
domingo, abril 05, 2009
Dom Quixote no sertão baiano

quinta-feira, abril 02, 2009
Mobilização pode funcionar neste país
"Augusto, uma nota rápida para o CABRUUUM: através do site MobieMobz - no qual espectadores se unem para pedir reapresentações de filmes que saíram de cartaz -, os portoalegrenses conseguiram uma exibição extra de 'Persépolis', o filme dirigido pela autora da própria HQ. Legal isso, não? Abração, Beto."
O email de confirmação da empresa veio abaixo:
"Olá,
Sua mobilização foi um sucesso e será a próxima sessão da MovieMobz!
É com grande prazer que confirmamos a sessão do filme Persépolis no cinema Unibanco Arteplex POA.
Confira os detalhes:
Local: Unibanco Arteplex POA - Shopp. Bourbon - Rua Túlio de Rose, 80, 2.º piso - salão 301/B - Passo da Areia - Porto Alegre
Dia: 7 de abril, terça-feira
Horário: 21h50
Valor do ingresso inteiro: R$ 6,00
Lembramos que a sessão é aberta. Convide seus amigos! Clique aqui para ver a programação completa da semana.
Atenciosamente,
- Equipe MovieMobz"
sexta-feira, março 27, 2009
HQs e a cultura do download
quarta-feira, março 25, 2009
Recomendação interna
sexta-feira, março 20, 2009
Obama nas alturas
sábado, março 14, 2009
A man who didn't watch "Watchmen"

Apesar de tudo isso, ainda é possivel ficar satisfeito quando a gente termina de assistir a um filme, com a certeza de ter visto o lançamento de uma excelente produção.
E, felizmente, ainda existem excelentes produções. Ultimamente a sétima arte tem buscado inspiração nos quadrinhos, e alguns resultados têm sido muito bons. Foi assim com o Batman em seus últimos dois filmes. E agora o filme Watchmen consegue, novamente, a façanha de realizar uma brilhante adaptação.
Quando soube que Watchmen estava para chegar aos cinemas, e que era a baseado em uma HQ (ou graphic novel), perguntei a mim mesmo: Watchmen? Eu nunca tinha ouvido falar. Ainda bem que sempre é tempo para uma atualização.
Isso motivou grande receio, também. Quando a expectativa é muito grande, a tendência à decepção é proporcional. Mas então assisti ao trailer no Youtube, li algumas matérias a respeito, e estava convencido de que o filme seria uma experiência única. Felizmente, não me enganei.
O filme Watchmen consegue reproduzir cenas idênticas às encontradas na HQ. Os personagens são, a maioria, muito parecidos com os encontrados nas páginas de quadrinhos. E até a voz deles, se considerarmos os recursos empregados no uso de balões na HQ, estão de acordo com o esperado.
A primeira metade do filme pode provocar arrepios àqueles que, como eu, acabaram de ler a HQ feita na década de 1980. É como experimentar uma seqüência de déjà vus, apesar de saber que eles virão.
A magia de qualquer boa história em quadrinhos está no fato de, entre um quadro e outro, o leitor criar mentalmente o movimento dos personagens. Já me aconteceu de ler um gibi do Pato Donald, por exemplo, e depois não lembrar se a história era de uma HQ ou de um desenho animado, tal é o processo que nosso cérebro é capaz de desenvolver.

O personagem Roschach é ameaçado por um sujeito com uma serra elétrica, quando no original ele é ameaçado por um cara segurando um maçarico. É o sinal que demonstra que uma guinada está para acontecer no filme. Uma das personagens diz “confie em mim”. Pelo amor de Deus! Deveria haver uma legislação que proibisse o uso de um clichê como esses.
Entretanto, as comparações divergentes terminaram minutos depois, porque eu havia tomado o cuidado de ler apenas 10 dos 12 capítulos da HQ. Desse modo, fui ao cinema ainda sem a certeza de qual seria o final.
O final do filme tem uma variação, sim, mas não compromete o aspecto geral da obra. A mensagem de esperança, de que a verdade nunca morre totalmente, está presente em ambas as produções. E o destino dos personagens principais também não muda.

Ainda dá tempo de assistir no cinema. Mas, se for possível, a leitura prévia da HQ é altamente recomendada ao espectador, que terá a chance de reconhecer no filme algumas “informações bônus” que só podem ser notadas pelos leitores. Além de facilitar a compreensão do início da história.
*O autor é jornalista e cartunista
quinta-feira, março 12, 2009
Mais Crumb
Sorte que às vezes o gancho já vem pronto. Foi o caso de hoje.

