domingo, setembro 28, 2008

Os 24% que faltavam...

Que agradável surpresa tive há pouco. Navegando pela internet adentro, fui parar no site da revista mineira Graffiti. Lembra? O cabruuum não tinha ainda um ano de cibervida quando falei dela aqui. Na ocasião, só pude falar por cima sobre cada uma das histórias em quadrinhos que li, e foi pouco para explicar minha admiração. Nunca é demais dizer, essa foi a primeira revista que me fez ver o quanto quadrinhos é uma linguagem tão madura e com tantos regramentos próprios quanto literatura ou música, por exemplo. Em suma, quadrinhos, enquanto linguagem, não precisa falar apenas de personagens infantis e super-heróis. Mas como mostrar isso?


Pois agora posso. O site da revista disponibiliza uma das histórias que me encantaram. Chama-se Transmutações Políticas. Deleite-se com os detalhes ou com o todo cutucando aqui!

quarta-feira, setembro 24, 2008

Alienista mais ligeiro que jabuti


"HQ leva o Jabuti de melhor livro escolar
Adaptação de 'O alienista' é assinada por Fabio Moon e Gabriel Bá. Quadrinho desbancou livros didáticos de história e geografia do Brasil." [leia mais]

Comics

Perambulando por bancas de jornais adentro e folheando descaradamente sem pagar tudo que encontrava nas prateleiras, dei de cara com uma matéria da revista Spotlight sobre graphic novel. Infelizmente, o site só permite ler as primeiras duas páginas, em pdf. Cutuque aqui!

A matéria me pareceu bem correta, sem aquele ar adolescente que se costuma dar quando se escreve sobre quadrinhos. Pena que é em inglês.

quarta-feira, setembro 17, 2008

E o 50° lugar vai para...

Revistas adoram listas, talvez porque rime. A Empire, revista que é, fez uma também, e de algo bem discutível e quase impossível de mensurar, como os 50 maiores personagens de quadrinhos. Cutuque aqui!

Quem me avisou foi o amigo e colega Léo Foletto, do CenaBeatnik.

sexta-feira, setembro 12, 2008

O Papa era para ser pop

Tive esta semana o primeiro contato com o trabalho de um cartunista alemão, ao ler o livro "Nun - das will ich mal gelten lassen", de Martin Perscheid. O título assusta um pouco, porque o idioma por si é assustador. Mas na verdade são charges muito simples, com um humor sutil sobre coisas do cotidiano. Claro, isso não diz nada sobre o livro. E não adianta eu lincar para o site do autor, porque, embora você consiga achar os links fáceis por lá, o texto é em alemão. A wikipedia de Perscheid, em inglês, ajuda, mas não resolve. Bem, um exemplo (mal e porcamente traduzido por mim depois) é melhor:


Na pedra, está escrito: "XI - você deve ter prazer no sexo."
O Papa pensa: "Bosta!"
A legenda diz: "O Papa encontra o décimo-primeiro mandamento."

domingo, setembro 07, 2008

Quem disse que fácil seria?

Faz tempo que estou pra lincar aqui uma entrevista fundamental com o jornalista de quadrinhos Gonçalo Junior. Digo "fundamental" porque fala verdadeiramente e com sinceridade da dura vida de quem desenvolve um trabalho sério na área, tocando nos principais problemas que se enfrenta. É isso, por mais que se escolha trabalhar com o que se gosta, sempre haverá complicações.

Eis o link!

