terça-feira, fevereiro 26, 2008

André e Daniel

No último post, o companheiro Paulo Rená comentou sobre o Quadrinho Digital. Fui lá conferir: é um site recém-criado - nasceu ontem mesmo - que quer falar sobre webcomics. Realmente, uma bela proposta.

E começar melhor seria difícil: logo de saída foi publicada uma entrevista com o André Dahmer. Recomendo que você leia, não é algo dirigido somente a amantes de quadrinhos.

(Só não sei a quem elogiar, o site não acusa de quem é a autoria...)

Essa entrevista inclusive me fez lembrar, pelo teor, de outra entrevista com outro cara que admiro, o escritor Daniel Galera. Caso se interesse, cutuque aqui. Um trecho que muito me chamou a atenção: "É uma trajetória coerente, mas eu não diria que é composta só de êxitos. Os êxitos são o que eu prefiro mostrar, como é natural. Fiz muita besteira pelo caminho."

Uma fala desmistificante, do Galera, comentando como biografias costumam ser contadas por aquilo que deu certo, omitindo o que deu errado. É assim que se criam os ídolos, idealizadamente.

É para admirar esses dois caras.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Nada a ver com quadrinhos...

Para este post, não consegui nenhum gancho com a nona arte que justificasse a "pauta". Sim, confesso, este é um mero post de divulgação e autopromoção... mas essa fuga do tema não merece desclassificação nem nota zero.

Pois está no ar no FizTv - webtv do Grupo Abril - a trilogia "Carnaval, meu nome é..." Trata-se de uma única reportagem, dividida em 3 partes, que mostra o constraste social do carnaval brasileiro, sem descuidar do lado festivo.

Você acessa o FizTv cutucando aqui! Procure os vídeos entre os mais recentes ou mesmo digitando no campo de busca, caso você leia este post apenas daqui a muitos dias.

Divulgo, claro, porque faço parte da equipe de repórteres e porque é uma proposta diferenciada (você vai ver pela mistura de sotaques). Mas - principalmente - porque estou na equipe de repórteres, vou ser sincero, já que sempre evito ao máximo deixar de falar de quadrinhos ou temas afins aqui, por mais que o tema extraterrestre seja sedutor. Acho, aliás, que é a primeira vez que isso acontece.

Pensei mil vezes antes de publicar este post, mas, pesando o conteúdo dos vídeos e a minha participação neles, decidi que vale a pena essa abertura de precedente. Quer dizer, veja você mesmo lá no FizTv se vale!

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Duas charges

Os cartunistas Ronaldo e Sylvio Ayala gentilmente cederam, para este humilde blog, uma charge de cada um sobre assuntos que estão na atualidade ou que, infelizmente, nunca saem da atualidade. Você já identifica qual é qual:

domingo, fevereiro 17, 2008

3D

Veja isto:


Trata-se de um desenho que simula tridimensionalidade, feito pelo artista inglês Julian Beever (link em inglês). Ele fez outros desenhos como esse em calçadas de todo o mundo, inclusive no Brasil.

Cutucando neste link você vê outros trabalhos, um mais impressionante que o outro. Acho que o mais curioso, porém, é entender como se cria esse efeito. Então...


sábado, fevereiro 16, 2008

Guia do Quadrinista das Galáxias

Chafurdando por essa internet adentro, acabei encontrando (como quem encontra numa piscina de bolinhas um objeto perdido por outra pessoa) o Guia de Histórias em Quadrinhos. Editado por Bruno Cruz, o Guia faz exatamente o que o nome propõe, trazendo um panorama das/dos principais obras/editoras/sites/blogs/artigos/coisas sobre quadrinhos. É uma ótima pedida para quem quer entrar a fundo na área. Uma excelente catalogação!

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Publicidade alemã

Há algumas semanas, escrevi aqui sobre o livro "Wir können ja Freunde bleiben", do quadrinista alemão Mawil. Inspirado naquele post, o companheiro Marcelo Engster, do blog Quadrinhólatra, colocou num hd virtual algumas HQs - ele tem um grande acervo - nesse idioma. Por descuido, esqueci de divulgar. Mas o erro está corrigido! Cutuque aqui!

(Nesse link, bem no fim do post, tem uma tira do Iotti, que é um cartunista gaúcho que retrata colonos italianos. Só pra contextualizar!)

Aproveite e veja o trabalho de conclusão do Marcelo para o curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). É sobre a ideologia de quadrinhos da Turma da Mônica e da Disney.

***

O companheiro Marcelo Engster postou mais HQs em alemão no Quadrinhólatra - como ele avisou via comentário -, desta vez do Garfield e do Quarteto Fantástico.

Contracultura cabruuunística (quem dera!)

Semana passada, terminei de ler este altamente recomendável livro:



Cutuque com o mouse sobre o livro para ir pro site da editora. "Contracultura através dos tempos" defende a tese de que houve uma contracultura socrática, uma contracultura taoísta, uma contracultura zenbudista, uma contracultura sufista, e por aí vai, passando pelos trovadores, os transcendentalistas, o Iluminismo e a Paris do início do século 20, até chegar às contraculturas reconhecidas como tais (aquelas que surgiram a partir da década de 1950, no rastro da Bomba de Hiroshima). Os autores - Ken Goffman e Dan Joy - defendem que esse é um fenômeno tão antigo quanto a internet a carvão e o guaraná com rolha, e necessário para o funcionamento dinâmico da sociedade, no sentido que provoca mudanças comportamentais. Claro que, assimilada pela cultura hegemônica, a contracultura perde boa parte do seu poder de fogo. Mesmo assim, a assimilação de traços fundamentais dessas contraculturas faz com que a sociedade mude alguns dos seus valores.

Enfim, pra resumir, esse é daqueles livros que você lê uma vez, pra se desvirginar no assunto, e depois o mantém por perto para consultar.

Mas, claro, este continua sendo um blog sobre quadrinhos, apesar de todas as seduções que surgem para escrever aqui sobre outros assuntos. Sorte minha que sempre tem um gancho. Pois, na página 321, dizem os autores que "[no conturbadíssimo período entre o fim da década de 1960 e o início da de 1970,] Quadrinhos alternativos de gente como Robert Crumb e Gilbert Shelton faziam um humor corrosivo com todo mundo, incluindo os ultra-revolucionários." Crumb, todos conhecem, dispensa apresentações. Mas, confesso, eu não havia ouvido falar de Shelton ainda.

Ao que parece, ele foi tão importante no movimento underground dos quadrinhos quanto Crumb. Veja neste link (em inglês). Sua mais famosa criação são os Freak Brothers, que mal-e-porcamente foram publicados no Brasil, depois de vinte anos de intervalo (isso explica o fato de eu não conhecer o autor).


Aqui tem mais links pra conhecer a obra de Shelton. Cutuque:

* Na Folha Online

* No Sobrecarga

* Na Conrad

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Ele é malvado o suficiente!

Acho que nunca é demais recomendar André Dahmer - e seu site Malvados - aqui neste blog. Veja pela ironia desta tira:

Como a faixa preta não precisa ser exclusividade de uma pessoa só, com certeza dá para dizer: André Dahmer a merece!

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Além da monomídia

Ser multimídia é um imperativo do webjornalismo. Como este blog não é, linco para a multimidialidade alheia.

Eis o webprograma HQ Além dos Balões, da Tv Tatuapé. Obviamente, sobre quadrinhos.

Por uma preferência pessoal, não gosto desse estilo de gravação que fica inclinando e aproximando/afastando a câmera pra lá e pra cá, dando um clima adolescente à matéria. Mas, como disse, é pessoal. Visite e veja você mesmo se o conteúdo vale a pena.

Na edição que está atualmente no ar, há uma entrevista com o quadrinista Jozz. Ele acabou de lançar o livro "O Circo de Lucca", que tem sido muito bem comentado no meio quadrinístico. Ainda não tive acesso. Quando eu tiver, será pauta aqui.

