sábado, fevereiro 11, 2006

Uma difícil questão [enviado especial a Porto Seguro, BA]

Liberdade de expressão e (cuidado: não é versus) respeito à crença alheia. Isso poderia ser uma disputa, mas é melhor colocar como dois pesos de uma balança. Pois é no equilíbrio que os dois lados acham um meio-termo.

Você deve ter lido/ouvido/visto por aí: a publicação, em setembro do ano passado, na Dinamarca, de charges cujo personagem é o profeta muçulmano Maomé suscitou conflitos (simbólicos e/ou sangrentos) entre o mundo árabe e o Ocidente. Agora, em fevereiro, a revista jordaniana Shihane republicou as charges, provocando mais distúrbios. Eis uma delas:





[Veja outras charges e um fórum de discussões sobre o assunto cutucando com o mouse aqui!]

Daí que a gente pode pensar: poxa, só por causa de uma caricatura como essa aí de cima o povo lá do outro lado destrói embaixadas, incendeia prédios e usa a bandeira da Dinamarca pra limpar os pés? Acontece que o Islamismo não permite qualquer tipo de representação do seu líder.

Bem, a questão não parece ser simples. Vou resumir algumas idéias que peguei da internet pra suscitar o debate:

  • "O Vaticano, por sua vez, afirmou que o direito à liberdade de expressão não inclui a ofensa às crenças religiosas (...)" (Matéria do portal Terra)
  • "O principal jornal iraniano anunciou (...) um concurso de caricaturas sobre o Holocausto, em resposta à publicação de desenhos do profeta Maomé nos jornais europeus (...)" (Matéria do Jornal da Mídia)
  • "O jornal dinamarquês Jyllands-Posten, o primeiro que publicou as polêmicas charges do profeta Maomé, há três anos havia se negado a divulgar ilustrações satirizando Jesus Cristo, já que as considerava ofensivas para seus leitores e nada engraçadas (...)" (Outra do Jornal da Mídia)
  • "Jornais na França, Alemanha, Espanha, Suíça e Hungria republicaram a charge esta semana, dizendo que a liberdade de imprensa é mais importante que os protestos e boicotes provocados pelo desenho." (Matéria do Yahoo!)
  • "O France Soir publicou uma nova charge em sua primeira página mostrando figuras sagradas budistas, judaicas, muçulmanas e cristãs sentadas em uma nuvem, com a legenda: 'Não se preocupe, Maomé, nós todos já viramos caricaturas aqui'." (Matéria da BBC Brasil)

A resposta dos cartunistas

Essa imagem aí do lado é uma espécie de "contra-charge" (acho que acabo de inventar a palavra). Você sabe, o povo que faz cartunismo é tão unido quanto os fundamentalistas. O povo do jornalismo também, o que já dá pano pra manga nesse debate...

[tirei a charge do http://www.chargeonline.com.br/]

4 comentários:

Marcelo Cordeiro disse...

Pois é. Deus é um tema sempre polêmico. Talvez porque a gente não entenda, não veje, não toque, não coma. Mas ele é presença para aqueles que acreditam. É vivo e é vida. Por isso a revolta quando se toca em algo tão forte para uma religião, afinal de contas, Maomé, foi quem revelou o deus Alá als muçulmanos. Mais ou menos como o Cristo para os cristãos. Ou seja, um mundo de extremos, oferece reações extremas.
Mas não é esse o ponto que queria comentar. Talvez a charge dos chargistas que foram contra a charge feita por outros chargistas os extremistas que não toleram as diferenças, não seja uma "contra-charge", como você sugeriu, Augusto. Até pode ser, se for oposta a produção de todo o tipo de charge. Mas acho que ela se limita a criticar as produções desmedidas e extremistas, assim como os gestos daqueles que chutam santas, etc. Enfim, só uma reflexão,

Boa discussão

Theo G. Alves disse...

enquanto isso na Liga da Justiça, fico esperando que aliar liberdade e bom senso se torne uma tarefa mais fácil, mais simples. isso ajudaria um bocado.

augusto, cumpriste um belo papel trazendo a discussão pra cá e apresentando-a dessa forma.

um abraço!

Daniela Mann disse...

Um blog de categoria, devo dizer!

Eloisa Beling Loose disse...

Vc não sossega nem de férias, hein amigo?
Isso que é um jornalista de verdade e, o essencial, de qualidade!!!!
Gostei do teu trabalho!!!
Bju grande!!!