segunda-feira, setembro 11, 2006

76% cem porcento

Está aqui na minha frente, ao lado do monitor, a revista mineira Graffiti (o slogan estampado na capa é "76% quadrinhos"). Eu soube que essa revista existe em dezembro, lá em São Paulo, por meio do jornalista Israel do Vale, que conhece a turma que faz o periódico. O Israel foi nosso editor no Laboratório de Jornalismo Cultural do programa Rumos, do Itaú Cultural.

Pois bem, passaram-se os meses, eu esqueci da pauta. No meio de julho, porém, numa banca montada no chão com panos esticados, lá em Floripa, durante a reunião anual da SBPC, encontrei a edição número 13 da Graffiti pra vender. Comprei.

Essa introdu-enrolação não é à toa, não. É pra explicar como a revista é de gabarito e, ao mesmo tempo, como é difícil encontrá-la. Tanto é que só posso deixar o link de um site que diz que tem pra vender, além da opção de compra pelo próprio site da Graffiti.

Outra coisa: eu geralmente me pego pensando em como abordar as pautas aqui no blog de um jeito diferente. Não diferente assim, só pra ser diferente mesmo, fazer um auê. É que há pautas que já são bem exploradas, já saíram nos principais veículos de HQ e, no meu ver, eu não tenho por que ficar repetindo tudo aqui. Daí mando o link; se você se interessar, vai lá e lê mais.

Hoje eu vou fazer bem isso. Eis o link pro site da Graffiti. Numa breve olhada, você já vai se dar conta que não é algo do além: quem faz a revista tem conteúdo, disso não há dúvida. Isso fica ainda mais evidente na leituras das histórias em quadrinhos: é certo que todos os quadrinistas têm uma formação (literária, principalmente) bem ampla. O difícil é mostrar isso pra você, sem a revista.

Mas a tenteada é livre. Daqui pra baixo, eu vou pegar história por história da Graffiti nº 13 e tentar ressaltar aquilo que eu percebi. Logicamente, é apenas o que eu pude perceber, não tudo o que pode ser percebido (e há casos, admito, em que ainda não tenho alfabetização o suficiente em leitura de imagens pra poder captar tudo que envolve a história). Também vou colocar breves ilustrações nos comentários, já que a minha amiga Angélica Lüersen se prestou hoje a brigar com pilhas e tomadas na tentativa de fazer sua máquina fotográfica digital funcionar e, assim, deixar este post muito mais bonito (pois, convenhamos, só os textos seriam um saco!) Enfim, lá vai:

"Agulha"
É uma mistura de colagem, desenho e texto. Nesse caso, a minha limitação falou mais alto: não saberia mais o que dizer. Mas o secretário da Grafar, Eugênio Neves, quando lhe mostrei a revista disse: "Que bela composição!"


[um pedaço da página]

"Metamoresia"
Uma bela história, muito bem desenhada, como todas as histórias da Graffiti (o que me chamou atenção foi o fato de essa alta qualidade gráfica estar associada à mesma altura de qualidade narrativa, em toda a revista). Metamoresia conta uma lenda (ou mito, não sei bem a diferença) ocorrida numa pequena aldeia. É uma história fantástica, que fala de poesia, amor, transformação. Interessante é o fato de o título aparecer somente na última página, bem diferente do que costuma acontecer na maioria das HQs. Nesse caso, essa ousadia casou perfeitamente com o teor da história.

[a última página - não há perigo, pelo estilo da história, de eu estragar tudo contando o final]


"A metamorfose do coração"
Na verdade, não é uma HQ, mas sim uma entrevista com o italiano Giuseppe Bagnariol, médico que tem uma visão bem metafísica, misturando noções de espiritualidade, sobre a medicina. É realmente muito interessante, mesmo que em algumas partes do texto você pense: "Isso eu não concordo!". O início me chamou a atenção, por falar da metamorfose como um símbolo da transformação do ser humano, tanto na literatura quanto na mitologia. Ao que parece, a entrevista representa os 24% da revista que não são quadrinhos. Então compensa!

"A morte do guarda-livros"
Quatro páginas, dois quadros em casa uma, com o texto-legenda embaixo. Lembra a tela de um cinema. O guarda-livros está datilografando, na máquina de escrever, seu testamento. O que escreve soa como um deboche à burocracia.

[um dos quadros que, isolado, parece meio depressivo]


"Esofromatem-a"
Uma paródia da famosa obra "A metamorfose", do Kafka (o título da HQ é justamente o nome do livro de trás pra frente). Em vez de acordar transformado em inseto, Gregor Samsa "encontrou-se em sua cama metamorfoseado num monstruoso ser humano". Ehehehe. Não há necessidade de dizer mais, né!

[Gregor acordando]


sem título
E praticamente sem palavras. Uma história muito colorida, que sabe explorar muito bem os recursos de produção de sentido no uso de cores. Bastante simbólica, também. Um mago coloca um relógio em seu caldeirão e tira um coração. Numa mesa de operações, o médico abre o tórax do paciente e se surpreende por encontrar lá um relógio, no lugar do miocárdio. O médico pega o objeto na mão e comenta: "Está partido!"

(O coração? O relógio? Os dois?)

Por quase não ter palavras, principalmente por isso, essa história te deixa pensando, pensando, pensando...