Quem me avisou da entrevista foi o companheiro de blogosfera Marcelo Engster, do Quadrinhólatra.

quarta-feira, setembro 03, 2008

A união faz a força

Coisa boa quando a gente acha um ponto de encontro entre dois projetos aparentemente distantes! Pois consegui emplacar uma pauta sobre quadrinhos no Fiz + Sotaques (cutuque no link sobre o nome para saber mais), programa de webjornalismo do Fiz TV, webtv do Grupo Abril. Participo do projeto com jornalistas de outros estados. Nenhum deles estava acostumado a esse olhar sério sobre quadrinhos, mas toparam o desafio. O resultado, com erros e acertos, você assiste aqui:



São dois blocos. Assista agora ao segundo:

segunda-feira, agosto 25, 2008

Entretenimento interessante (na Suíça)

"Museu suíço mostra 'esqueletos' de personagens de HQ
Por Marcelo Crescenti, para a BBC Brasil
Uma exposição no Museu de História Natural da Basiléia, na Suíça, mostra como seriam os esqueletos de vários personagens de quadrinhos e desenhos animados se eles realmente fossem seres vivos." [leia mais]

sexta-feira, agosto 22, 2008

Sacanagem das boas!

Antes de chegar na Alemanha, fiquei dois dias em Amsterdam. É claro que visitei o Red Light District, embora não tenha usufuido dos serviços de lá. Na verdade, o único dinheiro que gastei no famoso bairro de prostituição da capital holandesa foi pra entrar no Erotic Museum.

Minha vida pessoal nada importaria aqui se eu não tivesse encontrado, nesse museu sobre a história mundial do erotismo, os quadrinhos da personagem Sjef van Oekel, de Theo van den Boogaard. Se você se interessa por HQs eróticos (isso é totalmente válido) e tem mais de 18 anos, cutuque aqui para conhecer o autor! Na verdade, o link vai dar numa excelente reportagem do Universo HQ sobre quadrinhos holandeses.

Também visitei em Amsterdam o Van Gogh Museum e o Rijksmuseum. Neste último, vi obras de Rembrandt, dentre outros. A tela de um artista me chamou a atenção, pois numa olhada de longe me fez lembrar um quadro de HQ. Esta tela:





É do século 17!

Cutucando aqui, você tem detalhes sobre a tela. Já este link vai dar na wikipedia do autor, em inglês.

Entrevista

Saiu uma entrevista comigo no site Impulso HQ, sobre as oficinas que fiz no interior do Rio Grande do Sul. Se você se interessar, cutuque aqui!

Usei um computador da Alemanha pra responder o e-mail, nao repare nos erros. Aliás, "nao", sem til, porque falta esse acento aqui no teclado. Poderia usar no lugar um ß. Que tal? Ou talvez um Ü. Ou um Ä. Ou Ö.

Bem, vale ressaltar que o site Impulso HQ é altamente recomendável.

sábado, agosto 02, 2008

Mudança de endereço

A partir desta quarta-feira, 6 de agosto, o cabruuum passará a ser atualizado de outro endereço. Mas não endereço eletrônico, porque o link para chegar até aqui continuará sendo o mesmo, o muito difícil de soletrar www.cabruuum.blogspot.com.

A mudança de endereço a que me refiro é a minha. Pois na terça-feira embarco para Amsterdan, na minha primeira incursão à Europa. Fico dois dias na capital holandesa, depois vou de trem para a Alemanha. Morarei 12 meses lá, numa pequena cidade chamada Haselünne (próxima à fronteira com a Holanda, ao norte). Em princípio, em agosto de 2009 estarei de volta ao Brasil.

Obviamente este humilde blog continuará na ativa. Escreverei de lá, dentro do possível divulgando e refletindo sobre os quadrinhos alemães. E as coisas do Brasil também terão seu lugar, claro.

Mas um alerta: em função da etapa inicial de adaptação, não estranhe se não houver posts nas próximas semanas. Assim que me estabilizar por lá, voltarei com tudo, do mesmo modo que mantenho o blog aqui do Brasil.

De qualquer forma, enquanto isso você tem uma porção de posts para ler e reler. Principalmente os últimos, sobre as oficinas de HQ.

Bem, está avisado! Até breve!