O post do blog do Nirso já explica muito bem do que se trata, não preciso repetir, apenas replicar: "Na verdade, essa é uma coletânea feita por Robert Crumb, quadrinista underground americano. Na década de 80, foi pedido a ele que desenhasse pequenos cartões com imagens de grande músicos do blues, country e jazz, para que acompanhassem reedições em vinil desses mesmos artistas. O resultado final pode ser visto em um livro chamado 'Robert Crumb's Heroes of Blues & Jazz', que acompanha um CD com essa coletânea."
Outras informações + imagens dos cartões + a obra para download você consegue direto no post mencionado. Cutuque aqui!
segunda-feira, março 09, 2009
Instigante
Eis quem é o Crumb, se você ainda não ouviu falar.
domingo, março 08, 2009
Gonzojornalismo em quadrinhos
O tema do post é uma HQ citando jornalismo gonzo, um estilo que pouca gente conhece. Se você é um desses que ainda não ouviu falar, eis a oportunidade para aprender do que se trata.
quinta-feira, março 05, 2009
Rumos de volta
"O amor ao chão não tem preço, se aprende deste piazinho
O brabo é achar o caminho, pra retornar ao começo."
("Filosofia de Andejo", Luis Marenco e Jayme Caetano Braun.)
Eu retorno ao começo divulgando a abertura das inscrições para o programa Rumos Itaú Cultural. Cutuque aqui para ler mais!
Pois foi como uma atividade para o programa Rumos que este blog nasceu, no já longínquo 2005...
***
Por falar em blog, meu companheiro de Rumos, de blogosfera e de interesses literários Reuben da Cunha Rocha criou um blog para divulgar atividades ligadas ao Rumos 2009-2010. Cutuque aqui!
quarta-feira, março 04, 2009
Dança mórbida
"Certa noite em Beirute, no ano de 1982, em plena Guerra do Líbano, enquanto soldados israelenses patrulhavam a cidade, membros da milícia cristã invadiram os campos de refugiados de Sabra e Chatila e iniciaram o massacre de centenas, senão milhares, de palestinos. Ari Folman era um desses soldados israelenses, mas por mais de vinte anos não conseguiu lembrar nada daquela noite nem das semanas que a antecederam. Até o pesadelo de um amigo perturbá-lo e engendrar nele a necessidade de escavar a verdade e responder à questão crucial: o que ele estava fazendo nas horas da carnificina?" [leia mais]segunda-feira, março 02, 2009
Peter Parker dançando nos céus de Nova Iorque
Do Jornal do Comércio
O Homem-Aranha chega a Broadway. Um dia isso teria que acontecer, porque o personagem tem muitos fãs pelo mundo afora. O interessante é quem vai dar letra e melodia à história do super-heroi: o vocalista Bono Vox e The Edge, dois integrantes do grupo de rock irlandês U2. A estreia do musical está marcada para 18 de fevereiro de 2010, em Nova Iorque. É o que informa a editora estadunidense Marvel, criadora do personagem. 'A luta do Homem-Aranha cativará os espectadores através de uma história conhecida, na qual aparecerão tanto antigos como novos e inesperados personagens, que se enfrentarão em um final surpreendente mostrando uma nova faceta fascinante do super-herói', explica a editora em comunicado."
[leia mais]
Portal alemão
Eu ainda não havia visto nada do tipo na Alemanha. Confesso também que não estava procurando. Mas aí, por meio do Marko Ajdaric, do Neorama, conheci o SplashComics, que conta com uma estrutura enorme. Tem equipe de redação e tudo o mais.
Pena que é em alemão... Mas você pode apreciar os desenhos!
domingo, março 01, 2009
Não é quadrinho, mas estou orgulhoso!
Entrou hoje no ar minha mais recente reportagem, minha estréia como correspondente internacional. Fui à cidade de Karlsruhe, na Alemanha, a pedido do Itaú Cultural, para visitar uma instituição mundialmente reconhecida que trabalha com arte eletrônica e arte contemporânea.
Bem, o texto começa assim:
"Um lugar para as velhas novas mídias
Na Alemanha, o instituto ZKM propõe soluções para a conservação de obras de arte contemporânea e eletrônica
Quando o visitante chega ao balcão para pedir informações, uma luz circular o encontra. Vai-se para o lado, a luz vai junto. Não há como fugir dela. O visitante foi pego. Logo, uma voz fala. As pessoas ao redor não estão prestando atenção. Sim, só ele a ouve."
(...)
[leia até o fim]
domingo, fevereiro 22, 2009
Release do Marko Ajdaric
O mecanismo da mostra é assim: para o Coxias de Caxias, que inclui a parte de vendas de obras sobre quadrinhos (através do contato com Cristiano Bartz Gomes - mantese.livreiro@terra.com.br) tudo o que nos chega, salvo quadrinhos pornográficos, é exposto, nas várias edições do evento, que passa a ser mensal, em março.
Uma parte dessa mostra será selecionada para compor uma Mostra Mundial de Quadrinhos, que já tem, com apoio de universidades, na sua agenda, 7 cidades do Rio Grande do Sul. Outra cidade gaúcha que deve receber a nossa empreitada é Santa Maria, onde contamos com o apoio e torcida do quadrinhista Byrata e da gibiteria Zona Franca, do Jesus Nabor Ferreira. Festivais em outros países já foram contactados, também.
A mostra não procura exibir 'mais do mesmo'. Queremos que muito mais pessoas descubram o quanto os quadrinhos amadureceram, como expressão de arte, nesta década. A descrição completa dos objetivos pode ser lida aqui.
A mostra está concebida da seguinte maneira, até a data:
Mais de 200 publicações com trabalhos representativos de quadrinhistas de mais de 40 países, além de livros teóricos e revistas sobre quadrinhos. 70 publicações com trabalhos representativos de quadrinhistas do Brasil, além de livros teóricos e revistas sobre quadrinhos. Uma mostra com trabalhos de desenhistas brasileiros que trabalham para editoras do chamado quadrinho comercial, nos EUA. Uma pasta com textos impressos, cujos autores nos autorizem a impressão.
Um esforço adicional está sendo feito para realizar vídeos como ESTE, para ajudar na compreensão e divulgação das obras expostas.
O próximo Caxias de Caxias acontece no dia 14 de março, e vai homenagear Altair Gelatti. A lista de artistas brasileiros representados, na parte expositiva e de vendas, já chega a mais de 80. Uma lista das pérolas internacionais que estarão à mostra neste Coxias ainda será publicada na Agenda Virtual da Cultura, onde já se publicou a lista dos primeiros 45 brazucas. O endereço é o mesmo: na livraria O Livreiro, que fica na Rua Garibaldi, 964, no centro de Caxias do Sul.
Para manter contato com Marko Ajdaric: MSN neoramaqq@hotmail.com Skype: markoajdaric
A convocatória mundial em
Inglês
Alemão
Castelhano
Catalá
Galego
Italiano
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
Seja Stan Lee
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
Fiz Mundo - parte 2
Bueno, preciso dizer que ficou realmente muito bom. E não só porque fui um dos idealizadores (e realizadores)...
A segunda parte segue abaixo, em dois blocos.
Bloco 1:
Bloco 2:
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Cultura (nipônica)
"Traço japonês l e Traço japonês ll ( Unicsul)
De Erika Bundzius
Traço japonês é uma série composta por dois documentários preocupados em desvendar a manifestação da arte e da cultura pop do povo nipônico. Nesta primeira parte, vamos viajar pelas histórias e os personagens que compõem o fantástico mundo dos mangas.
Já a segunda parte mostra como os desenhos animados japoneses, 'os Animês', saem do papel e invadem as telas da Tv, dos games e até dos cinemas em todo o mundo."
A parte 1:
A parte 2:
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
De Santa Maria (RS) para o mundo. E para o espaço sideral.
por Sílvia Medeiros, do jornal Diário de Santa Maria
HQ celebra 30 anos do Esquadrão Centauro, da Força Aérea Brasileira, com o personagem Xiru Lautério, de Byrata."
[leia mais]
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Quadrinhos para crianças bem-educadas
da Agência Estado
MEC distribuirá 23 HQs neste ano para escolas públicas do país. Obras representam 4,2% dos 540 títulos que devem chegar até março."
[leia mais]
terça-feira, fevereiro 03, 2009
domingo, fevereiro 01, 2009
sábado, janeiro 31, 2009
Usando o espaço do cabruuum para divulgar uma iniciativa realmente diferenciada (da qual participo, claro!)
Programa espalha seus videorrepórteres pelo mundo e descobre o que pensam ingleses, alemães, argentinos, indianos, norte-americanos, guineeses e colombianos, sobre o nosso país
Conhecido por ser um programa que não apenas descentraliza discussões, mas privilegia a pluralidade do modo de falar brasileiro, o Fiz+Sotaques mostra que as possibilidades do jornalismo colaborativo com a internet, de fato, não têm fronteiras. Nos dias 2 e 9 de fevereiro o Canal FIZ TV (tanto pela TVA, quanto pelo site www.fiztv.com.br) exibirá duas edições especiais feitas a partir de videorrepórteres espalhados pelo planeta.
"Se o colaborativo do Sotaques funciona tão bem nacionalmente, num país tão grande como o nosso, por que não funcionaria em distâncias maiores como entre Buenos Aires e China? Foi o que pensei e o Leandro aceitou na hora", conta Augusto Paim, viderrepórter do Sotaques e idealizador das edições especiais. "Assim fizemos. Pensamos em uma pauta e contactamos alguns amigos. Eles gostaram da ideia e o resultado será exibido nos dois próximos programas", resume o diretor Leandro Lopes.
As edições internacionais colocarão em discussão o "como" o mundo vê o Brasil e o "porquê" dessas visões. Por exemplo, será que tem estrangeiro pensando que o país do futebol é habitado por macacos? Será que somos, para eles, uma imensa floresta amazônica? Na edição de 2 de fevereiro, uma alemã, três ingleses, dois argentinos, uma indiana, um norte-americano, um guineese e um colombiano revelam o que pensavam antes de conhecer o país e o que pensam após conhecê-lo. "Esse primeiro é o "como" dessa discussão. São estrangeiros dando suas opiniões sobre o país. Na semana seguinte (dia 9), teremos um sociólogo comentando os "porquês" dessas visões. Afinal, somos o que mostramos ser para o mundo?", revela Leandro.
O Fiz+Sotaques é o primeiro programa de jornalismo colaborativo da internet e vai ao ar todas as segundas-feiras, às 21h15, no canal 16 da TVA analógica e no canal 20 da TVA digital, em São Paulo (capital e interior), Santa Catarina (Florianópolis e Camboriú), Paraná (Curitiba e Foz do Iguaçu), Rio de Janeiro (capital) e Minas Gerais (Uberlândia). Os programas também estão disponíveis no site do FIZ TV, para qualquer lugar do Brasil. Para conhecer melhor, basta acessar a página www.fiztv.com.br ou o blog dos bastidores do programa www.sotaquesdobrasil.blogspot.com.
FIZ TV
O FIZ é o primeiro e único canal de TV colaborativo do Brasil. Pertencente ao Grupo Abril, com menos de dois anos de vida, o projeto já conseguiu criar uma forte comunidade de produtores de vídeo na web e uma linguagem ousada e inovadora dentro da televisão brasileira. Nos últimos meses, o canal dedica-se para que produtores de todo o país enviem não somente vídeos, mas também programas formatados e pensados para uma nova televisão. A criação de um pioneiro sistema de remuneração somado à grande liberdade editorial que o canal dá aos produtores permite que público acompanhe, cada vez mais, o surgimento de novas e boas idéias no universo audiovisual brasileiro.
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Rabenau, aquele que...
Melhor ver uma tira como exemplo. Também é em alemão, mas posso traduzir:

O título: "As maravilhosas experiências de Rabenau"
Ele pergunta: "Você já dormiu com muitos homens?"
Ela responde: "Não. Só com você."
Pausa. Aí ela acrescenta: "Com os outros eu ficava acordada."
Nem todas as tiras de Rabenau são assim engraçadas (tá bom, nem tanto!). Mas em todo caso é um quadrinista alemão, e já vale pelo exotismo.
terça-feira, janeiro 27, 2009
Berlin em quadrinhos
Uma delas é "Berlin", trilogia de Jason Lutes (autor também de "Houdini" e "Narren").

"Berlin" se passa entre 1928 e 1933 e mostra a realidade social da capital alemã nesse momento, embora seja uma realidade ficcionada. No mais, outro dia falo aqui de outras dessas obras européias de não-ficção. (Jason Lutes é estadunidense, mas a obra dele é sobre aqui.)
quarta-feira, janeiro 21, 2009
Piada de gente grande

Traduzindo, para você também achar graça (ou não!): o personagem no meio diz: "Olá, eu sou Davi. Quem é você?" Nos dedos dos pés do gigante estão escritas palavras como "Afeganistão", "crise financeira", "Irã", "Iraque", "clima", "pobreza" e assim por diante. Já deu para pegar a idéia, né?
sexta-feira, janeiro 16, 2009
Dando atenção para o cabruuum
Lá vai!
- Uma entrevista com o Álvaro de Moya, bem conhecido de qualquer pessoa que comece a pesquisar sobre quadrinhos.
- Um breve artigo sobre Jornalismo em Quadrinhos, ideal para quem ainda não foi apresentado a ele.
- Um artigo sobre os elementos da narrativa presentes no jornalismo, citando minhas principais referências jornalísticas, literárias, quadrinistícas e cosmológicas. Acho até que já havia lincado o artigo aqui.
- Uma gostosa sopa de links servida pelo Universo HQ há alguns anos, falando sobre por que os quadrinhos são importantes, mostrando iniciativas pioneiras e valorizando a nona arte em geral.
- Do último link, fui parar nessa HQ sobre o presidente Lula, ilustrada por Bira Dantas. É da época da primeira disputa pela presidência, eu nem tinha blog de quadrinhos nem nada para saber disso. Mas antes tarde do que nunca!
quinta-feira, janeiro 15, 2009
Crise familiar
Isso é inevitável. Nasceu teu irmão mais novo, o AugustFest, e agora preciso repartir meu carinho e cuidado.
Mas não pense que papai esqueceu de você, não! Apenas neste momento teu irmão bloguinho está precisando um pouco mais de mim...
Em breve voltaremos a passear os dois juntos, para tomar sorvete.
Sem ciúmes, tá?
domingo, janeiro 11, 2009
Reforma mal-feita

