segunda-feira, dezembro 22, 2008

Recém saído da casca

Notícia do site Omelete:

"Adaptação para quadrinhos de 'O Pequeno Príncipe' sai no Brasil" [leia mais]


domingo, dezembro 21, 2008

Errata + download

Carlos Ferreira disponibilizou a versão em pdf do seu livro "Caos". Cutuque aqui para baixar!

Carlos também corrigiu uma informação do post anterior: "a versão em pdf é completa, não a primeira da mini série. Mas uma novidade: Caos é parte de uma trilogia, CAOS, COSMOS, ENTROPIA."

Ficamos no aguardo então das outras obras!

sábado, dezembro 20, 2008

Ajudando a divulgar o caos

Carlos Ferreira, quadrinista e blogueiro (entre outras coisas), cuja crítica metafísica a um trabalho de quadrinhos eu elogiei outro dia, me enviou em pdf o livro que lançou esta semana em São Paulo. Chama-se "Caos". Na verdade, é apenas o primeiro volume de uma série de seis.


Para poupar repetições do que já foi dito, replico aqui o release:

"Em um dia qualquer, Cao, nerd apressado para não perder o seu programa de tevê, encontra um estranho olho no caminho de casa. Fã de Will Black, uma personagem da série de tevê Religio, série que Cao acompanha metodicamente, desperta mais a sua atenção com um detalhe no episódio inédito onde uma coincidência, um outro estranho olho também é encontrado por Will Black. Isso desperta em Cao mais atenção nas nuances da série que emergem em sua vida. Aos poucos ele irá perder o seu senso de realidade, assim como Will Black. Isso levará aos dois à mesma jornada surreal, intimista e de profundo horror.

Caos é uma história em quadrinhos que mistura vários gêneros como o suspense, realismo fantástico, drama e horror. Não é nada convencional. É quadrinhos que experimenta novos desafios na linguagem e na narrativa da nona arte. História em quadrinhos que já foi publicada em 2004 e agora, quatro anos após, é reeditada pelo próprio autor para dar início há uma nova proposta editorial, o selo de quadrinhos Ferreteria. A trama de Caos é centrada na personagem Cao (alter-ego de Carlos Ferreira) e na personagem Will Black (paródia da personagem Frank Black da extinta série de tevê Millennium de Chris Carter).

Carlos Ferreira é gaúcho. Roteirista e desenhista, uma das referências dos quadrinhos de autor underground dos pampas, é cineasta, diretor de tevê de diversas séries realizadas na RBSTV, filial da ( Globo) entre elas: Histórias Extraordinárias. Publicou nas revistas Dundum, Peekaboo, Made in Brasil, La Voz del Bajo, Olho Mágico e outras, em diversos países como Argentina, Alemanha e Japão. Em 2009 é previsto o lançamento de Os Sertões, pela editora Agir, polêmica adaptação para quadrinhos que Ferreira assina como roteirista. Obra realizada com o seu comparsa, o desenhista Rodrigo Rosa."

São 224 páginas, que li em alguns minutos, pois cada quadro ocupa uma página inteira. Me faltou uma visão do todo, ou seja, me faltaram os outros cinco volumes, mas já há o que dizer. Trata-se de uma obra para quem, como eu, gosta de psicologia, psicanálise ou apenas de observar o ser humano em seu íntimo, sem o aparato científico. E nos auto-observar também, ser humanos que somos. Os desenhos, em preto e branco (aliás, muito bons, atendo-se apenas ao essencial da representação imagética de determinado objeto ou corpo, valorizando a composição em detrimento da firulagem artística), retratam o lado Sombra das personagens e, consequentemente, do leitor. Sim, porque no fundo a obra me parece ser sobre isso, sobre o lado sombrio que todos carregamos, os medos, os desejos reprimidos, as frustrações, a vontade de ser não sendo, a aculturação repressiva. Não que sejamos maus, diga-se de passagem. Apenas não somos somente bons.

Enfim! Pelos desenhos e pelo profundo subtexto, Caos é uma obra que vale a pena ser lida. Mas não antes de dormir, por favor!

domingo, dezembro 14, 2008

Baixa que eu quero ver!