Auf wiedersehen!

segunda-feira, julho 28, 2008

Agora o passo-a-passo

Como prometido, escrevo agora sobre o passo-a-passo da atividade de produção coletiva de HQs, que propus durante a oficina de quadrinhos que ministrei na escola Valentim Bastianello, no município de Dilermando de Aguiar/RS. Estive em turmas de quinta e sexta série, e em cada uma delas falei sobre uma etapa específica do processo de criação de uma história em quadrinhos, a citar: ARGUMENTO, DESENHO DE PERSONAGENS, QUADRINHOS e CORES/ARTE-FINAL. Poderiam ser mais fases, claro, mas separei em quatro porque foi o número de turmas que visitei.

Vou pegar uma das histórias criadas e explicitar as etapas da criação.

1. ARGUMENTO



"Homem-Sereia e Mexilhãozinho [diminutivo de "mexilhão"] são dois heróis, têm 20 anos. Eles estavam salvando a cidade de Eucaliptos do malvado Plankton. Eles lutaram e salvaram a cidade de Eucaliptos. Ficaram descansando em suas poltronas até terem que salvar a cidade outra vez. Observação: o malvado Plankton queria cortar os eucaliptos."

A maioria dos argumentos criados na primeira turma retratava uma história corriqueira, sem nenhum conflito nem transformação das personagens. Nesses casos, eu mostrava isso aos alunos (numa linguagem acessível, adequada à faixa etária) e perguntava a eles se não seria melhor haver uma situação nova, que apresentasse uma mudança em comparação com a situação inicial. No caso das "Aventuras de Homem-Sereia e Mexilhãozinho", o aspecto humorísitco do "ficaram descansando em suas poltronas até terem que salvar a cidade outra vez" supera qualquer ausência de conflito. Apenas sugeri que os alunos explicassem que tipo de risco o vilão Plankton oferecia à cidade de Eucaliptos. Os meninos mesmos tiveram a idéia e escreveram a observação ao fim do argumento.

2. DESENHO DAS PERSONAGENS

Se a outra turma estava lidando com fundamentos de narrativa, a turma responsável pela segunda etapa do processo de criação coletiva da HQ trabalhava agora com imaginação, visualização. Os alunos tiveram que desenhar as personagens citadas nos argumentos. Para isso, além do ato de tirar a história do papel, era necessário uma visão do conjunto, de modo a não prejudicar o trabalho de quadrinização da turma seguinte.

No grupo que pegou a história das "Aventuras", uma menina chegou muito facilmente à forma da personagem Homem-Sereia:




O desenho mais difícil talvez fosse da personagem "Mexilhãozinho", mas a tarefa caiu nas mãos de uma menina criativa:




As tarefas foram divididas expontaneamente dentro do grupo, e a terceira menina ficou com a incumbência de desenhar o vilão Plankton. Houve várias tentativas e certas dificuldades, mas ao fim se chegou a este resultado:


3. QUADRINHOS

Não havia dúvida de que o processo de quadrinização - ou seja, pegar o argumento e os desenhos das personagens, juntá-los e transformar tudo isso numa ou mais páginas de história em quadrinhos - seria a etapa mais difícil (apesar de também a mais prazerosa). Agora os alunos tinham de acionar o pensamento imagético e também lidar com elementos de estrutura narrativa, alguns específicos da linguagem dos quadrinhos.

Tendo já cumprido metade dos encontros que me propus a fazer nessa escola e sabendo que até aquele momento a produção coletiva das HQs estava dando certo, temi que agora as coisas desandariam. Decidi dedicar mais tempo à atividade prática, portanto, ainda assim preparado para que o processo fosse interrompido ali. Para minha surpresa, deu tudo certo.

A primeira página das "Aventuras" começou a tomar forma assim:



E a segunda página:



Agora uma visão geral do grupo responsável por quadrinizar as "Aventuras", para ver como se subdividiam as tarefas entre eles:



O menino que lê

Pausa.

Pausa para falar desses pequenos grandes retornos que recebemos e que valem toda a dedicação que empenhamos.

A foto abaixo mostra um menino da quinta série lendo um livro da Turma do Xaxado.