Estórias passadas
Pois bem, a roda do tempo não pára. Agora há pouco, por uma conjunção internáutica de links, fui parar no blog do Srbek (não leia este post em voz alta se não quiser passar vergonha ao pronunciar o nome). Altamente recomendável o blog, diga-se de passagem! Decidi lincá-lo no cabruuum.
Pois, com isso, divulgo passado e presente em um único post.
***
O Srbek me passou agora o link para o site Mais Quadrinhos, na seção em que ele conta bastidores pormenorizados da feição de "Estórias Gerais". Cutuque aqui, pois vale a pena! Mesmo!
quarta-feira, janeiro 07, 2009
Lá vem o alemão, cheio de paixão
Divido a sala com um jornalista só, pois aqui não é aquela loucura das redações brasileiras, onde todos os jornalistas ficam na mesma sala. Em cima da mesa dele tem um jornal holandês. Este aqui:
Folheei-o e dei de cara com este quadrinho:
Mais do que isso, não posso dizer. Apesar de o holandês ser parecido com o alemão e possível de compreender mesmo sem dominar o outro idioma (semelhante ao que ocorre entre o português e o espanhol), não consegui entender o quadrinho. Em todo caso, vale pela apreciação do desenho e pelo estranhamento cultural e idiomático. Sim, que fetiche encontrar com um quadrinho holandês! Mesmo sem poder entender.
terça-feira, dezembro 30, 2008
segunda-feira, dezembro 22, 2008
Recém saído da casca
"Adaptação para quadrinhos de 'O Pequeno Príncipe' sai no Brasil" [leia mais]
domingo, dezembro 21, 2008
Errata + download
Carlos também corrigiu uma informação do post anterior: "a versão em pdf é completa, não a primeira da mini série. Mas uma novidade: Caos é parte de uma trilogia, CAOS, COSMOS, ENTROPIA."
Ficamos no aguardo então das outras obras!
sábado, dezembro 20, 2008
Ajudando a divulgar o caos

Para poupar repetições do que já foi dito, replico aqui o release:
"Em um dia qualquer, Cao, nerd apressado para não perder o seu programa de tevê, encontra um estranho olho no caminho de casa. Fã de Will Black, uma personagem da série de tevê Religio, série que Cao acompanha metodicamente, desperta mais a sua atenção com um detalhe no episódio inédito onde uma coincidência, um outro estranho olho também é encontrado por Will Black. Isso desperta em Cao mais atenção nas nuances da série que emergem em sua vida. Aos poucos ele irá perder o seu senso de realidade, assim como Will Black. Isso levará aos dois à mesma jornada surreal, intimista e de profundo horror.
Enfim! Pelos desenhos e pelo profundo subtexto, Caos é uma obra que vale a pena ser lida. Mas não antes de dormir, por favor!
domingo, dezembro 14, 2008
Baixa que eu quero ver!
Sou amigo dos dois, mas não divulgaria o trabalho deles só por amizade, já que este humilde blog tem o enfoque temático bem definido. Acontece que a dupla fez três posts nesta semana falando sobre quadrinhos.
No primeiro, Reuben divulga blogs e sites que disponibilizam scans de HQs. A propósito, há permanentemente uma coluna há direita no Baixa Cultura direcionando a homepages do tipo.
No segundo post, Léo fala sobre um banco de dados de webcomics em espanhol, mas que você já consegue ler se entender portunhol.
E o terceiro post, autoria de Reuben, fala da nova série de André Dahmer, autor do famigerado Malvados.
Bem, já linquei com quadrinhos, agora digo: visite o Baixa Cultura sempre! É realmente um trabalho de primeira, independente do tema!
terça-feira, dezembro 02, 2008
HQ investigativa
do Correio da Bahia
A primeira edição de uma história em quadrinhos sobre o primeiro ano do governo do presidente francês Nicolas Sarkozy já se esgotou nas bancas do país - o detalhe é que a obra mostra a suposta influência que a primeira-dama, a cantora e ex-top-model franco-italiana Carla Bruni, tem em assuntos de Estado. [...] A obra é a terceira HQ do jornalista Philippe Cohen sobre Sarkozy. Com o primeiro, ele inaugurou o que os franceses chamam de 'HQ investigativa', pois narra a biografia do presidente. As obras misturam fatos reais e imaginários."
[leia mais]
História DOS quadrinhos
É... 1991 já parece uma passado distante!
segunda-feira, novembro 24, 2008
Cabruuum, ano 4
(Se bem que, no padrão blogueiro, 3 anos é no mínimo juventude.)
Para comemorar a data, que para mim é realmente muito importante (eu nem precisaria dizer isso, mas agora já disse e não vou apagar o que escrevi, é mais fácil continuar escrevendo sempre pra frente, pra frente, pra frente...), publico aqui um texto da Babi Borghese, do Itaú Cultural, em homenagem ao cabruuum e a outros cinco blogs contemporâneos. Sim, pois este humilde blog surgiu em decorrência do programa Rumos, do Itaú Cultural, como atividade final do Laboratório Multimídia de Jornalismo Cultural, em novembro de 2005. Participei do programa com mais 13 (na época) estudantes de outros estados brasileiros. Dos quatorze blogs, restaram hoje seis.
Bem, após a contextualização, segue o texto.
Ah, antes o link para o primeiro post do cabruuum. Saudosismo em doses homeopáticas não faz mal a ninguém.
Agora sim, o texto da Babi!
***
Ano passado, logo depois de comemorarmos dois anos desses quatro blogs (se você quiser saber quais são os outros três, parafraseando o Augusto, cutuca aqui, aqui e aqui), o Rumos Jornalismo Cultural, padrinho de todos, reunia na sede do Itaú Cultural em São Paulo os 14 selecionados da primeira edição (2004-2005) e os 17 da segunda (2007-2008). Eu não via os antigos rumeiros há meses e a alegria do encontro se traduziu num imenso abraço coletivo, bem na frente da nova rumaria, que olhava aquela explosão de saudade e carinho num misto de surpresa e admiração.
Cada um mata a saudade como pode. Como não posso abraçá-los a toda hora, procuro cutucar sempre os quatro blogs para lembrar do Anderson (que foi mudando seu artorpedo aos pouquinhos e hoje tá mais pra poesia do que pras gadgets do milênio), do Augusto (quem faz ou gosta de quadrinhos tem que acompanhar o cabruuum), da Elisa (que começou publicando seus poemas e hoje abre espaço no caliope pros colegas, especialmente os ibero-americanos) e do Leandro (que ao se mudar de Aracaju deixou de pegar no pé da imprensa sergipana pra falar do jornalismo cultural em geral no mascandocliche, muita coisa assinada por ele mesmo na Rede Minas, diga-se de passagem).
E agora também posso cutucar o blog da Ludmila, reativado depois de uma pausa pra balanço, quase sem mudanças – o oraboa continua a tratar de música boa - e o novo blog da Júlia, que não é o que nasceu no Rumos, mas de qualquer forma, a vontade de blogar começou ali, então... continua valendo. E além disso, suas mini-crônicas do cotidiano de Beagá é uma delícia de tutumineiro!
É minha forma de lembrar deles, de sentir que estamos perto ainda que distantes (viva a internet!). E com isso, acabo lembrando dos outros oito, porque são todos uns queridos...
A exemplo da primeira geração de jornalistas que recebeu apoio do Itaú Cultural, certamente a segunda não vai decepcionar e novos projetos sairão dessa experiência. Ainda não sei o que vai ser dos 17, mas só espero uma coisa: que o abraço coletivo que darei ao encontrá-los vire uma tradição e se torne um símbolo da união de todos os selecionados no Rumos Jornalismo Cultural de todas as edições.
Que no ano que vem, ao celebrar mais um aniversário desses seis blogs, os recém-contemplados na edição 2009/2010 possam presenciar mais um abraço coletivo dos que terminaram a jornada. E em 2011, 2013, 2015... e que a gente tenha muitos novos blogs, sites, artigos, livros e o que mais vier pra comemorar!
Babi Borghese
***
Obrigado, Babi. Obrigado a quem me lê.
Obrigado, cabruuum!
domingo, novembro 23, 2008
Comics für Einsteiger
Mas não é omissão da minha parte. Sigo trabalhando com quadrinhos por aqui, procurando novidades, tocando projetos ligados a quadrinhos, falando sobre quadrinhos. O que eu descubro não vem parar logo no cabruuum porém por dois motivos. Primeiro, porque estou sem acesso à internet em casa, o que torna atualizações mais complicadas, na medida em que quando entro na internet numa lan tenho muito trabalho para pôr em dia e pouca grana para pôr na máquina. O segundo motivo, bem mais convincente, é que o material ao qual estou tendo acesso é em alemão. Minha cabeça precisa de um certo tempo para processá-lo.
Enfim, hoje tem coisa nova. A funcionária da biblioteca pública de Haselünne realmente gostou de mim. Veio me trazer do acervo três livros que ensinam a fazer quadrinhos. Antes de ela voltar com eles, pensei que ao menos um seria tradução de algum trabalho clássico da área, mas os três eram inéditos para mim. Ei os livros:
Dou as eferências bibliográficas corretas:
"Karikaturen zeichnen für Einsteiger" ("Desenhando caricaturas para principiantes"), de Walter Halbinger. Editora Augustus (não é parente), 1998. Impresso em Augsburg, Alemanha.
"Comic-Zeichnen für Einsteiger" ("Desenhando quadrinhos para iniciantes"), de Bernd Natke. Editora Augustus (não é parente mesmo, juro), 1998. Impresso em Augsburg, Alemanha.
"Comiczeichnen leichtgemacht: Helden und Schurken" ("Desenhando quadrinhos fácil: heróis e violões"), de Christopher Hart. Editora Benedikt Taschen, 1998. Impresso em Köln, Alemanha.
Todos os três livros, em folheadas atentas, me pareceram bons, embora o segundo seja mais completo. Se você deseja fazer o quase impossível - aprender a falar alemão e a desenhar ao mesmo tempo - pode começar com esses aí.
quarta-feira, novembro 19, 2008
Guerra por um exemplar