"Transmutações políticas"
A prova cabal das potencialidades da linguagem de histórias em quadrinhos. Cada quadro dessa história (que começa falando de coelhos e termina em Brasília, num enredo extremamente amarrado, uma obra exemplarmente aberta) faz referência a muitos conhecimentos prévios do leitor, faz ironias de alto nível e tem uma ousadia gráfica tão notável (e tudo isso está tão coeso) que manda pro beleléu qualquer noção de que história em quadrinhos é coisa pra criança. Você precisa de uma boa base para poder ler "Transmutações" e perceber as referências à psicologia, à literatura, à arquitetura... E tudo isso em somente quatro páginas!!! Confesso, fiquei realmente impressionado...!


[difícil achar um quadro que resuma tudo o que quero mostrar...]


sem título
Um conto em quadrinhos. Uma obra com clima, que reverbera depois de terminada. Enfim, literatura!

Os desenhos, lembrando xilogravura, são em preto e branco, cheio de penumbras. As narrações associam a um ritual antigo ("os jovens mostram respeito aos mais velhos", "o jovem guerreiro se banha no sangue da primeira presa") e alguns dos balões, num bela e criativa solução gráfica, são ilegíveis (pois, no contexto da história, realmente não importa o que está sendo dito pelo personagem, mas sim que ele está dizendo alguma coisa).


Um senhor está pintando uma moça em seu ateliê. No meio da história, o velho vai ajeitar um pano na modelo, nua: "Previsível como as lendas, o pano cai. O rei está nu. A fonte da vida está a um palmo. O cheiro da floresta úmida."


"O caminho de volta até minha poltrona é de kilômetros [sic]. E sou, de fato, enfim, um homem velho quando sento nela. Depois é tudo muito rápido. Uma história longa fácil de resumir. Namorado. Grávida. Dinheiro. Antigo como a terra."

Agora a frase que me significou muito: "Como sabemos que algo mudou e acabou?"

Aí a resposta: "Gestos. Sinais. Palavras. Símbolos. Oferendas."

Eu diria: poesia pura!!!

"Verdades tropicais"
Uma versão parodiosa da famosa história de um náufrago que vai parar em uma ilha de canibais. O que achei interessante é que o autor desenha o "bilau" e a "tcheca" dos personagens (afinal, todos nós temos nem que seja um desses órgãos, então por que não desenhá-los, hein?!?!). E ele faz isso dum jeito bem inocente, não pornográfico (você não achava que todos os personagens dos gibis não tinham sexo? Nunca mostravam, ora!!!).

"Film noir"
Uma porção de quadrinistas pra quem mostrei a Graffiti durante o 3º Cartucho, o Encontro de Cartunistas Gaúchos, olhou a capa da revista e disse: "É um desenho do Guazzelli!". O Guazzeli é gaúcho e bem conhecido. No caso da edição número 13 da Graffiti, a sua história bem surreal foi escolhida para terminar a revista e ser capa e contracapa da edição. Trata-se de um autor com estilo!



***

É isso. O que eu posso dizer, pra resumir, é que essa é a melhor revista de HQ que já tive em mãos. Justamente por eu há tempos acreditar que os quadrinhos têm um potencial artístico enorme que pode ser utilizado para passar mensagens profundas, complexas, como em grandes obras da literatura. A Graffiti, portanto, tirou isso do meu ideal e colocou em prática.

domingo, setembro 03, 2006

Bafafá no Amapá!

A notícia abaixo tem um pouco a ver com quadrinhos, principalmente pelo fato de tudo ter começado com um desenho. Depois, expande-se para questões políticas, jornalísticas, internéticas e censuréticas (ou censuratísticas; não faz diferença porque eu acabo de inventar a palavra. Eheheheh).

Já adianto que essas outras questões não interessam para este humilde post (embora, você deve ter notado, eu esteja me mordendo pra sair largando minhas opiniões).

Bem, não vou (me) enrolar (mais) nem tentar explicar com as minhas palavras. Eis o e-mail que recebi:


CRISE DA CARICATURA NO AMAPÁ

A proibição de uma caricatura com a palavra "XÔ", em que a letra "O" forma o rosto do candidato ao senado José Sarney, está provocando polêmica no Amapá. A caricatura, de autoria do desenhista Ronaldo Rony, foi pintada em um muro de Macapá e fotografada pelo jornalista Chico Bruno. A blogueira Alcilene Cavalcante viu a foto e resolveu publicar no seu blog.