Até aí, uma foto normal. Mas só se ignorarmos o fato de que esse menino absolutamente ODIAVA LER. Fiquei sabendo disso por intermédio dos professores, que inclusive tiraram a foto para registrar o momento único.

E não foi uma leitura casual. O grupo do qual esse menino participava já havia terminado a HQ, então ele me perguntou se podia pegar um dos livros que estavam na mesa dos professores, onde pus o material que trouxe. Enquanto os outros grupos trabalhavam, o menino se concentrava na leitura.

4. CORES/ARTE-FINAL

A última parte do processo de construção coletiva da HQ era relativamente mais simples, mas de suma importância. Os alunos não só tinham de marcar com caneta esferográfica e canetinha os traços dos desenhos e dos quadrinhos feitos pela terceira turma, além de pintá-los; era ainda um trabalho de revisão. Afinal, essa era a quarta e também a última turma a mexer com a HQ antes de ela ser publicada no mural da escola. Uma grande responsabilidade, portanto, já que havia problemas de falta de clareza e desenhos inacabados para resolver, antes de a história ir a público.

Deu tudo certo e, no fim, a HQ "Aventuras de Homem-Sereia e Mexilhãozinho" ficou assim:





Outras histórias

Usei o exemplo de "Aventuras" para construir um passo-a-passo porque as imagens estão boas e também porque ela constitui uma boa amostra do que surgiu na oficina, em termos de idéias e desenhos. É importante, porém, mencionar que outras seis histórias foram criadas, trabalhando gêneros variados como romance, aventura e comédia. Vale lembrar que a escolha dos temas foi mérito da primeira turma, que criou os argumentos por conta própria, sem minha interferência.

Um desses argumentos me chamou bastante a atenção. Chama-se "A guria que tinha medo".


É a história de uma menina que tinha medo de ficar sozinha e também sentia uma desconfiança geral e desmedida dos seus amigos. Um certo dia, ficando a sós em casa, sentiu medo. Depois viu que o temor passava ao ligar o rádio e que, de certa forma, ao ouvir os passarinhos cantando lá fora ela não estava mais sozinha. Ao se dar conta disso, ela passou a viver em harmonia com seus amigos, sem desconfianças.

É uma história sobre aprendizado, com fundo psicológico. Isso mostra na prática que os quadrinhos são uma linguagem e que, portanto, servem para contar as mais variadas histórias, não importa o grau de complexidade e o tema.

Atividade crítica

Me interessava bastante, fora de simplesmente fazer trabalhos separados com cada turma, que houvesse uma reflexão sobre o processo coletivo de fazer uma HQ - reflexão sobre valores como confiança em si mesmo e no próximo, respeito pelo colega , espírito de grupo e solidariedade - e também sobre o uso da linguagem dos quadrinhos e do trabalho com narrativas em geral. Também buscava um incentivo à criação artística, mostrando aos alunos que, agindo de maneira organizada e unindo forças, eles podem criar e se expressar. Em quadrinhos, principalmente.

Eu tinha esse objetivo mas não sabia se o cumpriria. Precisaria de mais tempo, de mais discussão, de continuidade. Em todo caso, registrei em vídeo o momento em que alunos do grupo que fez um dos argumentos via agora a HQ pronta, publicada no mural da escola. A reação me parece muito rica.



É isso. Mais do que refletir aqui sobre a minha experiência com essas oficinas (sim, porque este post e os outros que o precederam têm essa função, e eu não me ressabio nem um pouco com isso - ao contrário, até me encho de orgulho!), penso que relatar essa experiência pode servir para outras reflexões e aprendizados, não só meus. Aliás, publico este post até mesmo para refletir e aprender mais, com novos olhares e leituras sobre essas experiências. Além de esperar ouvir retornos sobre as suas próprias!