Os companheiros Reuben da Cunha e Léo Foletto montaram uma parceria de peso, o que seria natural de acontecer, já que os dois foram apresentados um ao outro pela minha pessoa, que é bem pesada. O principal fruto (já que penso em comida no momento) dessa parceria é o Baixa Cultura, um blog para cultura livre e downloadagem geral e liberada.

Sou amigo dos dois, mas não divulgaria o trabalho deles só por amizade, já que este humilde blog tem o enfoque temático bem definido. Acontece que a dupla fez três posts nesta semana falando sobre quadrinhos.

No primeiro, Reuben divulga blogs e sites que disponibilizam scans de HQs. A propósito, há permanentemente uma coluna há direita no Baixa Cultura direcionando a homepages do tipo.

No segundo post, Léo fala sobre um banco de dados de webcomics em espanhol, mas que você já consegue ler se entender portunhol.

E o terceiro post, autoria de Reuben, fala da nova série de André Dahmer, autor do famigerado Malvados.

Bem, já linquei com quadrinhos, agora digo: visite o Baixa Cultura sempre! É realmente um trabalho de primeira, independente do tema!

terça-feira, dezembro 02, 2008

HQ investigativa

"Quadrinhos mostram primeira dama da França como maquiavélica.
do Correio da Bahia
A primeira edição de uma história em quadrinhos sobre o primeiro ano do governo do presidente francês Nicolas Sarkozy já se esgotou nas bancas do país - o detalhe é que a obra mostra a suposta influência que a primeira-dama, a cantora e ex-top-model franco-italiana Carla Bruni, tem em assuntos de Estado. [...] A obra é a terceira HQ do jornalista Philippe Cohen sobre Sarkozy. Com o primeiro, ele inaugurou o que os franceses chamam de 'HQ investigativa', pois narra a biografia do presidente. As obras misturam fatos reais e imaginários."
[leia mais]

História DOS quadrinhos

O quadrinista Carlos Ferreira têm publicado fotos (com textos) da I Bienal de Quadrinhos do Rio de Janeiro no seu blog "Quadrinhos criticados". Para quem gosta de notar como o tempo passa, o tempo voa (o evento pioneiro aconteceu em 1991), vale a pena ler o registro das experiência alheias.

É... 1991 já parece uma passado distante!

segunda-feira, novembro 24, 2008

Cabruuum, ano 4

E eis que o cabruuum completou, na última sexta-feira, 3 anos de idade. É um bebê ainda, mas já fala, e fala sobre quadrinhos.

(Se bem que, no padrão blogueiro, 3 anos é no mínimo juventude.)

Para comemorar a data, que para mim é realmente muito importante (eu nem precisaria dizer isso, mas agora já disse e não vou apagar o que escrevi, é mais fácil continuar escrevendo sempre pra frente, pra frente, pra frente...), publico aqui um texto da Babi Borghese, do Itaú Cultural, em homenagem ao cabruuum e a outros cinco blogs contemporâneos. Sim, pois este humilde blog surgiu em decorrência do programa Rumos, do Itaú Cultural, como atividade final do Laboratório Multimídia de Jornalismo Cultural, em novembro de 2005. Participei do programa com mais 13 (na época) estudantes de outros estados brasileiros. Dos quatorze blogs, restaram hoje seis.

Bem, após a contextualização, segue o texto.

Ah, antes o link para o primeiro post do cabruuum. Saudosismo em doses homeopáticas não faz mal a ninguém.

Agora sim, o texto da Babi!

***

Ano passado, logo depois de comemorarmos dois anos desses quatro blogs (se você quiser saber quais são os outros três, parafraseando o Augusto, cutuca aqui, aqui e aqui), o Rumos Jornalismo Cultural, padrinho de todos, reunia na sede do Itaú Cultural em São Paulo os 14 selecionados da primeira edição (2004-2005) e os 17 da segunda (2007-2008). Eu não via os antigos rumeiros há meses e a alegria do encontro se traduziu num imenso abraço coletivo, bem na frente da nova rumaria, que olhava aquela explosão de saudade e carinho num misto de surpresa e admiração.