Bueno, vá ser multimídia!

sábado, fevereiro 09, 2008

Spirou e Fantásio

Este humilde blog tem mais sorte do que merece.

Pois se Maomé-Augusto não vai à montanha (por que ele pesa mais que uma montanha), a montanha vai a Maomé-Augusto.

Eis que o companheiro Danilo Kossoski mandou este artigo apresentando dois personagens bem pouco conhecidos no Brasil!

***

Spirou e Fantásio – longa vida aos personagens!

*Por Danilo Kossoski

Sou um desses caras que entra em livraria sempre que possível. Olha tudo, e não compra nada. É verdade que, muitas vezes, isso acontece porque quero economizar uma grana, ou porque encontro o mesmo livro no sebo, pela metade do preço. Mas, é que dificilmente encontro algo que realmente me interesse. Acontece que um dia me deparei com um único exemplar de um álbum de história em quadrinhos que me fez gastar um pouco mais do que esperava.



“Luna Fatal” era uma HQ de dois personagens que eu sequer sabia que existiam. Seus nomes: Spirou e Fantásio. Os autores eram para mim igualmente desconhecidos: Tome e Janry (não confundir com Tom & Jerry). No momento em que coloquei os olhos nos desenhos das primeiras páginas, senti aquele arrepio que faz com que os pêlos do braço fiquem em pé. A qualidade dos traços, das cores e do roteiro fizeram com que eu me tornasse instantaneamente um fã de Spirou e Fantásio, e buscasse mais informações a respeito deles.



Nesse sentido, não sei o que seria de mim sem a internet, e o Google. Pulando de um site para o outro, descobri coisas fascinantes. Spirou é um repórter educado e aventureiro, que costuma usar um curioso uniforme vermelho, herança de suas primeiras aparições em veículos impressos, ainda na década de 1930. Fantásio é fotógrafo, e companheiro inseparável de Spirou. Ambos são bastante populares na Europa. Comparados, em sucesso, ao igualmente repórter Tintin, do desenhista Hergé.



“Luna Fatal” foi, aparentemente, a única aventura dos personagens editada em português para o Brasil. Muito mal editada, diga-se de passagem. Os balões trazem erros grosseiros de gramática, com letras que vazam para fora do contorno. Algo que só não destrói o trabalho dos desenhistas porque eles são mesmo muito bons. Essa, pelo menos, é minha opinião. Na Internet (essa entidade sem rosto e endereço), há quem critique o roteirista Tome (o francês Philippe Vandevelde) e o artista Janry (o belga Jean-Richard Geurts) como sendo pouco detalhistas. Caramba! E o que me fez comprar o álbum foi justamente o nível de detalhes.



Companheiro inseparável de Spirou e Fantásio, o esquilo Spip torna as situações muito mais cômicas, com seus pensamentos que podem ser “ouvidos” apenas por nós leitores. As expressões do bichinho me fizeram rever as páginas do álbum apenas para conferir seu comportamento singular em cada quadrinho.



Assim desvendei uma parte da história dos personagens. Fiquei chocado ao descobrir que eles possuem apenas uma comunidade digna de registro no internacional Orkut, com apenas 19 membros (20 agora) e que está abandonada há diversos anos. A Wikipedia, no entanto, traz uma pequena amostra do número de personagens que acompanham Spirou e Fantásio ao longo de suas histórias. São tantos, que fica impossível citar todos aqui.



Pudera, Spirou existe há cerca de 70 anos! Criado originalmente pelo francês Rob-Vel o personagem ilustrou uma publicação também chamada Spirou. O herói ganhou o amigo Fantásio e, ao longo dos anos, passou pelas mãos de diferentes artistas. Foi assim que Spirou conheceu (ou terá sido o contrário?) Jijé, Franquin, Jean-Claude Fournier, Yves Chaland e argumentistas como Calvin, Tome, e Morvan (não significa que eu conheça toda essa gente, só estou citando informações encontradas na internet). A cada novo traço, ele ganhou amigos e fantásticas aventuras, em diferentes lugares do mundo.


Lembra de um desenho animado maluco que passava na Globo há poucos anos: “Marsupilami”? Era um bicho amarelo com pintas pretas, que lembrava um macaco, e tinha uma calda enorme. Pois olhe só, foi um dos personagens que acompanharam Spirou e Fantásio! Estranho pensar que esse coadjuvante já esteve nas telas brasileiras, enquanto os protagonistas permanecem lá na Europa.

No entanto, aqui vai a dica... Se alguém procurar do modo correto, pode encontrar uma boa parte dos álbuns dos personagens scanneados na internet, e prontos para download. Desde alguns mais velhos em preto e branco, até os desenhos mais recentes. Uma chance de acompanhar a evolução dos traços ao longo dos anos. O inconveniente é que estão todos em outro idioma. Mas, sabendo um pouco de espanhol ou inglês, é diversão garantida. E que novos desenhistas dêem seqüência a essas aventuras, que elas sejam infinitas.

*O autor é jornalista e cartunista. danilomk@gmail.com

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Caro cabruuunauta!

Este blog não está parado, nem ocioso, nem preguiçoso. Acontece que o seu feitor encontra-se em "mini-férias". Afinal, não é só porque o cara não tem ainda um emprego que ele também não pode tirar férias, como os demais viventes.

Mas aguarde, logo o blog volta a ativa!

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Mago Moore


O portal G1 publicou uma entrevista ótima com o Alan Moore. Leia!

terça-feira, janeiro 08, 2008

Dando bola para um alemão

A fim de treinar meu pouco conhecimento do idioma germânico, fui à biblioteca do Instituto Goethe Porto Alegre e retirei uma história em quadrinhos em alemão. Pelo contexto das imagens, dá para entender o significado de muitas frases dessa língua desmilinguada.

Escolhi um livrinho que me pareceu ter história simples, cuidando as recomendações da bibliotecária a respeito das gírias, que dificultariam o aprendizado. A obra que peguei é esta aí embaixo.


A capa dá a entender que a tradução do título é "Nós podemos permanecer amigos" ou "Nós podemos permanecer namorados" ("Freunde" pode significar tanto "amigos" quanto "namorados", dependendo do contexto). Enfim, entendi que se tratava de uma antiga história de amor que depois sofreria um rompimento, criando o conflito da história.

Eu e meus pré-julgamentos.

Por sorte, acabei descobrindo um livro fantástico. São quatro partes, contando as desventuras amorosas do autor - já falo sobre ele. O início de cada capítulo mostra quatro amigos conversando num bar. O protagonista narra seus fracassos aos outros três.

Fracassos mesmo. Da infância até a juventude, o protagonista se apaixonou por quatro meninas/mulheres e não teve coragem de chegar nelas, ou quando chegou tomou um fora, ou foi lento demais, ou... enfim, uma história de insucessos que faz qualquer gurizão meio (ou completamente) boca-aberta exultar por não estar sozinho no mundo.

Como se não bastasse o tema fascinante (e corajoso, pois tudo indica que são histórias vividas pelo próprio autor, sendo que a última ainda é relativamente recente), o livro todo tem soluções gráfico-narrativas fabulosas. Não tenho como reproduzir os desenhos aqui, mas cito, por exemplo, balões que se sobrepõe a outros para representar falas simultâneas em que não se consegue escutar o que as personagens dizem ou para mostrar que o que uma personagem está dizendo não importa, importante é a situação em si; a relação do balão de narração com a voz do protagonista, que em determinado momento inclusive coincidem, de forma brilhante; uma cena de página inteira mostrando um piquenique, com um efeito de câmera posta em cima da turma ao redor da toalha, semelhante a uma grande angular; e vinte quadrinhos contando o terceiro fracasso do protagonista através da silhueta dele e duma garota numa barraca, ou seja, a "câmera" fixa num mesmo lugar.

Uma pena eu não poder publicar aqui os exemplos que cito. Seria muito mais rico pra você.