Bem, é isso!

sexta-feira, julho 25, 2008

Mais sobre as oficinas

Hoje voltei a Dilermando de Aguiar/RS e ministrei a oficina de quadrinhos para mais duas turmas, uma de 5ª e outra de 6ª série.

Trouxe para os alunos exemplos de HQs que fogem do esquema "personagens infantis" e "super-heróis". Não desmerecendo esse tipo de gibi, claro, apenas dando mais opções aos alunos. Quer dizer, mostrando a eles que há toda uma possibilidade de obras no formato de quadrinhos atendendo a todos os gostos, interesses, culturas, idades e sexos.

Nas fotos abaixo, por exemplo, as crianças folheiam as reportagens em quadrinhos do mundialmente reconhecido Joe Sacco; as histórias estilo rock'n'roll das cariocas Mosh! e Jukebox; a HQ Estórias Gerais, que retrata o sertão mineiro; e uma porção de trabalhos da Turma do Xaxado. Também apresentei a eles a forte e complexa Maus, em que o autor Art Spiegelman conta como seus pais sobreviveram ao Holocausto; as teorizações em/sobre quadrinhos de Scott McCloud; os contos em quadrinhos de grande profundidade da revista mineira Graffiti; e a adaptação para quadrinhos do romance de Alcy Cheuiche sobre o índio Sepé Tiaraju, um herói da história do Rio Grando do Sul; dentre outros.


Essa foi uma parte do trabalho, cujo objetivo foi o de ampliar o leque de possibilidades de leituras de quadrinhos para os alunos. Os professores, que não conheciam a maioria das obras, também foram atingidos pela idéia e ao fim planejavam modos de usar esses quadrinhos em sala de aula.

A outra etapa foi uma "discussão prática" sobre a linguagem dos quadrinhos. Em suma, incentivei os alunos a criar HQs coletivamente, simulando um estúdio. Como ministrei a oficina em quatro turmas, deixei cada uma delas encarregada de uma parte do processo. Aqui aparecem as três primeiras, no quadro negro:


Explicando melhor. A primeira turma que visitei foi dividida em sete grupos. Cada um desses grupos criou um ARGUMENTO para uma história em quadrinhos. A turma seguinte foi novamente dividida em sete grupos, que fizeram o DESENHO DAS PERSONAGENS que apareciam nos argumentos anteriores. Ou seja, essa segunda turma deu andamento ao trabalho da primeira.

Na terceira turma, os argumentos e os desenhos das personagens foram transformados em QUADRINHOS. Um processo difícil, já que envolve muitas questões da linguagem dos quadrinhos ao mesmo tempo, mas acabou dando certo. À quarta turma coube o trabalho com CORES/ARTE-FINAL. Ou seja, o fechamento das HQs. Essa quarta fase não está escrita no quadro-negro justamente porque no momento da foto eu estava falando sobre ela para os alunos.

Depois dessa explicação toda, fotos da prática:








Em breve, pego uma das sete histórias criadas e publico aqui o passo-a-passo dela.

quinta-feira, julho 24, 2008

Oficinas

Passei alguns dias sem postar neste humilde blog. Estava de mudança, de Porto Alegre/RS de volta a Santa Maria/RS. Fiquei sem computador em casa.

E nesta semana estou envolvido com atividades de quadrinhos. Ontem, por exemplo, estive na escola Valentim Bastianello, no município de Dilermando de Aguiar/RS, ministrando oficinas de HQ para crianças de 5ª e 6ª série. Algumas fotos:





Já hoje estive na cidade de Tupanciretã/RS, interagindo com alunos de 5ª a 8ª série da escola Alexandrina Soares de Barcelos. No fim, distribuí revistinhas da Turma do Xaxado entre os pequenos, das séries iniciais e da pré-escola.






Amanhã volto a Dilermando de Aguiar, onde vou ministrar mais duas oficinas. Não usarei o mesmo blusão vermelho. Eheheheh.