José Sarney, que já havia tentando, sem sucesso, proibir o mecanismo de busca Google de incluir, em seus resultados, textos contrários a ele, processou Alcilene, pedindo indenização de 100 mil reais e a retirada do blog do ar. O blog foi censurado pelo provedor, mas a irmã da acionada, Alcinéa (que também havia sido processada por Sarney por causa de um comentário de um leitor), iniciou uma campanha entre os blogs amapaenses, que começaram a republicar a caricatura. Alguns desses blogs e sites também foram processados, mas receberam a adesão de outros blogs nacionais e internacionais. Atualmente mais de 120 blogs estampam a caricatura num protesto contra o que consideram censura. A lista dos blogs que entraram no movimento é publicada diariamente no blog de Alcinéa
.
O jornalista Marcelo Tas, apresentador do programa Saca-rolha (da TV Play), publicou a caricatura em seu blog e declarou voto à principal adversária de Sarney, Cristina Almeida.
Em Macapá várias pessoas começaram a estampar em camisteas a caricatura do senador. Desde então, o blog de Alcinéa tem sido representado diversas vezes por Sarney, com pedidos de indenização que já totalizam um milhão de reais. Num das últimas representações, o advogado (que é funcionário do Senado) chamou os blogueiros e jornalistas que trataram do assunto de "um bando de criminosos que usa a internet para cometer crimes".
O que começou com uma simples caricatura pintada em um muro pode se transformar na maior polêmica da vida política de Sarney no Amapá e o caso já está sendo chamado de a crise da caricatura, em referência às caricaturas de Maomé que provocaram protestos violentos por parte dos fundamentalistas mulçumanos.
***
Bueno, você já leu o texto, então agora eu dou alguns links pra você saber mais um pouco:
* Blog da Alcinéa - ela está comprando cada vez mais briga com Sarney: postou no blog outros desenhos tendo o candidato como tema e até puxou um texto em francês sobre o que está acontecendo no Amapá.
* Outro blog da Alcinéa - aí você confere mais tiros contra Sarney e também uma lista dos blogs que estão engrossando a campanha de protesto contra a decisão judiciária de tirar seus colegas blogs do ar.
* Blog do Tas - o jornalista vestiu a camiseta da campanha da Alcinéa. Inclusive colou o desenho que identifica a adesão (esse aí embaixo) no blog dele.
* Matéria do jornal Folha de São Paulo - o texto explica mil vezes melhor do que eu tudo o que aconteceu. É até covardia. O máximo que posso fazer é reproduzir um parágrafo que, percebo, apresenta sutilmente informações que podem embasar argumentos de ambos os lados dessa briga. Veja se você também os percebe. Lá vai: "Alcilene Cavalcante assessora a campanha do candidato ao governo João Capiberibe (PSB). O TRE-AP considerou, no entanto, nas decisões em que negou os pedidos contra o site de sua irmã Alcinéa, que os blogs fazem parte de uma 'rede de relacionamento totalmente facultativa e por isso fora do âmbito do direito eleitoral'".

segunda-feira, agosto 28, 2006

Cabruuum "Argh" News (mas nem tanto!)

Saiu o resultado do 33º Salão Internacional de Humor de Piracicaba. A notícia me chegou por meio desta página de jornal, escaneada e enviada por e-mail:

Note que há um cartum no canto superior esquerdo da página. É este aqui:


Bueno, era a ele que eu queria chegar: QUE CAR-TUM!!!

Não é à toa que ficou em 1º lugar nessa categoria. A autoria é de Makmudjon Eshonkulov, do Uzbequistão. O tema do desenho, discriminação racial, deve ser uma realidade bem presente na vida do cara.

Bom, eu queria destacar esse trabalho mesmo. Mas você pode saber um pouco mais sobre o Salão e ver mais algumas obras premiadas cutucando aqui (recomendo que você visite esse link, mesmo que não queira saber mais sobre o Salão - mais aí já é outro post...)!

segunda-feira, agosto 21, 2006

Deixei a torneira pingando...

Tentei, tentei e tentei postar ontem as imagens que o Pablo Mayer me mandou pra ilustrar o último post aqui do blog, mas, por falhas técnicas (não sei se minha ou do servidor), não consegui. Bueno, resolvi agora fazer uma postagem só com as imagens, então, e algumas legendinhas, pra elas não ficarem no ar. Lá vai:


[Um desenho do Pablo para o seu próprio blog, o Água da Torneira!]


[O gentil desenho do Pablo, especialmente feito para este humilde blog que vos fala!]



[O próprio Pablo, no momento em que, suponho, fazia um dos desenhos acima.]



[E o Pablo dando uma de peixe no aquário. Aquário esse enchido com água da torneira!]

domingo, agosto 20, 2006

Água de torneira é refresco (pros olhos)!

Por uma dessas coincidências interessantes, explicadas por qualquer cartomante diplomada, eu acabei topando com o blog Água da Torneira, do companheiro Pablo Mayer. É coincidência porque eu acabo de sair do Top 10 na categoria Quadrinhos do Coke Ring, o concurso de blogs da Coca-Cola, e o Pablo tá entrando. Bueno, eu resolvi clicar no blog dele e gostei do que vi. O cara é realmente muito bom!

Ele respondeu assim ao e-mail que lhe enviei: "Bem, tenho o blog desde o final do ano passado, acho que novembro. Foi a forma que eu achei de estar colocando meus trabalhos, tanto os publicados quanto os que não saem em nenhum lugar (aliás, principalmente os que não saem). Onde posso escrever livremente e tal... O nome vem de quando eu era muléque e jogava bola na rua com os amigos, batia aquela sede, corriamos na casa mais próxima e pediamos água... da torneira. Acho que a água da torneira é uma das coisas mais acessíveis pras pessoas. (Aqui no Brasil, não poderia dizer isso lá no Oriente Médio ou no Saara...). Enfim, é isso."

Portanto, o Pablo tem 20 anos, que nem eu, e começou o Água da Torneira em novembro do ano passado, assim como o CABRUUUM!!!!!!! O pai dele é artista plástico, a minha irmã também. Mas, enfim, não há necessidade de fazer uma reza, as coincidências praticamente acabam aí.

O guri é de Curitiba, está morando em Joinville e pretende fazer vestibular pra Jornalismo ou Artes Visuais no próximo ano (ou faz o mesmo curso que eu, ou o mesmo da minha irmã, eheheh). Está trabalhando para o jornal Gazeta de Joinville, fazendo ilustrações, charges, tiras e, vez que outra, alguma crônica.