As coisas acontecem, porém, quando você não mais lá está.
Fica um humilde link de consolação.
quarta-feira, novembro 12, 2008
Chibata

"Olinto Gadelha Neto e Hemeterio lançam Chibata!
por Pedro Brandt, do Correio Braziliense
No começo do século passado, a vida na Marinha brasileira era especialmente difícil para os marujos. Por mais que a Proclamação da República tivesse abolido os castigos físicos na instituição, apenas um ano depois as punições voltaram a ser oficializadas. As faltas, dependendo do caso, eram punidas com dias na solitária e chibatadas (que poderiam chegar a 25). Para piorar, o que se via na prática era muito mais que punições visando domar a índole dos subalternos – a chibata era usada por qualquer motivo. Quem mais sofria eram os marujos negros – ou seja, a maioria nas embarcações. Inconformados com a situação – maus-tratos, soldo irrisório e rações estragadas – um grupo de marujos e oficiais de baixa patente começou a se organizar no que ficou conhecido como a Revolta da Chibata. O episódio, que até algumas décadas era um assunto tabu, inspirou a história em quadrinhos Chibata!, da dupla cearense Olinto Gadelha Neto e Hemeterio."
[leia mais]
No email do Beto, ainda havia esta pequena entrevista com um dos autores:
"Três perguntas para - Olinto Gadelha Neto
Como foi a pesquisa para a obra?
Pesquisa, roteiro e desenhos levaram dois anos. A pesquisa foi feita usando um vasto leque de materiais, especialmente livros. Alguns, como a 'bíblia' do assunto, A revolta da chibata, de Edmar Morel, se tornaram referência constante. Era preciso, aqui e ali, consultar livros mais genéricos sobre a história brasileira da época para pinçar um detalhe ou outro. A realização do roteiro deve muito à Biblioteca Pública Menezes Pimentel, aqui de Fortaleza. Eventualmente, uma viagem ao Rio de Janeiro, cenário do livro, selou a pesquisa e ajudou a pôr em ordem a geografia de cenas e o encaixe de certas passagens.
Alguma informação foi mais difícil de encontrar?
É preciso não esquecer que parte do enredo do livro é ficção, tanto para adicionar tempero, como para completar severas lacunas que existem na história de João Cândido. Não há registro documental de certos períodos da sua vida, apenas alguns fatos, datas, nomes de lugares onde viveu. A infância de João Cândido, por exemplo. O que fiz foi adequar essas partes dramatizadas ao todo da história. Então, ficção une-se aos fatos, retratados logo em seguida, fechando a saga. Um personagem, assim, épico não surge pronto como herói. É preciso entendê-lo, dar sentido a sua vida e a sua luta, saber de onde vêm suas motivações e como surgiu o instinto para a liderança.
Você inseriu diversas personalidades brasileiras na história. Isso foi uma liberdade artística ou elas realmente tiveram esse envolvimento?
Na verdade, foram ambos. Oswald de Andrade, por exemplo, foi testemunha dos eventos da revolta, tendo escrito um pequeno (e bastante cômico) depoimento sobre a noite em que os marujos se amotinaram. Aparício Torelly, o Barão de Itararé, também foi parte tangencial dessa história. Ao publicar duas reportagens sobre a revolta, foi recolhido na porta do jornal, conduzido à força por homens da Marinha que o espancaram e o soltaram nu, no meio da rua. Conseguiram, assim, suspender a série de reportagens investigativas sobre os fatos (seriam dez) e provocaram no impagável Barão a criação da placa 'entre sem bater.'"
quarta-feira, novembro 05, 2008
Cinema e quadrinhos, duas linguagens justapostas
Cutuque aqui para ver o trabalho.
É para refletir sobre as diferenças e semelhanças entre essas duas linguagens.
Teorizando em alemão
Trata-se de uma coletânea de artigos organizados por H. Jürgen Kagelmann e voltados para pais, professores e educadores que querem trabalhar com quadrinhos no processo pedagógico. Sei que se trata disso por causa do subtítulo. O resto do livro não entendi mais nada, apesar de ter me surpreendido com a vasta referência bibliográfica nas últimas páginas, obras que eu realmente desconheço.
O importante é que paguei só 50 centavos por um livro que promete. Promete para daqui uns dez anos, quando eu finalmente dominar o idioma alemão (no momento, é ele que me domina). A barganha se deu porque visito semanalmente a biblioteca pública da cidade à procura de clássicos da literatura alemã e obras de quadrinhos em geral. Tem um saldão permanente lá, com livros bem conservados e muito baratos. Falei para a bibliotecária que escrevo sobre quadrinhos, ela se interessou e agora começou a guardar o que chega lá sobre isso. Foi então que o Comics Handbuch veio parar em minhas mãos. Já comprei vários outros livros de quadrinhos, que vou divulgando por aqui aos poucos, à medida que for lendo. Sim, porque o fato de aliar texto e imagens auxilia na compreensão, então posso ler.
Agora, um livro teórico sobre quadrinhos... Eu e você vamos ter de esperar mais um pouco.
sábado, novembro 01, 2008
Quadrinhos e a vida...
No que tange a essas questões, posso dizer que o texto do Carlos Ferreira me bateu fundo.
terça-feira, outubro 28, 2008
Quadrinhos por todos os (quatro) lados
Isso tudo para explicar que neste final de semana, aqui na Alemanha, pensei duas vezes neste blog, fazendo coisas que nada tinham a ver com ele. Nenhuma delas muito importante, mas achei que valia registrá-las.
A primeira vez foi no Schokolademuseum, em Köln (no Brasil, essa linda cidade é conhecida como Colônia). Que lugar para se pensar em quadrinhos, hein! No meio de tanto chocolate... Sim, eu sei, eu não teria porque pensar em quadrinhos lá, se não tivesse encontrado, no último andar, na seção para crianças, este brinquedo:
Não me pergunte como funciona, nem o que diz ali nessa réplica de Kinder Ovo, porque entender uma frase em alemão leva mais ou menos dez minutos, e eu não tinha todo esse tempo. Apenas vi, fotografei e agora compartilho.
A segunda vez foi assistindo a um filme da minha infância, que peguei para treinar o idioma e lembrar do tempo em que era eu quem deixava malucos os adultos à minha volta. O nome do filme: "Die Unendliche Geschichte". Calma, calma, não vá embora. Não se assuste com o nome. Você certamente também já assistiu a esse filme na Sessão da Tarde. "História Sem Fim", em português.
Pois numa das primeiras cenas do filme, o menino Bastian, fugindo de garotos que o perseguem, vai parar numa velha livraria. A conversa que ele trava com o livreiro é mais ou menos assim:
Livreiro: - Vai embora! Eu não posso com crianças! - Bastian caminha em direção ao velho, que está sentado na poltrona, fumando cachimbo e lendo: - Você ainda está aí! Você não escutou o que eu disse? Está brincando de esconde-esconde ou o quê?
Bastian, apontando para os livros: - Não, eu só queria...