Em breve, publico aqui detalhes e reflexões sobre essas experiências no interior do Rio Grande do Sul. Hoje é só para registrar mesmo.

domingo, julho 13, 2008

Quadrinhos e emergência

A revista Continuum, do Itaú Cultural, publicou este mês uma história em quadrinhos de Júlio Brilha sobre o tema "emergência". Trata-se do conceito que explicita a idéia de sistemas complexos surgidos a partir de regras simples - como um jogo de xadrez, que tem ordens básicas regulando o movimento de cada peça, mas que resulta em partidas complexas.

A história em quadrinhos está disponível aqui!

Para quem ainda não conhece, a Continuum é uma publicação mensal do Itaú Cultural, distribuída por mailing e disponível também na sede na Av. Paulista, em São Paulo. A edição impressa é publicada integralmente no site do Itaú Cultural, acrescida de matérias feitas exclusivas para a internet. Veja aqui! Cada edição tem um recorte temático diferente.

terça-feira, julho 08, 2008

Saindo da seca prum manancial...

O cartunista Jô X, criador voluntário e não-remunerado da marca do cabruuum que você vê no topo desta página, acaba de ganhar seu primeiro prêmio. E internacional, ainda por cima.

Pois o Jô tirou o primeiro lugar no concurso “Seca e Água”, da Turquia. Detalhes você tem cutucando aqui.

Já o cartum, você vê aqui:



Independente do prêmio internacional, Jô demonstra visão de futuro já há pelo menos dois anos, quando desenhou a marca deste humilde blog. Ehehehe.

Pena que eu não tenho um troféu nem premiação em dinheiro para entregar...

quarta-feira, julho 02, 2008

Heróis da publicidade

Se é pra fugir do tema, então vamos fugir mesmo!



Se bem que "super-heróis" sempre vai remeter à palavra "quadrinhos", nénão?!

Ah, a publicidade do Axe é merschandising gratuito, viu! É que o vídeo é realmente criativo, além de apresentar as onomatopéias de um jeito diferenciado. Vale a pena assistir!

Do tempo da internet a carvão...

Permita-me fugir um pouco do enfoque deste blog!

Um pouco, mas não muito. Pois este vídeo mostra o modo como eram feitos livros em 1947:




Seria igualmente interessante saber como era o processo antigo de publicar HQs.

terça-feira, julho 01, 2008

Penso, logo visito!

Antes de mais nada, veja isto! É o blog Filosofia em Quadrinhos, de Paulo Quaresma Neto e Walter Paiva.

Veja especialmente a citação da Alegoria da Caverna de Platão numa HQ de Maurício de Souza, cutucando aqui!

E veja também um trecho da versão em quadrinhos do pensamento de Descartes, cutucando aqui! Esse trabalho é de autoria do Paulo e do Walter.

É isso. Acho que o blog se recomenda por si mesmo, não?

Não pense duas vezes, vá já visitá-lo!

sexta-feira, junho 27, 2008

Quadrinhos adultos para crianças

O campo de atuação para um adulto que quer trabalhar profissionalmente com quadrinhos é amplo e variado. Feliz é quem cedo descobre isso e vive as maravilhas não ligadas exatamente ao trabalho de produzir uma HQ. Quer dizer, se você não desenha nem roteiriza, nem por isso precisa deixar de fazer parte desse meio. Se por acaso você desenha/roteiriza, pode além disso ter sua experiência enriquecida atuando em outras funções.

Acredito que a realização se dá justamente em poder atuar de diversos modos dentro de um único campo, economizando energia (pois trabalhar em áreas distintas é muito desgastante) e ao mesmo tempo desenvolvendo habilidades pessoais diversas.

Alguns exemplos de como alguém pode se relacionar com os quadrinhos:

* Escrevendo roteiros - isso envolve o aprimoramento de habilidades narrativas e muito estudo de teorias literárias. É ótimo para quem gosta de falar sobre coisas humanas para seres humanos, para quem sente vontade de registrar suas observações sobre a vida de forma a que os outros também se interessem por ler.