Pablo gosta de literatura e, pela conversa que tive com ele via msn, tem um gosto apurado pra quadrinhos. Isso quer dizer que ele não lê qualquer coisa. Acredito que muito em função da base proporcionada pelos livros e pelas conversas com o pai.

O guri também é meio precoce. Mal fez 18 anos, começou a trabalhar numa produtora de vídeos. Diz que ele fez umas animações que tiveram muito sucesso na cidade. Hoje ele mantém também um zine, o Muco, com dois amigos (os três deviam tirar tatu do nariz juntos quando piás), pinta alguns muros e telas, colabora com revistas e zines por aí e gosta de jogar xadrez na praça, segundo me contou por e-mail.

Bueno, tá apresentada essa figuraça! Vá lá olhar o blog dele agora! E fique sabendo mais sobre a sua longa história de vida cutucando aqui (cutuque mesmo, vale uma porção de risadas)!

(Mas volte, por favor, volte...! Eheheh)

segunda-feira, agosto 14, 2006

Não esqueçam que havia vinho na Última Ceia...

Mais um registro visual do 3º Cartucho: os cartunistas gaúchos foram visitar uma vinícola aqui em Santa Maria e resolveram brincar de Santa Ceia (sabe, uma paródia ao quadro aquele do Da Vinci, "A Última Ceia"!). Não sei por quê, o dia estava tão claro lá fora, podiam brincar de pega-pega...

Bueno, eis a foto:


Alguém ficou bem faceiro e decidiu fazer uma moldura:


Nessa já não são tão nítidos os rostos de cada um, por fins artísticos. Mas, só pra registrar: o do meio, fazendo o papel de Jesus (depois do pecado) é o Byrata! Ehehehe. Que figuras!

Só pra comparar, resolvi colocar o original do Da Vinci aqui:

Agora, tomando um vinho, me ocorreu uma bobagem: prum cartunista, se é pra pecar, que seja, ao menos, um Pecado Original, né! Eheheh. Xô, plágio!

domingo, agosto 13, 2006

Post feito de retalhos

Uma das melhores coisas que fiz este ano (no quesito "quadrinhos", óbvio) foi entrar na lista de discussões da GRAFAR (Grafistas Associados do Rio Grande do Sul). Costumam surgir ótimas pautas daí. Infelizmente, não tenho como fazer uma postagem pra cada uma delas, que é bastante coisa. Mas hoje vou resumir quatro pautas em uma só:

Marco Aurélio no lugar do Fernandão
Se fosse pelo ponto de vista dos gremistas, bem que o cartunista Marco Aurélio poderia ser jogador do Inter. Pois ele publicou a seguinte charge no jornal Zero Hora, no último dia 9 de agosto:

A charge, como se pôde ver, associa o tumulto provocado por alguns torcedores do Grêmio durante o último Grenal, no estádio Beira-Rio, ao crime organizado. Isso revoltou pra valer alguns gremistas. Num site divulgado numa comunidade do orkut, inclusive há uma incitação para os torcedores cancelarem sua assinatura do jornal e usarem a grana para se associarem ao clube. Não sei se deu certo ou não a movimentação, mas é interessante pra se pensar no raio de alcance de uma charge...

Procura-se desenhos (com boa aparência)!

Pela GRAFAR, fiquei sabendo de uma nova ferramente de busca de desenhos, a Galeria Brasil, hospedada no portal Tupixel (cutuque aí no nome que você acha a Galeria). Diz o release: "O portal Tupixel é uma iniciativa de pesquisa, divulgação e coordenação de projetos para o desenvolvimento do desenho artístico brasileiro, desenvolvido desde 1998 pelo desenhista e designer Faoza Monteiro, colaboradores e simpatizantes da iniciativa. A Galeria disponibiliza os grandes mestres do desenho nacional, profissionais renomados e jovens iniciantes, de 1899 pra cá."

Qualquer um que (acha que) desenha pode ir lá e participar da Galeria. Basta mandar para o e-mail do Faoza (cutuque no nome dele ali em cima) dados como nome completo, pseudônimo, endereço de site, e-mail, fone (celular e fixo, com DDD), cidade e estado. E anexar o(s) desenho(s) no formato jpg, em baixa resolução (72 dpi), no tamanho 360 x 270 pixels.

O interessante é que no Tupixel também há uma Central de Tiras e um fórum de discussões, dentre outros links.

Entendeu ou quer que eu desenhe?!

O Faoza mais o cartunista Leandro Dóro estão encabeçando um movimento pra incluir no currículo dos cursos de Comunicação Social uma disciplina "que abarque os princípios teóricos e as formas de aplicação e execução de ilustrações, charges, tiras, histórias em quadrinhos e cartuns, compondo a disciplina de Artes Gráficas Aplicadas ou, simplesmente, Ilustração". A argumentação completa você conhece no blog do Leandro, no segundo post do último dia 31 de julho (cutuque em cima do nome dele, no começo deste parágrafo).