Cada um mata a saudade como pode. Como não posso abraçá-los a toda hora, procuro cutucar sempre os quatro blogs para lembrar do Anderson (que foi mudando seu artorpedo aos pouquinhos e hoje tá mais pra poesia do que pras gadgets do milênio), do Augusto (quem faz ou gosta de quadrinhos tem que acompanhar o cabruuum), da Elisa (que começou publicando seus poemas e hoje abre espaço no caliope pros colegas, especialmente os ibero-americanos) e do Leandro (que ao se mudar de Aracaju deixou de pegar no pé da imprensa sergipana pra falar do jornalismo cultural em geral no mascandocliche, muita coisa assinada por ele mesmo na Rede Minas, diga-se de passagem).

E agora também posso cutucar o
blog da Ludmila, reativado depois de uma pausa pra balanço, quase sem mudanças – o oraboa continua a tratar de música boa - e o novo blog da Júlia, que não é o que nasceu no Rumos, mas de qualquer forma, a vontade de blogar começou ali, então... continua valendo. E além disso, suas mini-crônicas do cotidiano de Beagá é uma delícia de tutumineiro!

É minha forma de lembrar deles, de sentir que estamos perto ainda que distantes (viva a internet!). E com isso, acabo lembrando dos outros oito, porque são todos uns queridos...

A exemplo da primeira geração de jornalistas que recebeu apoio do Itaú Cultural, certamente a segunda não vai decepcionar e novos projetos sairão dessa experiência. Ainda não sei o que vai ser dos 17, mas só espero uma coisa: que o abraço coletivo que darei ao encontrá-los vire uma tradição e se torne um símbolo da união de todos os selecionados no Rumos Jornalismo Cultural de todas as edições.

Que no ano que vem, ao celebrar mais um aniversário desses seis blogs, os recém-contemplados na edição 2009/2010 possam presenciar mais um abraço coletivo dos que terminaram a jornada. E em 2011, 2013, 2015... e que a gente tenha muitos novos blogs, sites, artigos, livros e o que mais vier pra comemorar!

Babi Borghese


***

Obrigado, Babi. Obrigado a quem me lê.

Obrigado, cabruuum!

domingo, novembro 23, 2008

Comics für Einsteiger

Nos últiimos três meses, desde que eu vim parar na Alemanha, tenho atualizado este humilde blog bem menos do que eu gostaria. Isso em vésperas de o blog completar 3 anos!

Mas não é omissão da minha parte. Sigo trabalhando com quadrinhos por aqui, procurando novidades, tocando projetos ligados a quadrinhos, falando sobre quadrinhos. O que eu descubro não vem parar logo no cabruuum porém por dois motivos. Primeiro, porque estou sem acesso à internet em casa, o que torna atualizações mais complicadas, na medida em que quando entro na internet numa lan tenho muito trabalho para pôr em dia e pouca grana para pôr na máquina. O segundo motivo, bem mais convincente, é que o material ao qual estou tendo acesso é em alemão. Minha cabeça precisa de um certo tempo para processá-lo.

Enfim, hoje tem coisa nova. A funcionária da biblioteca pública de Haselünne realmente gostou de mim. Veio me trazer do acervo três livros que ensinam a fazer quadrinhos. Antes de ela voltar com eles, pensei que ao menos um seria tradução de algum trabalho clássico da área, mas os três eram inéditos para mim. Ei os livros:


Dou as eferências bibliográficas corretas:

"Karikaturen zeichnen für Einsteiger" ("Desenhando caricaturas para principiantes"), de Walter Halbinger. Editora Augustus (não é parente), 1998. Impresso em Augsburg, Alemanha.

"Comic-Zeichnen für Einsteiger" ("Desenhando quadrinhos para iniciantes"), de Bernd Natke. Editora Augustus (não é parente mesmo, juro), 1998. Impresso em Augsburg, Alemanha.

"Comiczeichnen leichtgemacht: Helden und Schurken" ("Desenhando quadrinhos fácil: heróis e violões"), de Christopher Hart. Editora Benedikt Taschen, 1998. Impresso em Köln, Alemanha.

Todos os três livros, em folheadas atentas, me pareceram bons, embora o segundo seja mais completo. Se você deseja fazer o quase impossível - aprender a falar alemão e a desenhar ao mesmo tempo - pode começar com esses aí.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Guerra por um exemplar

Taí uma obra que eu gostaria de ter em mãos neste exato momento, para poder escrever aqui com profundidade sobre ela.