* Desenhando - pegar uma idéia e transformá-la em imagens, com os simbolismos e as regras específicas desse pensamento visual aplicado à narrativa de quadrinhos. Fazer uma narrativa visual bem feita não é para qualquer um, envolve muito estudo, disciplina e amadurecimento. É ideal para quem visualiza cenas, imagens e símbolos não verbais para tudo que pensa. Claro que isso também pode ser desenvolvido, você não precisa necessariamente nascer com essa facilidade.

* Pesquisando - um trabalho fundamental, como forma de construir, consolidar e ampliar conhecimento na área, seja em estudos de narrativa, seja em estudos culturais, seja em estudos de ideologia. No fim, todos os outros profissionais dos quadrinhos vão se voltar para o trabalho de pesquisa, principalmente como forma de consulta e aprendizado.

* Criticando - essa é, disparada, a tarefa mais ingrata. O crítico, por mais que procure ser prudente, por mais que pese toda a responsabilidade que sua crítica pode ter na formação do artista e se preocupe em apontar as falhas e destacar os méritos da obra, ainda assim está sujeito a ser mal compreendido. Nada mais natural, em se tratando de algo que envolve tanto investimento afetivo por parte do autor. É assim que entendo a tal da "vaidade" autoral: algo saudável, sim, porque o artista precisa se envolver emocionalmente com a obra que produz. Só vira doentio quando a crítica é mal interpretada, despertando fúrias, o que não era a intenção do crítico (por que raios ele "falaria mal" só por falar? por que raios o crítico quereria mal ao artista?) Enfim, fazer crítica é uma função muito fundamental do campo, porque ajuda a compreender obras mais complicadas e aponta caminhos para aqueles artistas que ainda não dominam determinada linguagem narrativa. Mas dificilmente o artista entenderá assim. E não estranhe se ele levar para o lado pessoal...

* Comercializando - sim, quem tem habilidades de empreendedorismo e gosta disso pode continuar em contato com quadrinhos e ainda assim visar ao lucro. Como? Criando uma loja especializada em quadrinhos, por exemplo. Lojas assim são necessárias porque atendem a todos: artistas, críticos, pesquisadores...

* Formando público - talvez o trabalho mais gratificante. E é aí que quero chegar, é esse o motivo de existir este post.

Pois hoje estive no Colégio de Aplicação da UFRGS ministrando uma oficina de quadrinhos para alunos de sétima e oitava série. Foram na verdade duas oficinas, abrangendo 90 alunos no total. Cada oficina foi separada em dois módulos, o primeiro abordando as possibilidades de uso pedagógico dos quadrinhos e o estudo de elementos dessa linguagem, e o segundo focando em exemplos de quadrinhos que ultrapassam (e de longe) a barreira dos "quadrinhos para crianças". Claro que na prática foi algo bem mais divertido do que essa nomenclatura toda.

Foi um trabalho de formação de público. E foi riquíssimo, tanto para os alunos quanto para mim. A coisa toda aconteceu numa bagunça que só vendo (e é assim mesmo que acontece, me disseram as professoras). As crianças interrompiam, faziam perguntas, cochichavam, comentavam e na maior parte das vezes chegavam sozinhas e rapidamente às conclusões que eu queria conduzi-las. Chegavam lá antes mesmo de eu completar meu raciocínio. Às vezes, até tive que deixar elas falarem e só ajudar com pequenas observações. Outras vezes nem isso. E em alguns momentos a troca foi tão doida que os alunos acabaram me fazendo ver coisas que até então eu não tinha visto. Em suma, construímos conhecimento juntos.

E isso é impagável.

Eu já havia dado oficinas de quadrinhos para colegas universitários (do tempo que eu ainda era um) de outros cursos, não só das ciências humanas. Já havia palestrado sobre algumas das principais idéias dos quadrinhos para artistas plásticos e professores dessa área. Sempre é legal. Mas para crianças, nossa!, é ainda mais gratificante.