- A locadora fica na próxima esquina! Aqui não tem nada que interesse a crianças da sua idade! Só livros!
- Eu sei o que são livros. Eu tenho 186 no meu quarto!
- Sim, quadrinhos, eu sei! - o livreiro abana o ar em sinal de desdém e volta-se para o livro que está lendo.
- Não! "O Último Moicano", "Old Surehand", "Winnetou 1, 2, 3", "Robinson Crusoe", "Die Schatzinsel", "20 Mil Léguas Submarinas"... [nota do tradutor (no caso, eu): alguns títulos não consegui traduzir!]
- Hum... Venha cá! - o livreiro muda de atitude. - De quem você está fugindo?
E o diálogo segue por aí, até o velho apresentar o tal livro "História Sem Fim" para o menino. O resto não interessa mais para os propósitos deste blog.
Enfim, sobre esse trecho, eu fiquei pensando em que posição complicada e dúbia ficam todos aqueles que se dispõem a lidar com quadrinhos de maneira séria. Quer dizer, por um lado, quadrinhos são vistos como mais uma dessas bobagens que têm por aí, nada muito importante. Por outro, numa visão mais evoluída, é uma linguagem madura que pode ser usada para fazer obras-primas, e também um instrumento pedagógico, por conjugar texto e imagem. Quer dizer, quadrinhos podem ser vistos de dois modos completamente diferentes, conforme a visão. Numa, ele é a última bolachinha do pacote. Na outra, algo para pisar em cima. Complicado, não? E como fica quem trabalha com quadrinhos? Como conciliar duas visões tão diferentes sobre o próprio trabalho?
Bem, ainda não encontrei resposta, mas achei interessante pensar em como seria essa cena, se fosse feita num pensamento quadrinisticamente correto: o menino Bastian, fugindo de garotos que o perseguem, vai parar numa loja especializada em quadrinhos. A conversa que ele trava com o dono da loja é mais ou menos assim:
Dono da loja: - Vai embora! Eu não posso com crianças! - Bastian caminha em direção ao homem, que está sentado na poltrona, mexendo no piercing e lendo: - Você ainda está aí! Você não escutou o que eu disse? Está brincando de esconde-esconde ou o quê?
Bastian, apontando para os quadrinhos nas estantes: - Não, eu só queria...
- A banca de jornal fica na próxima esquina! Aqui não tem nada que interesse a crianças da sua idade! Só obras-primas dos quadrinhos!
- Eu sei o que são quadrinhos. Eu tenho 186 no meu quarto!
- Sim, gibis, eu sei! De super-herói! Aqui só tem quadrinhos de alto nível! - o dono da loja abana o ar em sinal de desdém e volta a ler.
- Não! "Maus", "Palestina", "Calvin & Haroldo", "Persépolis", "Mafalda"...
- Hum... Venha cá! - o homem muda de atitude. - De quem você está fugindo?
E o diálogo segue por aí, até o velho apresentar ao menino o tal livro "História Sem Fim", uma obra em quadrinhos de cair o queixo.
quarta-feira, outubro 22, 2008
Não está morto quem peleia
Dê uma olhada no trabalho de Daniel cutucando aqui! Por causa do seu traço, já o chamaram de "o Frank Miller santamariense".
domingo, outubro 12, 2008
Ainda sobre arte contemporânea
Agora o segundo bloco:
Gostaria muito de ter participado da feitura desse programa. Em todo caso, como webtelespectador, lembrei da reportagem sobre o tema que escrevi certa feita, e que me garantiu a seleção no programa Rumos Itaú Cultural de Jornalismo 2004/2005. Foi como um exercício para esse programa que o cabruuum surgiu. Acho que nunca repliquei a reportagem aqui, porque nada tem a ver com quadrinhos. Como falamos agora sobre arte contemporânea, por que não?
SANTA MARIA DAS INTERVENÇÕES URBANAS
(A arte está dentro ou fora dos museus?)
Árvores pintadas de azul, bacias amarelas espalhadas pelo campus da universidade, a frase “Aonde é que tu vaaaai?” estampada em pontos estratégicos das avenidas e ruas... decididamente, Santa Maria, município localizado no interior do Rio Grande do Sul, não é uma cidade convencional.
Uma idéia
“É típico o caso de Christo [artista francês], que envolve em plástico monumentos e até trechos de paisagem, quase recriando um estado de curiosidade em relação a fatores ambientais que haviam se tornado costumeiros e, portanto, desinteressantes.”
Giulio Carlo Argan, crítico italiano
Se você seguir as formigas desenhadas no rodapé das paredes do prédio 40 da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pode ser que encontre Rebeca Lenise Stumm. Rebeca, professora do curso de Desenho e Plástica, é sub-chefe do Departamento de Artes Visuais e orientadora do projeto Intervenções Artísticas no Espaço Comunitário – Laboratório Reflexivo sobre Linguagens Contemporâneas. Mas não confunda as coisas: as formigas foram pintadas pelos estudantes de Desenho Industrial, o que confirma a tese de que o conceito de artista está sumindo; segundo Rebeca, todas as pessoas devem ser consideradas artistas.
Descendo ao subsolo do prédio, há uma sala onde, bem no centro, em meio a quadros, esculturas, restos de materiais espalhados pelo chão, jaz um armário. É daí que Rebeca retira a pasta com as fotos dos trabalhos dos seus alunos - um “rio” de lona percorrendo o campus, árvores com tiras de papel vermelho colados ao tronco, quilos de argila disponibilizados para o manuseio público em alguns setores da universidade, um rastro de sangue dentro do Centro de Artes e Letras... Trata-se de intervenções urbanas, obras de arte que modificam o ambiente em que estão inseridas, fazendo com que as pessoas que circulam por esse ambiente passem a olhá-lo com outros olhos. A intenção é fazer com que a sociedade questione a sua maneira corriqueira de agir sobre as coisas do cotidiano, fazer com que o banal se torne ponto de reflexão.
- As crianças às vezes acham que estão num parque de diversões quando vão à Bienal – comenta a professora.
De fato, apesar do sucesso alcançado junto ao público, há uma preocupação em não transformar a intervenção em mero entretenimento, inclusive na produção. Pois Rebeca diz que é a intenção do autor que diferencia o bom do mau artista. Além do mais, não há uma preocupação maior com o acabamento da obra, já que esta acaba falando sobre o próprio processo de fazê-la. O que conta, portanto, é o referencial teórico do trabalho.
A história do artista holandês Van Gogh, que se trancou sozinho em seu ateliê e, de propósito, cortou a própria orelha, é um exemplo citado por Rebeca do que a arte não quer mais. Nesse novo cenário da produção artística, é o trabalho em grupo que prevalece. Como na música e nas artes cênicas. A Arte Contemporânea, em si, já representaria uma busca por uma maior interação com o público. E, nesse caminho contrário à elitização da arte, as intervenções urbanas exercem papel fundamental.
Um quadro
“A arte acontece, a arte ocorre, isto é, a arte... é um pequeno milagre.”
Jorge Luis Borges, escritor argentino
- Estamos na terra de ninguém! – desabafa Alfonso Benetti, coordenador do curso de Desenho e Plástica.