As coisas acontecem, porém, quando você não mais lá está.

Fica um humilde link de consolação.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Chibata

Esta quem me passou foi o amigo Beto Frizero, do Locutório:



"Olinto Gadelha Neto e Hemeterio lançam Chibata!
por Pedro Brandt, do Correio Braziliense

No começo do século passado, a vida na Marinha brasileira era especialmente difícil para os marujos. Por mais que a Proclamação da República tivesse abolido os castigos físicos na instituição, apenas um ano depois as punições voltaram a ser oficializadas. As faltas, dependendo do caso, eram punidas com dias na solitária e chibatadas (que poderiam chegar a 25). Para piorar, o que se via na prática era muito mais que punições visando domar a índole dos subalternos – a chibata era usada por qualquer motivo. Quem mais sofria eram os marujos negros – ou seja, a maioria nas embarcações. Inconformados com a situação – maus-tratos, soldo irrisório e rações estragadas – um grupo de marujos e oficiais de baixa patente começou a se organizar no que ficou conhecido como a Revolta da Chibata. O episódio, que até algumas décadas era um assunto tabu, inspirou a história em quadrinhos Chibata!, da dupla cearense Olinto Gadelha Neto e Hemeterio."

[leia mais]

No email do Beto, ainda havia esta pequena entrevista com um dos autores:

"Três perguntas para - Olinto Gadelha Neto
Como foi a pesquisa para a obra?

Pesquisa, roteiro e desenhos levaram dois anos. A pesquisa foi feita usando um vasto leque de materiais, especialmente livros. Alguns, como a 'bíblia' do assunto, A revolta da chibata, de Edmar Morel, se tornaram referência constante. Era preciso, aqui e ali, consultar livros mais genéricos sobre a história brasileira da época para pinçar um detalhe ou outro. A realização do roteiro deve muito à Biblioteca Pública Menezes Pimentel, aqui de Fortaleza. Eventualmente, uma viagem ao Rio de Janeiro, cenário do livro, selou a pesquisa e ajudou a pôr em ordem a geografia de cenas e o encaixe de certas passagens.

Alguma informação foi mais difícil de encontrar?

É preciso não esquecer que parte do enredo do livro é ficção, tanto para adicionar tempero, como para completar severas lacunas que existem na história de João Cândido. Não há registro documental de certos períodos da sua vida, apenas alguns fatos, datas, nomes de lugares onde viveu. A infância de João Cândido, por exemplo. O que fiz foi adequar essas partes dramatizadas ao todo da história. Então, ficção une-se aos fatos, retratados logo em seguida, fechando a saga. Um personagem, assim, épico não surge pronto como herói. É preciso entendê-lo, dar sentido a sua vida e a sua luta, saber de onde vêm suas motivações e como surgiu o instinto para a liderança.

Você inseriu diversas personalidades brasileiras na história. Isso foi uma liberdade artística ou elas realmente tiveram esse envolvimento?
Na verdade, foram ambos. Oswald de Andrade, por exemplo, foi testemunha dos eventos da revolta, tendo escrito um pequeno (e bastante cômico) depoimento sobre a noite em que os marujos se amotinaram. Aparício Torelly, o Barão de Itararé, também foi parte tangencial dessa história. Ao publicar duas reportagens sobre a revolta, foi recolhido na porta do jornal, conduzido à força por homens da Marinha que o espancaram e o soltaram nu, no meio da rua. Conseguiram, assim, suspender a série de reportagens investigativas sobre os fatos (seriam dez) e provocaram no impagável Barão a criação da placa 'entre sem bater.'"

quarta-feira, novembro 05, 2008

Cinema e quadrinhos, duas linguagens justapostas

A edição deste mês da revista Continuum, do Itaú Cultural, traz uma ilustração do Eloar Guazzelli envolvendo story board. O tema da edição é a relação do cinema com a vida.

Cutuque aqui para ver o trabalho.

É para refletir sobre as diferenças e semelhanças entre essas duas linguagens.

Teorizando em alemão

Estou muito contente com a minha mais nova aquisição em matéria de quadrinhos, o livro: "Comics-Handbuch: für Eltern, Lehrer, Erzieher". Este aí na foto.