A proposta tem circulado por listas de discussões e foi encaminhada para a Ouvidoria-Geral do Ministério do Trabalho e Emprego, que, respondendo sem responder, disse que está sendo criado um Grupo de Trabalho para estudar e fazer uma proposta para a regulamentação da profissão de jornalista e de outras áreas afins da comunicação. O GT "será formado por cinco membros indicados pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ); cinco representantes da Federação Interestadual de Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão (FITERT) e cinco participantes indicados entre as entidades de empregadores - ABERT – Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão; ANJ - Associação Nacional de Jornais (ANJ) e Aner – Associação Nacional de Editores de Revistas. "

O texto da proposta de inclusão da disciplina nos currículos também foi enviado para a Sociedade dos Ilustradores do Brasil (SIB), que, segundo o Leandro, responsabilizou-se pela possibilidade de avaliá-lo e incluí-lo como política da instituição.

Ge-raaaaaaldo!

E por último, pra finalizar, recebi os links que encaminham você para o fotolog e o site de Geraldo Roberto da Silva, mestre em desenho e professor disso na FURG (Fundação Universidade Federal de Rio Grande). Não conhecia o trabalho dele, mas, numa breve olhada, já me sinto em condições de recomendar (veja uma amostra aí embaixo).

É isso. Boa semana!

domingo, agosto 06, 2006

Pastilhas coloridas

Dica quentinha, recém saída do forno, graças ao pizzaiolo Reuben, eternamente linkado aqui no CABRUUUM!!!!!!! Eis o site maranhense Pastilhas Coloridas! O Reuben escreve lá, na seção literatura!



Mas o principal, pra virar pauta aqui, é que o Pastilhas tem uma seção de quadrinhos. E de gabarito! Pra começar, estão sendo publicadas lá as HQs "Os inúteros", originalmente um fanzine.

Na mesma seção, Beto Gomes faz aquilo que há tempos eu venho tentando fazer aqui no CABRUUUM!!!!!!! e que é complicadíssimo: um mapeamento dos quadrinhos na internet! Muito bacana!

Vá lá e confira!

sábado, agosto 05, 2006

Cabruuum "Argh" News

Quem quiser se informar sobre o 3º Salão Nacional de Humor de Bragança (PA) cutuque aqui!

domingo, julho 30, 2006

Pedaços de um mate regado a nanquim

Amigo é pra essas coisas (sim, e namorada é pra aqueeeeelas coisas, mas não vem ao caso) e foi por isso que o meu amigão Mike Zeppenfield de Carvalho aproveitou a ausência da namorada pra ir comigo até o Calçadão tirar fotos do 3º Cartucho (vide post anterior). Eram 10 e meia da manhã, sábado, um frio de rachar, e ainda faltou pilha pra máquina. Fomos lá, compramos umas alcalinas, e no fim o Mate com Nanquim acabou sendo registrado. Veja aí!

Santiago para o mundo

Eis o cartunista Santiago, da cidade de Santiago (RS) [isso não é a representação de uma risada pelo fato de a cidade e o nome ser o mesmo, é a sigla do Rio Grande do Sul], autografando o desenho "Ceia Gaudéria", uma paródia gauchesca de "A Última Ceia", do Leonardo da Vinci.


Do mundo para Santa Maria

A moça aí atrás, entre eu e o Canini, lembra ou não lembra a Louis Lane gritando: "é um pássaro? Um avião? Não, é o Super-Homem!"?

O Canini passou tanto tempo desenhando o Zé Carioca na Disney que já deve estar de saco cheio. Mesmo assim, topou fazer um desenho pro CABRUUUM!!!!!!! Ei-lo fazendo:

Depois que a mão aquece e a pessoa se empolga, só vai! No fim, o Canini acabou fazendo três desenhos pro blog. Coisa boa!!!

Estouraram uns cartuchos no Calçadão!!!

Estava eu belamente conversando com o André Macedo, chargista e animador (não de festinha, estou querendo dizer que ele faz animações, desenhos animados)...

... quando, duma hora pra outra, toda a seriedade foi por água (de mate) abaixo. Devem ter soltado um pum no Calçadão. Pela foto, parece que fui eu e que o André tá rindo da minha cara. Eheheheh.

Tem gente que aprende rápido...

Emprestei um manual de desenho pra uma pessoa que ia passando. Eu inclusive decidi fazer um rabisco com bonecos-palitinho pra mostrar como é.

Mas aí o cara foi lá na paleta e fez isso aí:

Ehehehehe. Logicamente, estou brincando. Esse aí é o Eugênio Neves, secretário da GRAFAR.

Quadrado mágico depois da Copa

Começando pelo André Macedo, encontrando uma moeda no chão, seguimos no sentido horário: Elias, cartunista que publica no jornal Diário de Santa Maria, lendo uma historinha pro cara de preto dormir; eu, olhando para o livro enquanto discretamente tentava me lembrar qual é o nome do cara de preto; e o cara de preto, bocejando pra disfarçar enquanto passava uma santamariense desfilando sua beleza pelo Calçadão.


***

Ps.: o Mike é o cara que está do lado de cá da máquina fotográfica em todas as fotos, por isso você não consegue vê-lo, a não ser com um exercício de imaginação.

Ps2.: o enfoque temático do 3º Cartucho, sorteado na abertura, é "Pedaço". Ganhou de "Fim" e "Buraco".

sexta-feira, julho 28, 2006

Santa Maria tem três cartuchos e mais bala na agulha!!!

Prepare sua cartucheira: uma cambada de cartunistas vai se juntar aqui na cidade, de hoje até domingo, dia 30, para a 3ª edição do CARTUCHO, o encontro de CARTUnistas gaúCHOS (esse nome tão criativo só podia ser coisa de quem faz quadrinhos mesmo... Eheheh).