Também me sinto um hipócrita por falar aqui dum livro que você provavelmente não vai ter acesso. Primeiro, por não estar a venda no Brasil, acho. Segundo, por ser em alemão. Mas, enfim, se você tiver esses dois pré-requisitos (grana farta e conhecimento de alemão - embora possa ser um conhecimento razoável, haja vista que eu mesmo consegui ler o livro), cutuque aqui. Esse link vai dar no site pessoal de Markus Mawil Witzel, vulgo Supa Hasi, que em "Wir können..." assina simplesmente como Mawil. Parece que o livro surgiu do trabalho final de curso do Markus na Escola de Arte de Berlim e foi publicado pela editora Reprodukt (cutuque sobre o nome para ver o catálogo, que inclui quadrinistas autorais de renome, como Robert Crumb).

Considere que tudo o que eu disse neste gigante - embora nada comparado como uma palavra qualquer no alemão - post pode ser questionado/corrigido por uma tradução mais certeira. Estudo o idioma há apenas um ano e meio, não repare. Se você sabe mais, então mando direto para o verbete Mawil na wikipedia. Não vou me arriscar a traduzir.

Mas, enfim, vale registrar que uma tradução literal do título do livro, portanto, não faria juz ao enredo. Em português, provavelmente o título seria: "[Eu não quero namorar nem ficar com você, ok, mas] Nós podemos ser amigos." Um legítimo fora. Nada a ver, portanto, com o que eu previa antes de ler o livro.

Oxalá alguém logo traduza para o português. Estamos perdendo uma obra e tanto.

***

Ps.: o companheiro Marco Vieira achou este link aqui, que manda para um pedaço da HQ Beach Safari, do Mawil. São oito páginas, com poucos balões. Os que têm são em inglês.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Analistas de sistema, analisem-se!

Conforme pediu Léo Foletto, do Cena Beatnik, em comentário ao último post do cabruuum, re-publico aqui o cartum anteriormente publicado no blog do Gjol.


O pequeno garçom escondido no canto inferior direito do desenho evidencia quem é o autor. Trata-se de um desenho do cartunista argentino Nik, que publica no jornal La Nacion. A personagem-assinatura chama-se Gaturro. No site dela você encontra informações sobre o criador e a criatura.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Obras de arte

Há algumas obras de arte que são realmente geniais porque resumem toda uma questão em poucos segundos/acordes/palavras/imagens. Eis uma tira que se encaixa nesse caso.


Achei a tira no www.malvados.com.br, do André Dahmer. Lá você encontra outras pérolas como essa.

A propósito, eu já havia publicado aqui certa feita uma outra tira que resume uma questão do processo artístico. Nunca é demais rever. É do Bill Watterson.

domingo, dezembro 23, 2007

Feliz Natal!

Em vésperas de Natal (provavelmente ficarei uns tantos dias sem internet), me nego a publicar aqui qualquer mensagem de boas festas e tudo o mais. É muito brega.

Mando então esta minihq em inglês. Encontrei no orkut de sei lá quem.


Gostou? Pois trata-se de Cyanide and Happiness (isso está dito na tira, não sou nenhum expert não). Se você é bem versado no inglês (eu tive de procurar no dicionário a palavra "naked", que quer dizer "nu", ou até mesmo "peladão"), você fica sabendo mais sobre as personagens cutucando aqui.

Agora, se há outras palavras atrapalhando sua leitura, mesmo assim no problem. Este blog publica versões traduzidas.

O importante é que o conteúdo dessas histórias guarda semelhança com as tiras "Malvados", do André Dahmer. Cutuque aqui e veja se não é isso mesmo.

Bueno, boas festas!

sábado, dezembro 22, 2007

Retrospectiva 2007

O Uol Humor fez uma retrospectiva das melhores caricaturas/hqs/charges/etc de 2007. É um prato cheio, quase tão bom quanto um chester natalino. Cutuque aqui para ver a retrospectiva!

Quando você achar que já viu tudo, explore os outros álbuns, na guia que aparece no topo dos desenhos, à direita.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Audiência para a concorrência

Numa sociedade capitalista, a concorrência deve ser estimulada, para benefício de todos os cidadãos.

Capaz, é só para não perder a piada! Eheheh. Sou partidário do conhecimento construído coletivamente, sem individualismo. Pluralidade, portanto, é tudo. E, como dizia (radicalmente) um professor meu, o indivíduo não existe.

Enfim, parabéns ao www.HQNADO.com!

***

Uso as palavras do grande mestre Raul Seixas para abrir esta errata: "eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes." Afinal, o HQNado de jeito nenhum é um concorrente deste humilde blog. Trata-se de uma editora online (como a matéria mostra), nada a ver com divulgação de coisas do mundo HQístico.

Aproveito ainda para recomendar: saia a cutucar com o mouse por lá e procure, nas Tiras Anteriores, uns tais de "videoquadrinhos", que realmente são uma mistura de vídeo com quadrinhos. Algo bem estranho, por sinal.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Uma mesa, uma mulher, um homem, uma cadeira

Para mostrar que nos dias que passei em São Paulo (vide post anterior) não fiquei desligado dos quadrinhos, publico aqui, a pedidos (na verdade, foi um pedido só, mas não vem ao caso), uma mini-micro-pequena fotonovela, que não é totalmente uma história em quadrinhos mas também não deixa de ser.

Os "atores" (que assumiram esse papel sem querer, obviamente) são o Anderson e a Gleice. Vou improvisar uma legenda para dar um pouco de graça.

***

"Anderson é um jovial rapaz que tem tudo o que precisa para viver bem. Como se diz, na vida um homem só precisa de duas coisas, que são: comer."

"De repente, de Anderson tiram o firmamento, a base de tudo. Mas ele ainda tem a sua escora moral, o contrapeso feminino, embora o lado masculino seja, digamos assim, 'mais bem alimentado'."

"Então Anderson fica só. Nada para lhe consolar, nem mesmo um chope."

"Vai-se o homem. O que resta?"


Essa é pra quem acha que cadeira de bar não tem história para contar.

Quadrinhos, quadrinhos, quadrinhos, blá-blá-blá, vamos dar um tempo no assunto?

Capaz, não foi por encher o saco que este blog está há tanto tempo sem postagens. São motivos bem mais humildes.

Em primeiro lugar, passei uns quantos dias em São Paulo, participando do Colóquio Rumos Itaú Cultural de Jornalismo Cultural e conhecendo a nova turma desse programa que eu participei em 2005 (você já está cansado de saber, mas nunca é demais repetir: foi daí que este blog surgiu).

O outro motivo é que inventei de fazer um curso super-intensivo e super-cansativo de alemão, para adiantar um semestre. As aulas são de manhã, e o resultado é que no meio do dia eu já não sou capaz de lembrar meu nome e tenho que pensar por um bom tempo antes de pronunciar para o vizinho um mero "oi".

Enfim, como este humilde cérebro está avariado, mando aqui dois links para notícias alheias, que muito me chamaram a atenção. Lá vão:

A história quadro a quadro
Livro narra a chegada da família real ao Brasil em quadrinhos. [leia mais no ZeroHora.com]

Jornalistas da Bahia criam site com reportagens em quadrinhos
[procure a matéria no dia 20 de novembro no Blog dos Quadrinhos]

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Série Jornalismo em Quadrinhos - parte 8

A série continua, com:

Maurício Gonçalves, vulgo Maumau
"No final do curso (Comunicação Social - Publicidade e Propaganda) eu escolhi fazer algo que não se relacionasse com publicidade, tentei puxar pra área de comunicação mais pura, sem maiores direcionamentos, daí que até poderia passar por um TCC de estudante de jornalismo, hehe." Isso disse o Maumau ao gentilmente me enviar sua monografia, para divulgar no cabruuum.

O Maumau se formou em 2005, na Ucpel, defendendo o trabalho:

Maus: uma visão metafórica da realidade através dos quadrinhos verdade

Cutuque no título do trabalho para baixar. E mando ainda três links que falam sobre o ilustrador: um aqui, outro ali e ainda outro acolá.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Chargista, você está dispensado!