A sua visão justifica-se assim: já não se sabe mais o que é retrógrado e o que é vanguarda. Há uma busca pela novidade, acima da qualidade. Hoje em dia, arte é aquilo que é declarado como tal, e ponto final.
Sentado numa cadeira do seu ateliê, as pernas cruzadas, as mãos mexendo num rolo de fita adesiva, os olhos em nenhum momento fitando o interlocutor, Alfonso revela sua opinião sobre intervenções urbanas: em resumo, uma arte “inócua” e “pífia”. Por quê? Ora, porque a sensação de estranhamento, típica das intervenções, é esgotada ao primeiro olhar; após isso, a obra não suscita divagações mais profundas. Não há permanência: as obras se destroem logo após serem construídas, tornando-se materialmente “descartáveis”. Assim, as intervenções urbanas acabam tendo, ironicamente, um papel alienador.
Alfonso estabelece uma ligação com a mídia: ela mostra o que choca ou é visualmente atraente e, assim, as intervenções urbanas preenchem espaço; no sentido oposto, essas acabam ganhando legitimidade como obras de arte ao aparecerem na mídia. A própria sensação de estranhamento seria uma idéia bem típica da indústria cultural em que se transformou a sociedade contemporânea, querendo atrair a atenção das pessoas para qualquer coisa, fazer alarde sobre tudo. O professor também enxerga uma concorrência entre as intervenções urbanas e a publicidade na busca pela sensação de estranhamento, dando origem a uma espécie de guerra visual nos espaços urbanos.
Para Alfonso, a relação do interventor urbano com seu público é “cínica”: na maioria dos casos, o primeiro não sabe o que está dizendo, é simplesmente discurso em cima do vazio; o segundo, que já não está familiarizado com a linguagem da arte tradicional, vê-se mais perdido ainda com essa nova linguagem das intervenções urbanas. Assim, Alfonso vai contra a idéia de que a Arte Contemporânea proporciona uma aproximação com o público. Além do mais, o estranhamento pode ser entendido como uma brincadeira com o sentimento das pessoas, o que, segundo Alfonso, não justifica o trabalho artístico. Para ele, a arte não é deboche.
O professor Alfonso trabalha com pintura há trinta anos. E o que é arte para ele, então? Bem, um pedaço da sua resposta está nas idéias do filósofo alemão Friedrich Nietzsche: a arte é um afago, um carinho para o homem. Tem de ser humana, ter vitalidade, passar a presença viva do artista na obra, não pode ser mera técnica. Mas a arte não pode lidar com protesto, então? Aí é que entra o outro pedaço. Segundo Alfonso, pode sim, mas tem que haver sempre uma proposta, uma esperança, uma redenção. Não pode somente botar mais sujeira no mundo, que disso o mundo já está cheio.
Outra idéia
“Em resumo, ficou demonstrado que nenhum homem pode sentar-se a escrever sem uma profundíssima intenção.”
Edgar Allan Poe, escritor norte-americano
Uma repartição de vidro separa Tetê Barachini de seu ateliê. E é assim que a professora tem um pequeno escritório à sua disposição, com poltronas, cadeiras, um armário, uma escrivaninha, livros... e um computador, de onde se pode acessar o site do projeto Deusa Morna, que Tetê orienta. Enquanto as imagens das intervenções urbanas produzidas pelos seus orientandos enchem a tela, a professora fala de uma palestra que o grupo promoveu: um estranho texto sobre o amarelo foi lido para uma platéia que, devido à disposição caótica das cadeiras, não ficava voltada para o palco; ao mesmo tempo, câmeras filmavam a movimentação fora do edifício e as imagens eram passadas num telão; além disso, o interior do anfiteatro era iluminado por pontos de luz dispostos de maneira aleatória. A palestra acabou se tornando, assim, uma nova intervenção urbana.
Surge a primeira pergunta: essa não acaba se tornando uma arte fácil de se fazer? Tetê responde com outra pergunta: quem disse que a arte tem que ser difícil? E questiona a visão religiosa da arte como algo que requer silêncio e seriedade para apreciação, defendendo que o entretenimento pode estar presente tanto na sua fruição quanto na sua produção. O que não exclui a necessidade da existência do artista; são eles que têm o domínio dessa linguagem da arte, portanto, são os únicos aptos a produzir intervenções urbanas que não causem apenas um choque, um susto, mas que proporcionem uma pausa na vida urbana, com o intuito de colocar as coisas em novos lugares.
E depois desse estranhamento, o que sobra? Nada. Pois Tetê diz que é proposital deixar as obras inacabadas. Neste mundo rápido e dinâmico, não há tempo para detalhismo: o que importa é o discurso. Os interventores urbanos querem apenas provocar desconforto. Não se busca a permanência dessa sensação. Os trabalhos são construídos para serem fugazes mesmo. O papel do artista, então, é estar sempre buscando novas maneiras de provocar a sensação de estranhamento.
- Nós não somos artistas de rua, mas sim artistas indo para a rua – esclarece Tetê.
E isso não significa somente uma aproximação com o público. Segundo a professora, o movimento é uma tentativa de popularizar a discussão sobre arte, sem entrar em questões mercadológicas. Até porque não há espaço para todos os artistas exporem nos museus.
A professora Tetê faz questão de ressaltar que as intervenções urbanas não são feitas para pequenas comunidades. É, sim, um movimento criado para e a partir do mundo urbano. E como se lida com a diversidade de culturas desse público tão heterogêneo que são os habitantes das cidades? Tetê diz que é através do universal. Trata-se de uma nova linguagem, diferente da usada na arte tradicional. O espectador é diferente, a arte também. Segundo Tetê, as intervenções urbanas representam uma nova postura perante o mundo. Em outras palavras, trata-se de uma arte do nosso tempo.
Uma conclusão?
“Toda definição do fenômeno em termos gerais corre o risco de constituir uma nova contribuição àquela genericidade típica da mensagem de massa.”
Umberto Eco, crítico italiano
O leitor atento perceberá que há coincidências nas falas dos três entrevistados, mesmo quando as idéias se opõem. Contradição ou apenas pontos de vista diferentes? Talvez uma demonstração de que a diversidade cultural deve ser pensada não só em termos de fruição, mas também de produção da obra de arte. Pode ser uma questão de gostos e de atitudes, tanto do artista quanto do público.
E então, a arte está dentro ou fora dos museus? Para essa pergunta não há uma só resposta. O debate em torno da Arte Contemporânea é muito amplo. Por outro lado, ele só é possível graças a discussões como a do curso de Desenho e Plástica da UFSM. No fim, é um debate entre indivíduos (e suas idéias). Portanto, cabe agora ao leitor tirar suas próprias conclusões.
quarta-feira, outubro 08, 2008
Falando em acesso...