Ao que parece, o Cartucho deste ano vai ser um estouro. Pra se ter uma idéia, vem pra cá o Renato Canini, o cartunista gaúcho que (re)desenhou o Zé Carioca (e que já foi pauta aqui do CABRUUUM!!!!!!). O homenageado é Eugênio Neves, secretário da GRAFAR - Grafistas Associados do Rio Grande do Sul.

A história do evento é assim, segundo o release que recebi: "Santa Maria já foi sede do I e II Salões de Humor do Mercosul, o Santa Maria Cheia de Graça, que foi idealizado pelo Máucio e pelo Byrata [cartunistas daqui da cidade], em 1997 e 1998. Nesses encontros surgiu a idéia de realizar eventos que tivessem diferenciais (a impressão era de que os salões estavam multiplicando-se e que eram todos iguais). Tempos depois surgiu o Cartucho."

O difencial do Cartucho é, então, o fato de ser um encontro sem tema definido. Na abertura, sorteia-se um enfoque temático e o evento passar a acontecer em função dele, no improviso. No fim, há uma exposição com os trabalhos feitos sob o dito tema.


[esse é o Eugênio]


[esse é um desenho feito pelo Eugênio]

Portanto, se você puder conferir, à abertura é hoje, às 20h, na CESMA. Amanhã, a partir das 10h, essa turma vai pro Calçadão fazer seus desenhos e tomar mate. Domingo, às 15h, começa a exposição dos trabalhos feitos durante o 3º Cartucho. Eles ficam expostos até 11 de agosto. Dê uma passada por lá!

Cabruuum "Argh" News

Cumprindo meu papel social de mediador de informações:

"O 33º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, que vai de 26 de agosto a 15 de outubro, está com inscrições abertas até o dia 5 de agosto. Os trabalhos devem ser inéditos nas categorias cartum, charge, caricatura e tiras, com temas livres. Os premiados receberão um total de R$ 25 mil em prêmios. Mais informações pelo tel. 0/xx/19/3403-2620 ou no site oficial do evento: www.salaodehumordepiracicaba.com.br."

quarta-feira, julho 26, 2006

Teoria sem caos

Recebi faz um tempo o e-mail abaixo, que copio aqui tal qual, pois resumi-lo daria muito trabalho e nenhum grande ganho. É sobre o livro "Watchmen e a teoria do caos", de Ivan Carlo, vulgo Gian Danton (foi ele que escreveu o e-mail, também). A princípio, o livro parece ter saído da sua dissertação de mestrado "A Divulgação Científica nos Quadrinhos: análise do caso Watchmen", de 1997. Eis o e-mail sobre o livro:

"O que a teoria do caos e uma história em quadrinhos de super-heróis têm em comum? Muito, de acordo com o novo livro lançado pela Marca de Fantasia, 'Watchmen e a teoria do caos', de autoria de Gian Danton.

O livro analisa como o escritor inglês Alan Moore usou os conceitos da teoria do caos e da geometria fractal para elaborar a minissérie Watchmen. Moore estrutura sua obra no chamado efeito borboleta, segundo o qual uma borboleta batendo suas asas na muralha da China pode provocar uma tempestade em Nova York. Da mesma forma, o surgimento de super-heróis provocaria grande mudança no mundo, com efeitos que vão da reeleição de Nixon ao recrudescimento da Guerra Fria.

Também a geometria fractal serve de inspiração para a história na criação de imagens auto-semelhantes.O livro também analisa como Moore usa a história para criticar a visão clássica de ciência e defende uma visão sistêmica, próxima das idéias de Edgar Morin.

Considerado por muitos o capítulo mais importante do livro, 'A Complexidade em escala' analisa, página a página, uma das partes de Watchmen e mostra como a discussão sobre a teoria do caos é trazida para as ciências humanas, assim como a necessidade da ciência abandonar sua visão positivista, que trata as pessoas não como sujeitos, mas como objetos.

Gian Danton é o pseudônimo do professor universitário Ivan Carlo Andrade de Oliveira, mestre em comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo. Gian também é roteirista de quadrinhos, tendo publicado em diversas editoras nacionais e estrangeiras e ganhado diversos prêmios."

sábado, julho 22, 2006

E o Rodrigo diz: "I will come back..."

O Rodrigo Oliveira, lembra dele?, está de volta. Ficou um tempão sem publicar aqui, mas agora nos cedeu uma HQ de oito páginas pra compensar. O nome do (anti-)herói que protagoniza o enredo: Cacto. Veja a história aí embaixo.

(Cutuque com o botão direito do mouse em cima para abrir cada página em outra janela, maior e com melhor vizualização. Boa leitura!)










sábado, julho 15, 2006

Por trás da cueca do Super-Homem!

Quer dizer, "por trás" no sentido de "mais do que isso", não me entenda errado. Pois você já deve estar de saco cheio de ouvir sempre as mesmas coisas sobre o Super-Homem e o lançamento do seu novo filme, não? Eu, ao menos, estou. Ainda bem que há outros ganchos além do fato de o bilau do ator ser grande demais.