Trata-se de uma coletânea de artigos organizados por H. Jürgen Kagelmann e voltados para pais, professores e educadores que querem trabalhar com quadrinhos no processo pedagógico. Sei que se trata disso por causa do subtítulo. O resto do livro não entendi mais nada, apesar de ter me surpreendido com a vasta referência bibliográfica nas últimas páginas, obras que eu realmente desconheço.

O importante é que paguei só 50 centavos por um livro que promete. Promete para daqui uns dez anos, quando eu finalmente dominar o idioma alemão (no momento, é ele que me domina). A barganha se deu porque visito semanalmente a biblioteca pública da cidade à procura de clássicos da literatura alemã e obras de quadrinhos em geral. Tem um saldão permanente lá, com livros bem conservados e muito baratos. Falei para a bibliotecária que escrevo sobre quadrinhos, ela se interessou e agora começou a guardar o que chega lá sobre isso. Foi então que o Comics Handbuch veio parar em minhas mãos. Já comprei vários outros livros de quadrinhos, que vou divulgando por aqui aos poucos, à medida que for lendo. Sim, porque o fato de aliar texto e imagens auxilia na compreensão, então posso ler.

Agora, um livro teórico sobre quadrinhos... Eu e você vamos ter de esperar mais um pouco.

sábado, novembro 01, 2008

Quadrinhos e a vida...

Me parece que quem critica alguma coisa, seja quadrinhos, literatura, música ou o que quer que seja, às vezes reflete mais sobre a obra e mesmo sobre a relação da obra com o mundo do que o próprio autor. Naturalmente, falo dos bons críticos, os que não se atém apenas a questões técnicas e não temem expor sua visão de mundo. Pois eu gosto da visão de mundo desta crítica de Carlos Ferreira, feita a partir de quadrinhos que ainda não tive acesso. Aliás, não chamo atenção para a obra à que a crítica se dirige, mas sim para a reflexão que surge a partir dessa obra. Afinal, o que é importante: seguir o mercado ou seguir a si mesmo? Onde está o conteúdo que pode nos tornar original? Por que ser original? Só por ser? O que queremos com nosso trabalho? O que queremos com nossa vida?

No que tange a essas questões, posso dizer que o texto do Carlos Ferreira me bateu fundo.

terça-feira, outubro 28, 2008

Quadrinhos por todos os (quatro) lados

Desde que criei este humilde blog, o mundo assumiu novas feições para mim. Deixou de ser redondo para virar quadrinho. Afinal, para todo lugar que eu olhe, aonde quer que eu vá, vejo que o mundo (e as coisas do mundo) querem falar comigo sobre o mesmo assunto: quadrinho. Ou às vezes eles querem falar sobre outra coisa, mas eu desvio para o tema.

Isso tudo para explicar que neste final de semana, aqui na Alemanha, pensei duas vezes neste blog, fazendo coisas que nada tinham a ver com ele. Nenhuma delas muito importante, mas achei que valia registrá-las.

A primeira vez foi no Schokolademuseum, em Köln (no Brasil, essa linda cidade é conhecida como Colônia). Que lugar para se pensar em quadrinhos, hein! No meio de tanto chocolate... Sim, eu sei, eu não teria porque pensar em quadrinhos lá, se não tivesse encontrado, no último andar, na seção para crianças, este brinquedo:



Não me pergunte como funciona, nem o que diz ali nessa réplica de Kinder Ovo, porque entender uma frase em alemão leva mais ou menos dez minutos, e eu não tinha todo esse tempo. Apenas vi, fotografei e agora compartilho.

A segunda vez foi assistindo a um filme da minha infância, que peguei para treinar o idioma e lembrar do tempo em que era eu quem deixava malucos os adultos à minha volta. O nome do filme: "Die Unendliche Geschichte". Calma, calma, não vá embora. Não se assuste com o nome. Você certamente também já assistiu a esse filme na Sessão da Tarde. "História Sem Fim", em português.

Pois numa das primeiras cenas do filme, o menino Bastian, fugindo de garotos que o perseguem, vai parar numa velha livraria. A conversa que ele trava com o livreiro é mais ou menos assim:

Livreiro: - Vai embora! Eu não posso com crianças! - Bastian caminha em direção ao velho, que está sentado na poltrona, fumando cachimbo e lendo: - Você ainda está aí! Você não escutou o que eu disse? Está brincando de esconde-esconde ou o quê?