Agora há pouco, quando postei aqui a charge do Santiago, não quis dizer que ela havia sido censurada no Jornal do Commércio. Afinal, o Santiago trabalha lá.

Quer dizer, trabalhava. Por causa justamente dessa charge (ou quem sabe por um acumulado de outras charges engajadas), Santiago foi dispensado ao receber este e-mail do editor:

"Santiago, Kayser, Moa!
Agradeço o trabalho que fizemos em conjunto até agora e comunico que o JC está dispensando o serviço de vocês
."

Kayser e Moa foram os outros cartunistas dispensados, por causa de charges semelhantes à do Santiago. O Kayser inclusive fez um desabafo público aqui.

É interessante questionar a validade do discurso de "liberdade de imprensa" facilmente bravejado pela mídia quando se sente ameaçada. A liberdade é pedida, mas não exercida.

Ps.: confira a repercussão do episódio no post do dia 1º de dezembro do Blog dos Quadrinhos.

Charge do Santiago


terça-feira, novembro 27, 2007

Boas (ou más) lembranças

Estou lendo "Persépolis", e agora fiquei sabendo da existência de "Fun Home - uma tragicomédia em família" (cutuque no link amarelo para ver uma amostra da obra). Os dois são livros de memórias no formato de quadrinhos.

Nunca é demais lembrar também de "Maus", e esses três trabalhos juntos me fizeram refletir e concluir que os quadrinhos são (talvez) o meio mais adequado para livros de memórias. Tentava inclusive achar uma explicação para isso.

Talvez seja o uso de imagens, que podem provocar sensações e climas muito mais difíceis de serem alcançados com palavras. Talvez seja a sedução natural da imagem que atraia o leitor. Ou talvez o próprio fato de a leitura de quadrinhos ser uma das nossas primeiras experiências como leitor e, como isso acontece na infância, os quadrinhos acabam se consolidando como um gênero propício para memórias, tanto para quem escreve e desenha como para quem lê.

Enfim, reflexões! De todo modo, o que queria aqui era recomendar os três livros. É uma prova de todo o potencial psicológico-histórico dos quadrinhos. Apesar de termos começado a ler por meio de gibis, quadrinhos não são uma linguagem (só) para crianças. É óbvio que você, se é da área, já sabe, mas é sempre bom ressaltar.



[Marjane Satropi conta aqui a sua infância e adolescência no Irã e na Áustria, des-estereotipando o modo como do Ocidente vemos a vida naqueles lados e retratando momentos histórico-bélicos pelo ponto de vista de como a autora os vivenciou.]



[Alison Bechdel narra a convivência difícil com o pai, uma pessoa apegada a bens materiais que às escondidas mantinha relações sexuais com adolescentes. A autora cresceu nesse ambiente e, ao recriá-lo em quadrinhos, conta-nos como descobriu sua homossexualidade e o modo como a relação com o pai moldou o que ela é hoje.]



[Art Spiegelman ganhou um prêmio Pulitzer especial ao contar em quadrinhos a história de seus pais, sobreviventes do Holocausto. O livro ainda toca na relação conturbada entre Art e seu pai.]

Cutuque sobre a capa dos livros, caso queira comprá-los no Submarino. Ah, antes que pergunte: não ganho nada com isso! Ehehehe.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Até parece nepotismo: o Primo no cabruuum

Tem vezes que quero muito escrever aqui sobre coisas não necessariamente ligadas aos quadrinhos. Literatura, teatro, música, dança... a cultura como um todo, em suas várias formas de expressão. Até sobre política às vezes quero escrever. Mas não dá, o perfil deste blog está muito bem definido...

Bem, na maior parte das vezes, eu acho (ou invento) um gancho para falar do que eu quero, remetendo aos quadrinhos. No post de hoje, porém, esse gancho veio (ciber)naturalmente.

Pois navegava eu pelo site do Alex Primo, pesquisador de hipertexto e tudo o mais, quando descobri, na seção Pós-Vida, que o autor faz (foto)quadrinhos. Quero recomendar o site todo, mas não deixe de passar nessa seção em especial, onde você vai encontrar pérolas como esta:

sábado, novembro 24, 2007

Os Simpsons e os quadrinhos


Existe uma revista em quadrinhos dos Simpsons, mas isso vai ser assunto aqui em outra ocasião, sei lá quando. O post de hoje é para divulgar (ainda mais) a participação de ícones dos quadrinhos num dos episódios da série de tv, a citar: Alan Moore, Dan Clowes e Art Spiegelman.

A notícia saiu no site Omelete, e quem me avisou foi o companheiro Marcus Vinícius Corrêa de Alencar.

quinta-feira, novembro 22, 2007

ArTorpedo, Calíope, cabruuum e Mascando Clichê: 2 anos juntos!

No ano passado, dia 29 de novembro, o meu amigo Léo Lopes, bloguista do Mascando Clichê, escreveu aqui no cabruuum um texto que ironicamente é até hoje o melhor post deste humilde blog. Tudo mérito do Léo, não estou me autodepreciando não. Pois há vários posts aqui que eu considero memoráveis (inclusive o pioneiro, nunca é demais recordar, pois cortou as fitinhas do blog, inaugurando o vôo com balões onomatopéicos).

O primoroso texto do Léo foi em comemoração ao primeiro ano do cabruuum, do ArTorpedo, do Calíope e do Mascando Clichê, blogs irmãos por criação, pois surgiram juntos como atividade final do programa Rumos Itaú Cultural de Jornalismo Cultural, no fim de 2005. Ano passado, a comemoração do aniversário foi feita assim: eu escrevi no blog da Elisa, que escreveu no blog do Anderson, que escreveu no blog do Léo, que escreveu aqui.

Bem, você obviamente já reparou que agora estamos no fim de 2007... Dois anos de blogs, portanto! Desta vez, a dinâmica da comemoração vai ser um pouco diferente: eu escolhi aquele que considero o melhor post do ArTorpedo e vou publicar aqui; o Anderson, vice-versamente o fará com um post deste humilde blog (pelo jeito vai ser o texto do Léo, não?); e a Elisa e o Léo farão o mesmo, entre si.

De modo que aqui vai o melhor post do ArTorpedo, no meu ver. O post que trouxe ao meu conhecimento um conceito novo, que definiu intelectualmente aquilo que eu vagabundamente considerava apenas como "o ato de sapiar". Hoje, tomando chimarrão em frente ao computador, sapiando por essa internet adentro, já sei que não estou apenas vagabundeando por aí, nem mesmo flanando ao léu: estou eu CIBERFLANANDO!

E é, penso, graças a ciber-flâneries como você, leitor, que eu, Elisa, Léo e Anderson estamos aí já há dois anos. Obrigado a você e parabéns a todos nós! Que logo estejamos pensando na comemoração do terceiro ano!!!

Ps.: não deixe de visitar os outros blogs!

***

A vagabundagem iniciática do Ciber-flânerie

Texto publicado originalmente no blog ArTorpedo, no dia 25/10/2006.

E assim vivem os poetas-vagabundos a vagar pelas ruas de Paris, Veneza, São Paulo. Não importa o lugar, eles transformam a cidade a partir de seu olhar. Baudelaire eternizou o flâneur, essa figura que anda ocioso, gratuito e errante, sem a pressa dos que se preocupam com o relógio. Ele é quem faz seu tempo, e o espaço é refeito no seu eterno caminhar.

Assim, olhar/ler e andar/escrever formam o movimento duplo da flânerie, que Mafesoli chamou de “vagabundagem iniciática daqueles que se perdem nas malhas urbanas, pois não é apenas errância por lugares instituídos, mas também produção de sentido”, disse. O flâneur recria o ambiente urbano, tornando-o mais agradável para se viver.

No mundo digital não é diferente. André Lemos, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, criou o Ciber-flâneur a partir do flâneur de Baudelaire. Assim como o errante urbano, ele mergulha no cibermundo perdendo-se na rede, clicando e deixando-se levar a outros e mais outros espaços, extraindo materiais para escrever, tendo como base as impressões de sua viagem.

