os outros que o precederam têm essa função, e eu não me ressabio nem um pouco com isso - ao contrário, até me encho de orgulho!), penso que relatar essa experiência pode servir para outras reflexões e aprendizados, não só meus. Aliás, publico este post até mesmo para refletir e aprender mais, com novos olhares e leituras sobre essas experiências. Além de esperar ouvir retornos sobre as suas próprias!
Bem, é isso!
sexta-feira, julho 25, 2008
Mais sobre as oficinas
Trouxe para os alunos exemplos de HQs que fogem do esquema "personagens infantis" e "super-heróis". Não desmerecendo esse tipo de gibi, claro, apenas dando mais opções aos alunos. Quer dizer, mostrando a eles que há toda uma possibilidade de obras no formato de quadrinhos atendendo a todos os gostos, interesses, culturas, idades e sexos.
Nas fotos abaixo, por exemplo, as crianças folheiam as reportagens em quadrinhos do mundialmente reconhecido Joe Sacco; as histórias estilo rock'n'roll das cariocas Mosh! e Jukebox; a HQ Estórias Gerais, que retrata o sertão mineiro; e uma porção de trabalhos da Turma do Xaxado. Também apresentei a eles a forte e complexa Maus, em que o autor Art Spiegelman conta como seus pais sobreviveram ao Holocausto; as teorizações em/sobre quadrinhos de Scott McCloud; os contos em quadrinhos de grande profundidade da revista mineira Graffiti; e a adaptação para quadrinhos do romance de Alcy Cheuiche sobre o índio Sepé Tiaraju, um herói da história do Rio Grando do Sul; dentre outros.
Essa foi uma parte do trabalho, cujo objetivo foi o de ampliar o leque de possibilidades de leituras de quadrinhos para os alunos. Os professores, que não conheciam a maioria das obras, também foram atingidos pela idéia e ao fim planejavam modos de usar esses quadrinhos em sala de aula.
A outra etapa foi uma "discussão prática" sobre a linguagem dos quadrinhos. Em suma, incentivei os alunos a criar HQs coletivamente, simulando um estúdio. Como ministrei a oficina em quatro turmas, deixei cada uma delas encarregada de uma parte do processo. Aqui aparecem as três primeiras, no quadro negro:
Explicando melhor. A primeira turma que visitei foi dividida em sete grupos. Cada um desses grupos criou um ARGUMENTO para uma história em quadrinhos. A turma seguinte foi novamente dividida em sete grupos, que fizeram o DESENHO DAS PERSONAGENS que apareciam nos argumentos anteriores. Ou seja, essa segunda turma deu andamento ao trabalho da primeira.
Na terceira turma, os argumentos e os desenhos das personagens foram transformados em QUADRINHOS. Um processo difícil, já que envolve muitas questões da linguagem dos quadrinhos ao mesmo tempo, mas acabou dando certo. À quarta turma coube o trabalho com CORES/ARTE-FINAL. Ou seja, o fechamento das HQs. Essa quarta fase não está escrita no quadro-negro justamente porque no momento da foto eu estava falando sobre ela para os alunos.
Depois dessa explicação toda, fotos da prática:
quinta-feira, julho 24, 2008
Oficinas
E nesta semana estou envolvido com atividades de quadrinhos. Ontem, por exemplo, estive na escola Valentim Bastianello, no município de Dilermando de Aguiar/RS, ministrando oficinas de HQ para crianças de 5ª e 6ª série. Algumas fotos:
Já hoje estive na cidade de Tupanciretã/RS, interagindo com alunos de 5ª a 8ª série da escola Alexandrina Soares de Barcelos. No fim, distribuí revistinhas da Turma do Xaxado entre os pequenos, das séries iniciais e da pré-escola.
domingo, julho 13, 2008
Quadrinhos e emergência
A história em quadrinhos está disponível aqui!
Para quem ainda não conhece, a Continuum é uma publicação mensal do Itaú Cultural, distribuída por mailing e disponível também na sede na Av. Paulista, em São Paulo. A edição impressa é publicada integralmente no site do Itaú Cultural, acrescida de matérias feitas exclusivas para a internet. Veja aqui! Cada edição tem um recorte temático diferente.
terça-feira, julho 08, 2008
Saindo da seca prum manancial...
Pois o Jô tirou o primeiro lugar no concurso “Seca e Água”, da Turquia. Detalhes você tem cutucando aqui.
Já o cartum, você vê aqui:

Independente do prêmio internacional, Jô demonstra visão de futuro já há pelo menos dois anos, quando desenhou a marca deste humilde blog. Ehehehe.
Pena que eu não tenho um troféu nem premiação em dinheiro para entregar...
quarta-feira, julho 02, 2008
Heróis da publicidade
Se bem que "super-heróis" sempre vai remeter à palavra "quadrinhos", nénão?!
Ah, a publicidade do Axe é merschandising gratuito, viu! É que o vídeo é realmente criativo, além de apresentar as onomatopéias de um jeito diferenciado. Vale a pena assistir!
Do tempo da internet a carvão...
Um pouco, mas não muito. Pois este vídeo mostra o modo como eram feitos livros em 1947:
Seria igualmente interessante saber como era o processo antigo de publicar HQs.
terça-feira, julho 01, 2008
Penso, logo visito!
Veja especialmente a citação da Alegoria da Caverna de Platão numa HQ de Maurício de Souza, cutucando aqui!
E veja também um trecho da versão em quadrinhos do pensamento de Descartes, cutucando aqui! Esse trabalho é de autoria do Paulo e do Walter.
É isso. Acho que o blog se recomenda por si mesmo, não?
Não pense duas vezes, vá já visitá-lo!