Em tempo: o Rafael tem uma série muito boa chamada Sapatiras. É surpreendente a criatividade e os diálogos inteligentes que ele consegue fazer usando calçados como personagens. Isso mesmo, calçados!
Veja por si mesmo visitando o blog do Rafael. Cutuque aqui!
Post para reforçar a marca

Ainda não tive acesso ao "Manual", embora o Marcelo tenha me passado o link. Cutuque aqui para ler!

O "Manual do Super-Herói" é voltado para o público infantil, como o Marcelo bem comentou. Mas o que um criança pode ler que um adulto também não pode? Dentro de cada adulto tem uma criança. Nós crescemos que nem cebola, de dentro para fora, e nosso corpo de adulto é a casca.
Ai, ai... É o que dá conviver com crianças na Alemanha.
quarta-feira, outubro 01, 2008
Não é quadrinhos...
"Na Alemanha, um pouquinho de Brasil, iá, iá...
Em Haselünne, pequena cidade no norte da Alemanha, uma família multicultural vive diariamente a experiência de intercâmbio
Por Augusto Paim
No dia 17 de outubro de 2003, início da tarde, a alemã Christine Hoffmeister chegou ao abrigo Tia Júlia, em Fortaleza, Ceará. Trazia consigo a carta autorizando a adoção do menino José Iládio da Silva Rodrigues. Havia já seis anos que Christine esperava por essa decisão judicial, e agora a tinha em mãos. Não conseguiu nem almoçar, de ansiedade.
Na porta do abrigo, a assistente social pegou a carta, leu e falou: 'Não pode ser. Aqui diz que é para você adotar o Iládio. Ele tem um irmão!'. Christine não sabia. Iládio, de 6 anos, foi escolhido para adoção porque era o primeiro da lista de espera. A assistente social fez Christine entrar. Lá dentro, mostrou a carta a outras funcionárias do abrigo. Todas ficaram surpresas. Diziam: 'Vão separar os irmãos.'
Christine foi levada para a sala onde se faz o contato inicial entre os pais adotivos e a criança. Iládio entrou. A assistente social fez a apresentação: 'Iládio, agora você tem uma nova mãe. Ela vem da Alemanha'. O menino sentou-se no colo de Christine. A nova mãe disse: 'Eu aprendi português para falar com você'.
As pessoas na sala discutiam sobre o problema do irmão. Christine entrou no assunto e não percebeu quando Iládio, pequeno e magro, saiu de seu colo. Em instantes, porém, voltou, trazendo pela mão outro menino, ainda menor. Os dois foram até Christine.
'Benedito', disse Iládio para o irmão, 'essa é nossa nova mãe.'"
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