“O Ciber-flânerie é flânerie por espaços relacionais criados por estruturas de informação eletrônica como sites, homepages, portais e documentos, sob forma de interatividade digital com interfaces gráficas e informações binárias, a exemplo de textos, sons, imagens fixas e animadas. O Ciber-flânerie deixa suas impressões nos portais e variados sites”, explica.

Para Lemos, o cibernauta é exemplo de flânerie contemporânea. Não se sabe onde pode chegar quando o Ciber-flâneur busca a imersão. A cada link se aporta a novos espaços digitais. A partir desse simples gesto, vai deixando sua marca pelo caminho, apropriando-se silenciosamente dos espaços, deslocando-se e escrevendo pequenas histórias. “Não é à-toa que somos ‘caçados’ pelas impressões eletrônicas que deixamos na Rede”, afirma.

Esse deslocamento é possibilitado pelo hipertexto que organiza a informação digital através das conexões da noosfera, permitindo a exploração de leitura-navegação e o deixar-levar não-linear. Lemos diz que “longe de ser apenas um novo suporte técnico para a informação, com os hipertextos o que está em jogo é toda uma outra forma de conceber a produção e apreensão da informação e do conhecimento, especialmente a partir dos links, ao mesmo tempo que é uma reconfiguração, dinâmica e inacabada do espaço”.

Imagine que o ciberespaço seja agora os muros das cidades que contam historietas de fúria e amor; as escrivaninhas que abrigam cartas e rascunhos de poemas; mesas de bar que ouve as lamúrias e casos bem e mal sucedidos; a sacada do café em que se pode observar o ambiente e o movimento da cidade que não pára. “Navegar no ciberespaço é andar num labirinto onde escritor e leitor se confundem, aventureiro e conformistas convivem lado a lado”, diz Lemos.

Para o cronista carioca do início do século XX, João do Rio, “é preciso ter espírito vagabundo, cheio de curiosidade malsã e os nervos com um perpétuo desejo incompreensível, é preciso ser aquele que chamamos flâneur e praticar o mais interessante dos esportes – a arte de flanar”. Dessa forma pode-se recriar o ciberespaço como quis Pierre Lévy, tornando-o um lugar que se constrói coletivamente, numa experiência cotidiana sem privações e isolamentos.

quarta-feira, novembro 21, 2007

+ Jornalismo em Quadrinhos

Num dos e-mails que eu incomodativamente enviei para divulgar a série Jornalismo em Quadrinhos deste humilde blog, recebi esta resposta do Leandro Dóro:

"Augusto, sou bem influenciado pelo jornalismo em quadrinhos. Em meu blog Contos em Quadrinhos há diversas HQs desse gênero, e meu primeiro livro, o 'Revolta dos Motoqueiros', é jornalismo histórico ao estilo literatura juvenil, mas perfeitamente adaptável para HQs. Creio que essa vertente ainda tem muito a nos oferecer, Dóro."

Eu trepliquei ao Dóro algumas palavras que se perderam no tempo e no (ciber)espaço, às quais ele respondeu/tetraplicou:

"A primeira HQ é adaptação de um conto do [Moacyr] Scliar. A New Kids é uma reportagem gonzo sobre um bar; e as demais reportagens, históricas, assim como Os Armênios. Olha lá, Dóro."

segunda-feira, novembro 19, 2007

After They Were Famous - Burt Ward

Se o Róbin virou nisso, tudo indica que estou me transformando num super-herói. Ehehehe.

sexta-feira, novembro 16, 2007

O cabruum não se cala

Todo mundo comenta o episódio envolvendo o rei da Espanha e o presidente veneuzelano Hugo Chávez. O Chávez, você sabe, em alguns momentos é o próprio Chapolim.

Mas bem, todo mundo está analisando o caso sob algum ponto de vista/simbologia/metáfora/etc. Faltava uma análise quadrinística. Como o Santiago fez:


Ps.: como nem só de quadrinhos vive o mundo (embora eu e você certamente ficaríamos felizes se isso fosse possível), linco para um artigo do Locutório, que comenta o assunto. Também vou fazer algo inédito neste blog: lincar para algo que ainda não existe. Pois aguardo ansioso o comentário que vai sair no Polipoliticus, se é que vai sair.

Ps2.: a pedido do Santiago, linco também para um texto com uma postura oposta ao do Locutório. Cutuque aqui.

terça-feira, novembro 13, 2007

É plágio?

De vez em quando, surge algum entrevero sobre plágio, num grupo de discussões que participo. Por se tratar de pessoas inteligentes, a polêmica não fica apenas no acusa-defende. Esses dias houve até um questionamento sobre que pode, de fato, ser considerado plágio. Afinal, muitos artistas usam fotografias alheias como referências para seus desenhos. É uma prática inclusive recomendada. E muitos desses desenhos beiram à imitação descarada.

Tudo bem, acuse-se o plagiador de plágio, então. Mas e quando se trata de um cara do porte, por exemplo, de Milo Manara? Pois pasme! Artistas de renome fazem referência ao trabalho de outros autores. Este artigo, por exemplo, cataloga alguns casos. E este site mostra as fontes do trabalho do artista plástico Roy Lichtenstein.

Não cabe aqui querer dar uma resposta definitiva à pergunta-título deste post. Mas se você quiser registrar sua opinião, cutuque no link azul "comentários", aí embaixo. O debate é fundamental numa questão como essa.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Saia deste blog (mas volte depois)!

Fazia tanto tempo que eu não postava vídeos neste blog... Desta vez postei dois, indiretamente (ou forçosamente) ligados ao mundo dos quadrinhos.

Resolvi digitar "quadrinhos" no campo de pesquisa do YouTube, porém. Veja lá o mar de vídeos que surgem, para você se divertir com pipoca e tudo o mais!

Private S.N.A.F.U. - 1943 Cartoon

Esse vídeo mostra como um meio aparentemente inocente (como os desenhos animados e quadrinhos infantis da Disney) pode servir para divulgar ideologias políticas. Quem estuda o assunto sabe disso: a Disney tem uma ligação muito forte com a Política da Boa Vizinhança do governo estadunidense. Várias personagens (inclusive o Zé Carioca) surgiram por uma questão política, não cultural.

Bueno, se formos pensar na Disney, até que aquelas críticas sem-fudamento do Dr. Wertham têm enfim fundamento. Ehehehe.

Akiane Kramarik

Torça para que essa guria logo logo comece a fazer quadrinhos. Nem que seja quadrinhos gospel. Eheheh.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Uma notícia de abrir sorriso no rosto do blogueiro e do leitor

Antes de mandar o link para a notícia, duas observações:

1) definitivamente, acabou aquela história de perguntar se há ou não algum autor brasileiro de Jornalismo em Quadrinhos;

2) desse jeito, a série Jornalismo em Quadrinhos, deste humilde blog, não vai acabar nunca...

Bueno, veja a notícia que originou essas observações cutucando aqui!

quinta-feira, novembro 01, 2007

Antijornalismo, sem sujar os sapatos

Daqui, sem sair da cadeira, aproveito um momento de ócio das idéias e desmaio da criatividade para postar notícias, entrevistas, links, pérolas, artigos, enfim!, textos alheios que recebo de listas de discussões. Vou pôr na ordem cronológica em que eles estraram na minha caixa de entrada de e-mails, portanto não se espante de os primeiros serem beeeeeem desatualizados.

Bem, espero que a motivação esteja em convalescença. Espero.