"Como se chama mesmo o nome dessa editora que publicou o 'Maus'?"

"A mãe do Calvin tá com cara de 'aff'' nessa tirinha."

"Eu leio mangá e eles são quase sempre em preto e branco!"

"A Mônica e o Cebolinha são desenhados com formas mais circulares, arredondadas!"

"Olha o desenho que eu fiz, 'sor'."

Claro que também tem aqueles que nem estão pra oficina, mas ainda assim é um trabalho riquíssimo. Mostrar para os alunos que existem quadrinhos maduros, que não são coisa só de criança, e alfabetizar esses alunos em elementos básicos de leitura visual é investir no amadurecimento do campo dos quadrinhos como um todo. Daí podem surgir, no futuro, pesquisadores, artistas (que terão acesso cedo a obras não muito acessíveis para quem não é da área), roteiristas, críticos (coitados!) e até mesmo leitores. Os superficiais, que terão ao menos despertado o interesse por essa linguagem; os mais atentos, que prestarão atenção aos detalhes; os de bom gosto, que contribuirão com o campo na medida em que passarão a exigir mais qualificação dos artistas; e os desinteressados, que no mínimo vão saber que quadrinhos são bem mais interessantes do que parecem.

Essa interação com as crianças é ainda mais rica para mim, quem sabe, do que é para elas. Recomendo a quem ainda não passou por essa experiência. Será bom para você, será bom para as crianças. Para o campo dos quadrinhos, nem se fala.

E para quem quer uma maior sensação de realização no trabalho com quadrinhos, marco uma idéia importante: não se restrinja a um papel estanque dentro do campo. Você pesquisa quadrinhos? Pois vá dar uma oficina também e veja o que acontece. Você tem uma loja de quadrinhos? Comece a estudar narrativas e escreva suas histórias, nem que seja só para você mesmo. Você já é autor? Comece a analisar obras também, pois isso aumentará sua visão crítica sobre o próprio trabalho.

De preferência, atue em três ou mais funções. Você se sentirá bem mais realizado.

***

As idéias que expus neste texto, só para deixar claro, não são mera opinião.

Em primeiro lugar, a metodologia usada na oficina foi pensada de acordo com a faixa etária dos alunos, de acordo com os interesses de leitura e as capacidades de compreensão da idade. A parte de alfabetização em leitura de imagens é baseada praticamente no livro "Desvendando os Quadrinhos", de Scott McCloud. Seria injusto, porém, dizer que todas as idéias partiram daí. Eu passei três anos pesquisando semiótica visual no Grupo Imagem, grupo de pesquisa com certificação do CNPQ orientado pelo professor Adair Caetano Peruzzolo, na UFSM. No Grupo Imagem, debatíamos idéias de Adonis A. Donis, Phillipe Dubois, Eliseo Véron, Jacques Aumont, Umberto Eco e outros. Referências mais precisas você tem aqui!

Também pesquisei sobre narrativas para o meu trabalho de conclusão de curso. Desde então, venho me aprofundando mais nessa área.

Sobre como obter satisfação pessoal e coisas do tipo... Não, essas idéias não são de livros do Paulo Coelho ou livros de auto-ajuda. Mas se fossem, também não seria problema. O importante é que sejam úteis. Caso, porém, você queira um embasamento maior sobre isso, a fonte precisa é o livro "First Things First", de Stephen Covey. Mais do que questões sobre como gerenciar melhor seu tempo, esse administrador fala no livro sobre como definir o que é realmente importante em sua vida, beneficiando até mesmo sua parte profissional (em conseqüência, não como fim). É um livro que ajuda você a pôr as coisas nos seus devidos lugares e ainda dá ótimas idéias sobre como se sentir mais satisfeito com as coisas que você faz, apenas mudando o modo de vê-las.

Outro dia posso resumir aqui as idéias principais desse texto. É importante, mesmo fugindo do tema "quadrinhos".

Bem, por hoje é "só".