A revista Galileu, por exemplo, traz este mês uma reportagem sobre como os mitos da antiguidade estão presentes na história do "homem de aço". Tem também uma entrevista com o escritor Stephen Skelton, autor de "O Evangelho Segundo o Maior dos Super-Heróis", livro que associa o cristianismo à trajetória do herói de cueca por cima da calça. Confira (os links aí de cima contêm trechos das matérias. O material completo só pode ser acessado por assinantes ou na própria revista, nas bancas)!

[foto dos bastidores do filme. Cutucando nela, você vai parar numa crítica do site SoBReCarGa]

Também recebi uma dica do meu amigo Léo Foletto, dono do excelente blog Cena Beatnik: ele navegava no portal Comunique-se quando encontrou uma matéria sobre como o jornalismo está presente em obras de super-heróis, principalmente na do Super-Homem. Afinal, Clark Kent é jornalista. Outro herói famoso, o Homem-Aranha, é um repórter-fotográfico (leia o artigo "Quadrinhos e Jornal: uma correspondência biunívoca", de Antônio A. C. Dutra, para saber como essa relação entre o jornalismo e os quadrinhos é grande e antiga).

Infelizmente, não há um link direto para a matéria no Comunique-se. Você vai ter que ir lá, se cadastrar e, depois, procurar a matéria no site. Mas vale a pena! Inclusive por alguns comentários dos internautas.

Bueno, faça isso, então! Até mais!

quarta-feira, julho 12, 2006

Cabruuum "Argh" News

Eis uma notícia bem factual, ótima pra quem é de ou vai para o Rio de Janeiro nos próximos dias: vai acontecer, a partir de sexta, no Museu Nacional de Belas Artes, a mostra "Quadrinhos da Democracia Espanhola".

Você fica sabendo mais cutucando aqui!

domingo, julho 09, 2006

Um herói à brasileira (mas sem nenhum sentido pejorativo)


- Se for pensar em histórias em quadrinhos, finalmente os romanos venceram os gauleses...

Grande Galvão Bueno, sem ter absolutamente nada para falar depois que a Itália ganhou a Copa. Pelo menos fez um bom gancho. Estava se referindo às histórias do Asterix (esse aí do lado), personagem criado pelos franceses Albert Uderzo e René Goscinny.

***

Mas é só pra registar mesmo. Pois o assunto de hoje é outro.

Eu recebi, já faz um tempo, esta notícia do companheiro Zema Ribeiro, lá do Maranhão (ele que escreveu, ele que me enviou):

Delito de uma gangue de bons desenhistas
[Jornal Diário da Manhã, 17/03/06]

Iramir Araújo, acompanhado de outros bambas do universo HQ brasileiro, lançam hoje o álbum “Corpo de Delito”, que reúne, entre inéditas e já publicadas, diversas histórias do delegado Augusto “Caolho” dos Anjos, já um clássico dos quadrinhos maranhenses.

Preto e branco é um charme. Seja na tv, no cinema e, principalmente, nos quadrinhos. O crime, quando ficção, também é um charme. Há até quem ache que o crime compensa. E talvez compense mesmo. Ou não? O criminoso da vez é Iramir Araújo. Sim. D
eve ser crime ser talentoso no Maranhão, não sabiam, caros leitores? A reclusão/pena é o total desconhecimento por parte do público. Pois é. Criminosos, ele e uma “gangue” que arregimentou: Beto Nicácio, Marcos Caldas, Bruno Azevedo, Ronilson Freire, Carlos Sales, Salomão Júnior e Luiz Saidenberg. Este último, reconhecido nacionalmente, Iramir conheceu virtualmente: “Há tempos escrevo sobre quadrinhos. Um dia escrevi sobre um trabalho dele e o texto, de um jeito ou de outro, caiu-lhe nas mãos. Começamos a trocar e-mails e, tempos depois, ele pediu para desenhar um roteiro meu. O resultado está aí”, conta, sobre uma das histórias que compõem o álbum “Corpo de Delito”, que será lançado hoje, às 19h na Galeria de Arte do SESC (Av. Gomes de Castro, 132, Centro).

“Corpo de Delito” reúne diversas histórias, entre publicadas e inéditas, de Augusto “Caolho” dos Anjos, delegado de polícia criado por Iramir Araújo e publicado pela primeira vez em 1982. Qualquer semelhança entre o delegado, obra da mente criativa de Iramir, e o poeta paraibano, dono de versos como “o beijo, amigo, é a véspera do escarro, / a mão que afaga é a mesma que apedreja”, não são meras coincidências: ambos são, para usar um lugar-comum, malditos. Caolho é um obstinado que não brinca em serviço. E não brinca, mesmo quando está brincando: no álbum, encontramos o personagem, por vezes, largando uma cerveja gelada pelos bares do Centro Histórico ludovicense – a Ilha de São Luís é palco de todas as aventuras ali narradas – para manter a ordem. Caolho combate ferozmente traficantes de drogas, de órgãos, ladrões, estupradores.

[o personagem Augusto "Caolho" dos Anjos, na versão de Beto Nicácio]

Caolho é um super-herói, sem superpoderes ou cuecas por cima das calças. Surgido nos mesmos becos e ruas onde combate crimes em São Luís, é, como disse Euclides da Cunha sobre o nordestino, “antes de tudo, um forte”. Iramir Araújo comete o pecado – ou crime, como já dito anteriormente – de ser talentoso em São Luís do Maranhão. Mas é, também, antes de tudo, um herói: o herói dos roteiros de “Corpo de Delito”, verdadeiro cinema impresso.