***

Urgência, quadrinhos e educação
Paulo Scott: "O governo gasta milhões com manuais, cartilhas e reedições de clássicos da literatura para suprir as bibliotecas das escolas públicas, quando deveria gastar com histórias em quadrinhos." [leia mais]

A morte do cartum (entrevista com Jaguar)
"O cartunista Jaguar, que lança livros em debate hoje, em SP, fala sobre os rumos do humor brasileiro e o legado deixado pelo Pasquim à imprensa." [leia mais]

Camouflage Comics
Marco Vieira: "Não sei se alguém já passou esse link [cutuque sobre o nome em amarelo] aqui na lista mas eu achei nos meus 'bookmarks', há muito esquecido, e tô abobalhado com a qualidade da publicação. Entre outras, me chamaram a atenção as HQs do Diego Agrimbau e do Lautauro Fitzman, esse último em homenagem ao Breccia e ao Ostherheld."

Roberto Weil
Um cartunista venezuelano.

Charge criticando BM é "absolvida"
"A 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul rejeitou, nesta quarta-feira, reparação postulada por integrantes da Brigada Militar em função de uma charge criticando a violência policial, publicada no dia 4 de outubro de 2005, nos jornais VS, NH e Diário de Canoas (do Grupo Editorial Sinos). A charge retratou um policial militar fardado, de joelhos, demonstrando ferocidade e sendo conduzida pela guia por um cachorro, acompanhado dos dizeres 'policiamento no protesto em Sapiranga e no Beira-Rio.'" [leia mais]

Doutor Uro contra o câncer de pênis
"Assim começa a HQ: uma festa de Bumba-Meu-Boi com figuras típicas do norte e nordeste do país como: cangaceiros, retirantes, pescadores, roceiros, vaqueiros, índios e outros tipos populares. " [leia mais]

O humor de Leandro Dóro

Super-heróis da redação
"Houve uma época em que os jornalistas eram quase super-heróis e os super-heróis eram quase jornalistas. Tintim, Clark Kent, o alter-ego do Super-Homem, e o fotógrafo Peter Parker, também conhecido como Homem-Aranha, freqüentavam as redações e personificavam uma idéia romântica da profissão: melhorar o mundo. De lá pra cá, as coisas mudaram. Este ano é comemorado o centenário de nascimento do criador de Tintim, o Hergé. A data chama atenção para uma reflexão sobre o que mudou desde a invenção de seu personagem, que virou um ícone desde sua criação, em 1929. O programa Observatório da Imprensa de terça-feira (19/06) quis saber se quem mudou foram os jornalistas ou o mundo." [leia mais]



ASIFA-Hollywood Animation Archive
Cutuque aí em cima, no amarelo, e veja você mesmo do que se trata. Está tudo em inglês. Eu só sei que "comics" é quadrinhos. Eheheh.


El humor de luto: murió Roberto Fontanarrosa
"Fue el creador de Inodoro Pereyra y Boogie, el aceitoso, dos clásicos de la historieta nacional." [leia mais]

Revista "El Jueves" censurada
"El juez del Olmo ordena que se retire de los quioscos la revista 'El Jueves' por una viñeta de los Príncipes de Asturias." [leia mais] [leia mais ainda]



Le Chat du Rabbin
Glauco Caon: "o autor e desenhista francês de HQ, Joann SFAR, está começando a realização de um longa metragem de Le Chat du Rabbin."


War Angel #0: estréia de Elvis Moura nos EUA
"Mais um talento brasileiro estréia no mercado norte-americano de quadrinhos: o gaúcho Elvis Moura." [leia mais]


Horacio Gatto ilustra la tapa de "Los Juegos de Mastropiero"
"La presentación de Horacio Gatto para 'Los Juegos de Mastropiero', de Les Luthiers." [leia mais]


Os quadrinhos em novo portal com 188.000 livros eletrônicos
"Seguindo uma nota da Agência FAPESP, nós fizemos um teste do novo portal com 188.000 livros eletrônicos colocado no ar pelas 3 universidades públicas do estado de São Paulo, e chegamos a um resultado pouco animador, mas que pode ajudar a pesquiadores e bons leitores da área." [leia mais]


Marcos Vergara
"Cuando uno profesa un arte desde chico, desde antes de tener memoria, ese arte es parte de la vida cotidiana, como convivir con tus padres o hermanos, tomar mates o ir al baño. Entonces se vuelve muy difícil definir qué significa para uno ese arte. Es como intentar definir qué significa levantarse por las mañanas y tomar el desayuno. Es algo que forma parte de la vida diaria y que a veces se disfruta, otras se padece, otras se vuelve rutina, otras nos sorprende. Pero nunca deja de ser parte del día aunque sea en nuestro pensamiento." [leia (muito) mais]


Fórum Quadrinhos +
"De fã para fã, divulgando a informação para os menos afortunados. Aberto, ninguém é obrigado a registrar para ver o conteúdo!"

El Pequeño Polio
"Nacido en 1953 en el seno de una familia berber argelina (con ramificaciones varias, incluso, Turquia y Armenia) en Toulon, Farid Boudjellal contrayó polio cuando tenía 8 años (casi como Frida Kahlo). Y es esta experiencia que nos cuenta en 'El Pequeño Polio', que empezó a publicar en francés el año 1998 como 'Petit Polio', 20 años despues de su estreno en el Noveno Arte, en las paginas de la mitica Charlie Mensuel." [leia mais]

Ilustrador belga vence prémio europeu de cartoons
"O ilustrador belga Ludo Goderis venceu o Grande Prémio do Concurso Europeu de Cartoon, este ano dedicado ao tema 'Desigualdades, Discriminações e Preconceitos', anunciou hoje o júri." [leia mais]

Faculdade traz quadrinhos como disciplina de jornalismo
"As Faculdades Alfa (Goiânia/GO), em seu curso de jornalismo, apresentam uma nova matéria: Estudos de Histórias em Quadrinhos, disciplina que está sendo oferecida este semestre para os alunos do 8º período do curso." [leia mais]

Desvio
Uma experiência de HQ em forma de tiras, de A. Moraes e Jean Okada. Não deixe de ver, é realmente muito interessante. Os autores mostram que se pode tratar de qualquer tema ou assunto em apenas três ou quatro quadrinhos.

Manfred Sommer
"Morre o quadrinista que mostrou a Bahia como ninguém." [leia mais]

Blog de Bruno Ortiz
Um jovem e talentoso cartunista, desenhando/escrevendo sobre coisas de Porto Alegre. Principalmente.

Concurso Mickey Feio
Não tem premiação nem nada. [leia mais]

Carlos Estevão
Leia sobre ele.

Entrevista: Beto Nicácio
"Uma lenda segundo Beto Nicácio." [leia mais]

quarta-feira, outubro 31, 2007

Este post está chique!

A gente vive se surpreendendo e se surpreende vivendo. Afinal, nunca imaginei que este humilde blog um dia postaria uma notícia que, num piscar de link, remeteria ao site da São Paulo Fashion Week. Pois cutuque aqui e ascenda socialmente, em questão de nanossegundos.

terça-feira, outubro 30, 2007

Um post tão pequeno não precisa de título...



Antes de dormir, tenho me dedicado à maravilhosa tarefa de ler "Dom Quixote" pela primeira vez. Isso nada teria a ver com quadrinhos, se Bira Dantas não tivesse se dado ao trabalho/prazer de criar este blog aqui, no qual registra os passos que está percorrendo durante a adaptação da obra de Cervantes. Não é a primeira vez que Dom Quixote e Sancho Pança viram personagens de quadrinhos, mas talvez seja a primeira em que os esboços são postados na internet enquanto a HQ está sendo produzida.

***

Um comitê de cartunistas de várias partes do mundo se reúne para discutir questões ligadas à profissão. Isso só está neste post porque a revista em que eles publicam as discussões e os trabalhos tem o nome "DonQuichotte". É uma revista turca e alemã, mensal, de sátira. Vá até lá e visite a seção "today/bugün". Apesar de haver participação de brasileiros (como Carlos Latuff e, inclusive, Bira Dantas), você provavelmente não vai entender nada do que está escrito. As imagens, porém, são universais.

domingo, outubro 21, 2007

Série Jornalismo em Quadrinhos - parte 7

Outra pesquisadora a ser apresentada pela série é:

Érica Alvim
Sob a orientação de Sônia Luyten, Érica pesquisou sobre Jornalismo em Quadrinhos para o Programa de Especialização em Comunicação Jornalística, da PUC-SP, em 2005. O título do trabalho final foi:

História, memória e reportagem nos quadrinhos: Maus, de Art Spiegelman

Você baixa a monografia cutucando com o mouse em cima do título.

quinta-feira, outubro 18, 2007

O novo livro de Scott McCloud

Se você consultar a bibliografia de trabalhos (acadêmicos ou não) sobre quadrinhos, certamente encontrará duas obras que se repetem em todos eles. Uma dessas obras* é Understanding Comics, no Brasil traduzida como Desvendando os Quadrinhos, do estadunidense Scott McCloud. Desvendando foi publicada em 1993 e trata-se de uma sólida base teórica e prática sobre HQ. Além de teorizar sobre quadrinhos, seus elementos narrativos e sua história, McCloud também usa conhecimentos de áreas como semiótica e estudos da imagem. E o mais impressionante de tudo isso: a teorização sobre quadrinhos é feita, justamente, em quadrinhos.


Outra obra comumente citada** de McCloud é Reinventing Comics, do ano 2000. O título foi traduzido literalmente na versão brasileira. Não li Reiventando, mas sei que seu objetivo é mapear a produção atual de quadrinhos e os caminhos que ela deve seguir nas gerações futuras. Parece que o livro dá um grande espaço para os webcomics, quadrinhos feitos especialmente para a internet e que contam com os recursos da web para fazer experiências hipertextuais.


Pois bem, de agora em diante, outro trabalho do McCloud virará bibliografia básica de quadrinhos: Making Comics foi traduzido para o Brasil como Desenhando Quadrinhos, o que certamente vai causar muita confusão com a primeira obra. Mas não se engane, pois McCloud publicou Desenhando, nos Estados Unidos, em 2006, portanto treze anos depois de Desvendando.



A tradução de Desenhando ficou pronta agora, pela M. Books, mesma editora das outras obras. Não entendi por quê, mas a ficha catalográfica registra o livro como sendo de 2008. Enfim, isso é irrelevante. O que realmente importa é que recebi um exemplar da editora, para avaliação, e divulgo-o agora. Mas divulgo porque gostei e realmente me fez fechar a última página me sentindo uma pessoa diferente do que quando abri pela primeira vez o livro.

Desenhando também é feito em forma de quadrinhos. A personagem Scott McCloud está um pouco mais redonda, e as laterais do seu cabelo estão encanecidas. O que ele nos oferece agora é uma espécie de manual sobre a narrativa de quadrinhos, envolvendo aspectos como texto, imagem e a intersecção de ambos. Aliás, o subtítulo resume assim: "os segredos das narrativas de quadrinhos, mangás e graphic novels".

O segundo capítulo é especialmente importante no conjunto da obra. Dali tirei lições que facilmente podem ser transpostas para outras artes. No meu caso, aprendi muito sobre composição de personagens e cenários, o que espero usar em textos literários. Portanto, o que Desenhando ensina não é exatamente a desenhar - no máximo a "escrever com imagens", como sugere o título do primeiro capítulo. Antes, porém, Desenhando é um manual sobre "como fazer" quadrinhos, embora McCloud ressalte a todo momento que não se trata de querer que façam quadrinhos do mesmo modo que ele faz. O livro é, sim, um compêndio de técnicas que não dependem do autor. Algo como uma oficina literária, só que para quadrinhos.

O livro também dedica um bom espaço, em seu fim, para falar sobre ferramentas de desenho, sobre estilos, gêneros e cultura dos quadrinhos, e sobre o mercado de HQ. Também há muitas notas ao fim de cada capítulo, além de exercícios para quem quiser ir pondo em prática o que lê. Sem falar no intercâmbio com a internet, pois o site de McCloud inclusive hospeda o capítulo "5 e meio", uma extensão do quinto capítulo do livro, além de notas constantemente atualizadas.

De início, fiquei pensando na dificuldade que McCloud teve para fazer essa obra no formato de quadrinhos, haja vista a genialidade e a busca pela perfeição presentes em cada um dos quadros. Depois, porém, pensei: uma teorização desse nível não poderia existir senão nesse formato de quadrinhos. Leia e tente imaginar tudo que está dito com texto e imagem sendo exposto apenas por meio de palavras.

Minha opinião pessoal é que realmente se trata de uma obra fundamental. E fundamental para quem começa nos quadrinhos, para quem já está está há algum tempo e mesmo para quem é veterano na área. Passamos a gostar mais de HQ lendo McCloud. Acho que isso se dá também porque a postura dele diante do conhecimento que expõe é, ao mesmo tempo, madura e divertida. Afinal, muitas vezes ele relativiza seu próprio conhecimento, questionando a si mesmo, dizendo ao leitor para não levá-lo ao pé da letra.

"Faça testes, veja o que funciona no seu caso e construa seus próprios instintos por meio da prática. Mas quando esses instintos falharem - e isso acontece com todos nós... - esse [livro] é um mapa rodoviário que pode pô-lo de volta na trilha". Isso diz o McCloud no página 140, depois de mais de dez páginas discorrendo sobre a intersecção entre texto e imagem. No fim, o conselho vale para todo o livro, como o próprio McCloud diz, na página 180: "desenhe com os olhos, não com os ouvidos".

Com certeza há partes de Desenhando que podem ser questionadas, mas o autor mesmo abre espaço para isso. No fim do livro, McCloud faz previsões sobre como será a nova geração de quadrinistas, além de propor um esquema para definir tendências artísticas. Isso tudo poderá ser questionado, mas será questionado a partir de Desenhando. Porque, se não fosse ele, talvez nada disso viesse à tona.

***



* A outra obra sempre citada em bibliografias é Quadrinhos e Arte Seqüencial (1985), de Will Eisner.

** Eisner tem outra obra citada com freqüência. Trata-se de Narrativas Gráficas (1996). A produção de Eisner está encerrada, porém, pois ele faleceu no início de 2005.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Literatura em quadrinhos

Esta saiu no Estadão:

Clássicos em quadrinhos
Carrol, Barrie, Proust, Camões, Machado, Eça, Nelson Rodrigues: Algumas das maiores obras da literatura mundial estão à disposição na forma de gibis.

[leia mais]

terça-feira, outubro 09, 2007

Um grande livro, com duas grandes histórias

Sábado é dia de não ter hora para acordar...

- Péeeeeeeeeim!!!

Puxa, desse jeito não preciso de despertador. É o segundo fim-de-semana seguido que o carteiro me acorda. Ponho uma calça e um boné. A camiseta deixo, pois nem parece pijama. Abro três fechaduras, desço as escadas, saio pela porta do prédio e amiúdo os olhos, que o sol cega às 11 da manhã. Ainda mais para quem recém saiu do escuro.

- Uma entrega para o sr. Augusto. É o senhor?

- Sim, sim.

O envelope é branco, com detalhes em vermelho. O que deve ser? Estou esperando alguma correspondência? Ah, sim, o Léo ficou de me mandar um livro... Sim, sim, está escrito aqui o remetente: "Rede Minas", é mesmo o livro que o Léo disse ontem que me enviaria. Nossa, veio rápido.

***

Papel reciclado... Roteiro de Wellington Srbek e desenhos de Flávio Colin, já falecido. A orelha diz que "Estórias Gerais já nasceu um clássico do quadrinho nacional, e não apenas por seu tema e cenário colados à realidade e à mitologia do sertão mineiro (...)". Realmente, parece ser uma baita obra. É bom começar o sábado com um presentão desses.



Bem, bem. O Betinho está para chegar, vou preparar um chimarrão e fazer uma bóia. Depois que ele pegar o ônibus, às 16h, eu me encarno no livro.

***

Cá estou eu na rodoviária. "Chove na tarde fria de Porto Alegre", como nos versos de Ramilonga, de Vítor Ramil. 16h10. Vou na Bienal? Volto para casa? Vou ao cinema? Vou na Redenção?