Pois bem, o Zema me mandou pelo correio um exemplar da revista "Corpo de Delito" (diz ele que veio de jégui, pois demorou um tempão pra chegar). Daí que li e posso dizer o seguinte:

* a revista foi impressa em papel jornal, com o apoio do jornal O Estado do Maranhão. Os desenhos, muito bem feitos, são em preto e branco, como já foi dito. Segundo o Scott McCloud, autor do livro Desvendando Os Quadrinhos, as imagens em preto e branco favorecem as idéias de uma história. Desenhos com cores planas (ou seja, sem gradações) dão mais ênfase ao lúdico. No caso da "Corpo de Delito", acredito que, se a revista fosse colorida, sairia valorizada. Afinal, o enredo das histórias dá ênfase à ação. Mas claro que publicar em cores não é nada barato...

* no prefácio, Clóvis Cabalau, editor do caderno cultural do jornal O Estado do Maranhão, faz uma associação entre o delegado Augusto dos Anjos e o detetive The Spirit (esse aí do lado), criado pelo supra-sumo dos quadrinhos, o norte-americano Will Eisner. Pois ambos os personagens não têm super-poderes, não usam a cueca por cima da calça e às vezes perdem no final. Além de quê, as duas obras fazem referência à linguagem dos cinemas. E The Spirit também começou em papel jornal (só que num jornal mesmo, não numa revista);

* uma coisa que não me saiu da cabeça: as histórias do Augusto dos Anjos têm um público bem definido, no meu ver (ressaltando sempre o "no meu ver", pois você pode e tem o direito de pensar diferente): leitores que apreciam histórias de ação, principalmente aventuras policiais. Eu, que busco temas singelos ou que proporcionem reflexão (nem que seja sobre a própria linguagem que está sendo usada), não me atraio por histórias assim. No entanto, há audiência para narrativas desse naipe, inclusive acho que elas têm um papel importante. Que bom, então, que alguém esteja fazendo isso aqui no Brasil. Personagens da nossa terra, nos nossos cenários, resolvendo problemas mais a ver com a nossa realidade. Isso deixa a leitura bem menos fantasiosa do que ler algo que acontece lá do outro lado do mundo.

É isso. No fim, "Corpo de Delito" acabou me provocando uma certa reflexão.

domingo, julho 02, 2006

Sensacional!!!

Como diria (e realmente diz, eu mesmo escutei) o agora amigão Renato Lima, co-editor da revista de quadrinhos e "roquenrou" Mosh!: simplesmente SEN-SA-CI-O-NAL!!!!

O quê? Você não está entendendo? Pois então leia o post A Mosh! dá um pulo por aqui, Santa Maria dá um salto! Ali diz o que a gente esperava acontecer nessa semana que passou...

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Já leu? Então sigamos!

Hoje, três dias depois de o Renato pegar o ônibus e o avião de volta para o Rio de Janeiro, a palavra que reverbera é justamente essa: sensacional!

Foi sensacional a passagem do Renato e da Mosh! por aqui! O jornal Diário de Santa Maria fez uma matéria de página inteira no suplemento cultural, com chamada na capa; demos entrevista de uma hora na Rádio CDN; o Renato ministrou uma oficina de criação de personagens na Semana Acadêmica (S.A.) de Comunicação Social da UFSM, onde descobriu uma galera talentosa... Enfim, o Renato conheceu uma turma muito bacana nesses três dias em que esteve por aqui: desde os demais palestrantes da S.A., até os alunos, o pessoal da organização, as pessoas que trabalham com quadrinhos na cidade, jornalistas, músicos... E deixou comigo a incumbência de agradecer todo mundo, publicamente! E eis o que estou fazendo! Muito obrigado!!! Mesmo!!!

Pouca gente compareceu na Mosh! Fest (o cartaz logo abaixo foi feito pelo publicitário e amigão Maurício Canterle), mas a sensação que fica é que isso não chega a ser um revés. A banda Crema mostrou que é realmente muito boa e a discotecagem do Sandro Mello fazia o Renato dizer a cada dez minutos que a música que estava tocando já valia a festa... Sem falar que houve uma boa repercussão na mídia (graças a contribuição, claro, da minha amiga Tati Vargas). Enfim, a Mosh! começou a fazer seu espaço em Santa Maria. E, com isso, criou uma rede de relacionamentos que deixa todo mundo feliz, satisfeito, vitorioso!

Entre os frutos dessa semana puxada, porém compensadora, fica a idéia de organizarmos por aqui um evento de quadrinhos e animação, quem sabe em setembro, fazendo uma nova Mosh! Fest (se bem que a revista terá outro nome na próxima edição). Dessa vez com mais uma banda. E novamente com o Renato Lima em Santa Maria.

Abaixo, o registro desse momento ímpar (a segunda e a terceira fotos foram tiradas pelo Maurício; a primeira é de um amigo da Cy):

[eu, o Renato e a Cyrana, amigona do Renato e da galera da Mosh! que está morando agora em Santa Maria]


[a banda Crema, durante o show na Mosh! Fest. Agradeço ao Márcio Echeverria, no teclado, por ter topado a idéia da festa]

[a parceria sensacional]


[e o carinhoso desenho do Renato para o Cabruuum!!!!!! Poxa, vou botar numa moldura e pendurar em todas as paredes em que eu vier a morar, desde já]