Mando algumas mensagens, espero as respostas. Ainda bem que trouxe o livro. Estórias Gerais. Me encosto numa coluna, sentado num banquinho. No meio da leitura, sou interrompido pela voz de Darth Vader: um senhor afônico fala ao celular por meio de um aparelho parecido com um ultrassom de fisioterapia. Ele encosta o tubo na garganta, e o resultado é uma voz metálica, estranha para quem está perto e nunca viu disso antes. Não sei como deve ficar no telefone, para quem está do outro da linha.

17h30. Bem, pelo sim, pelo não, melhor ir para casa escapar da chuva. Continuarei a leitura lá.

***

No celular, escrevo: "tchê, adoraria estar aí no teu aniversário, é uma pena mesmo, mas esta chuva... Bem, amanhã combinamos um chimarrão. Abc."

Já são 21h, é ruim de pegar ônibus.

Logo o fixo toca:

- Cara, é o Maharis. Eu te pego aí em casa.

E foi assim que fui parar na festa de aniversário de vinte anos do meu amigo de infância, lá na Vila Petrópolis. A festa foi no mesmo dia em que o Maharis se tornou tio, graças a pequenina Sophia, recém-nascida. Era para ser festa surpresa, mas ele já estava sabendo.

Alguns rostos conhecidos: o Fernando, o Felipe, o Fabrício. Coincidência começarem com F, porque o Hélio também estava lá. Eles estão grandes, não são mais aqueles meninos de sete anos atrás, da última vez que os vi. Mas impossível não os reconhecer.

A casa em que morei a maior parte da minha vida fica dois terrenos abaixo da casa do Maharis, onde é a festa. No mesmo lugar onde agora a gente bebe cerveja, muita cerveja, antigamente nós jogávamos botão, cobrávamos pênalti nas folhagens da mãe dele e fazíamos partidas de vôlei usando a grade como rede. Sei não, isso deve ser uma realidade paralela, um vislumbre de como seria minha rotina de jovem se não tivesse me mudado para Santa Maria. Não muito diferente, mas também não igual. Agora estou de volta, e tenho a sorte de momentaneamente passar por esse estranhamento espaço-temporal. Sensações, autoanálises, associações, filosofias. Que loucura.

Mas é impossível ser saudosista aos vinte e um anos. Chego em casa só as 6h30 da manhã.

***

Domingo, tempo chonho em Porto Alegre. 16h. Ou eu dou uma volta, ou viro mofo dentro de casa.

No ônibus, retomo a leitura de Estórias Gerais. O que uma pausa no momento certo não pode fazer... Na página 112, encontrei este dizer, saindo da boca da personagem Zé Gambá:

"A jornada que leva mais longe é a que nos guia mais para dentro da gente. No ponto de chegada, o viajante já não reconhece aquele que era no porto de partida. Qual o resultado da viagem? Qual a verdade revelada? Que, na verdade, a verdade não é nada!"

E foi assim que este fim-de-semana tive mais que a história de um livro para resumir.

domingo, outubro 07, 2007

Série Jornalismo em Quadrinhos - parte 6

Hoje, o protagonista da série é o pesquisador:

Antônio Aristides Corrêa Dutra
Provavelmente a maior fonte sobre Jornalismo em Quadrinhos do Brasil, quiçá do mundo. Se você digitar as palavras "jornalismo" e "quadrinhos" no google, o primeiro artigo que aparece é dele. "Quadrinhos e jornal: uma correspondência biunívoca" é o principal texto que li, quando decidi iniciar a pesquisa sobre o assunto.

Aristides é Mestre pela ECO/UFRJ, onde defendeu, lá se vão quatro anos, a dissertação:

Jornalismo em Quadrinhos: a linguagem quadrinística como suporte para reportagem na obra de Joe Sacco e outros autores

Cutuque no link aí em cima e digite "sacco" no campo "Senha de visitação". Cortesia do autor, que pôs seu trabalho num hd virtual e permitiu que você a baixasse a partir deste humilde blog.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Xaxado na Xuxa

No sábado, recebi este e-mail num grupo de discussões:

"A maior surpresa de minha vida aconteceu hoje. O programa Xuxa da Rede Globo comentou o site do Xaxado. A própria Xuxa brincou com os joguinhos e recomendou o site. O resultado é que já recebi mais de 800 e-mails de pessoas que entraram no site (só hoje, depois do programa, e não pára de chegar) . Tem gente de todas as idades e do Brasil todo."

Quem escreveu o e-mail foi Antônio Cedraz, criador da Turma do Xaxado. Pra quem não conhece, o Xaxado é este aqui:


Há algum tempo, recebi gentilmente pelo correio duas publicações da Turma, enviadas pelo próprio Cedraz. Li, gostei e só não divulguei antes porque queria entrevistar o autor sobre duas questões (digo quais são mais adiante, no fim deste post).

Também não divulguei antes porque não se trata de algo que precisa ser divulgado: a Turma do Xaxado já é referência nos quadrinhos brasileiros. Ganhou 4 HQ Mix, e o Cedraz ainda foi considerado Mestre do Quadrinho Nacional pela Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo. Sem falar que a Unesco concede apoio institucional aos projetos da Turma.

O que cabe aqui, então, é falar das minhas impressões.

Em primeiro lugar, a Turma do Xaxado é usada como material pedagógico em escolas na Bahia. Afinal, o enredo das histórias gira em torno da paisagem nordestina, tratando questões como fome, pobreza, seca, desigualdade (ou, antes, disparidade) social... Os temas são tratados com olhares pueris, o que me pareceu muito enriquecedor. Afinal, as crianças baianas têm acesso a um gibi cujas personagens vivem na terra delas, passam os mesmos problemas que elas e estão imersos na mesma cultura. O poder de identificação é enorme. Eu li a Turma do Xaxado imaginando o poder que teria aqui no Sul um gibi cujas personagens fossem crianças gaúchas e as histórias fossem ambientadas, por exemplo, no pampa.

Claro que já há quadrinhos de larga escala para crianças que tratam de assuntos regionais. Na Turma da Mônica e na Disney, por exemplo, há algumas histórias assim. Mas na Turma do Xaxado o regionalismo (universal, como quase todo regionalismo que se preze) é a regra, não a exceção.

No mais, recebi também um exemplar da Turma do Xaxado chamado "Lendas e Mistérios". Achei muito interessante. A edição pega personagens de lendas e os mistura em pequenos causos com as personagens do Xaxado. Desse modo, figuras do folclore regional e nacional são apresentados às crianças. Eu mesmo aprendi lendo o gibi, pois não conhecia o Negro D'Água, nem o Pé-de-Garrafa, tampouco a Velha-da-Mata. Esses três aparecem na HQ junto com a Mula-sem-Cabeça, o Caipora e o Saci Pererê.

Vale registrar ainda que a Turma do Xaxado já rendeu inúmeras análises acadêmicas, e que esses mesmos trabalhos vice-versamente proporcionam um embasamento para o uso pedagógico dos gibis.

Portanto, a Turma do Xaxado aparecer aqui não tem quase ou nenhuma relevância. Ainda mais depois de aparecer na Xuxa. Mas se servir pra você se interessar e propagar a idéia, já me dou por satisfeito!

***

As perguntas que fiz para o Cedraz são meramente pra sanar dúvidas pessoais. Primeiro, perguntei porque os olhos da maior parte das personagens são desenhados sem íris nem pupula. Me parece uma decisão estética importante, que eu não pude descobrir a razão apelando para conhecimentos de semiótica visual. A segunda pergunta que fiz, talvez das mais óbvias e que o Cedraz deve receber com mais freqüência, é se a Turma do Xaxado sofre alguma influência da Turma da Mônica. Não há como não reparar na semelhança no jeito como as personagens e os cenários são desenhados. Penso, porém, que essa semelhança existe por ambos serem quadrinhos para crianças. Essa especificidade exige desenhos com abundância de formas arredondadas e suaves, de modo a não conotar agressividade.