Bastian, apontando para os livros: - Não, eu só queria...

- A locadora fica na próxima esquina! Aqui não tem nada que interesse a crianças da sua idade! Só livros!

- Eu sei o que são livros. Eu tenho 186 no meu quarto!

- Sim, quadrinhos, eu sei! - o livreiro abana o ar em sinal de desdém e volta-se para o livro que está lendo.

- Não! "O Último Moicano", "Old Surehand", "Winnetou 1, 2, 3", "Robinson Crusoe", "Die Schatzinsel", "20 Mil Léguas Submarinas"... [nota do tradutor (no caso, eu): alguns títulos não consegui traduzir!]

- Hum... Venha cá! - o livreiro muda de atitude. - De quem você está fugindo?

E o diálogo segue por aí, até o velho apresentar o tal livro "História Sem Fim" para o menino. O resto não interessa mais para os propósitos deste blog.

Enfim, sobre esse trecho, eu fiquei pensando em que posição complicada e dúbia ficam todos aqueles que se dispõem a lidar com quadrinhos de maneira séria. Quer dizer, por um lado, quadrinhos são vistos como mais uma dessas bobagens que têm por aí, nada muito importante. Por outro, numa visão mais evoluída, é uma linguagem madura que pode ser usada para fazer obras-primas, e também um instrumento pedagógico, por conjugar texto e imagem. Quer dizer, quadrinhos podem ser vistos de dois modos completamente diferentes, conforme a visão. Numa, ele é a última bolachinha do pacote. Na outra, algo para pisar em cima. Complicado, não? E como fica quem trabalha com quadrinhos? Como conciliar duas visões tão diferentes sobre o próprio trabalho?

Bem, ainda não encontrei resposta, mas achei interessante pensar em como seria essa cena, se fosse feita num pensamento quadrinisticamente correto: o menino Bastian, fugindo de garotos que o perseguem, vai parar numa loja especializada em quadrinhos. A conversa que ele trava com o dono da loja é mais ou menos assim:

Dono da loja: - Vai embora! Eu não posso com crianças! - Bastian caminha em direção ao homem, que está sentado na poltrona, mexendo no piercing e lendo: - Você ainda está aí! Você não escutou o que eu disse? Está brincando de esconde-esconde ou o quê?

Bastian, apontando para os quadrinhos nas estantes: - Não, eu só queria...

- A banca de jornal fica na próxima esquina! Aqui não tem nada que interesse a crianças da sua idade! Só obras-primas dos quadrinhos!

- Eu sei o que são quadrinhos. Eu tenho 186 no meu quarto!

- Sim, gibis, eu sei! De super-herói! Aqui só tem quadrinhos de alto nível! - o dono da loja abana o ar em sinal de desdém e volta a ler.

- Não! "Maus", "Palestina", "Calvin & Haroldo", "Persépolis", "Mafalda"...

- Hum... Venha cá! - o homem muda de atitude. - De quem você está fugindo?

E o diálogo segue por aí, até o velho apresentar ao menino o tal livro "História Sem Fim", uma obra em quadrinhos de cair o queixo.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Não está morto quem peleia

Faz algum tempinho que acompanho à distância o crescimento de um novo nome do quadrinho nacional. Quer dizer, novo para mim, o que é até curioso, pois Daniel Pereira dos Santos vive em Santa Maria-RS, cidade onde por seis anos morei (como nunca nos encontramos?), e que é a base a partir da qual ele dá vôos mais altos. Vale registrar, por exemplo, que no sábado Daniel estará lançando "Muertos" na HQ Mix Livraria, em São Paulo.

Dê uma olhada no trabalho de Daniel cutucando aqui! Por causa do seu traço, já o chamaram de "o Frank Miller santamariense".

domingo, outubro 12, 2008

Ainda sobre arte contemporânea

O cartum do post anterior, do Rafael Corrêa, pode ser analisado sob a ótica da arte contemporânea. Aproveito o gancho, então, para replicar aqui a última edição do Fiz + Sotaques, novo programa webtelevisivo da webtelevisão brasileira. Ficou realmente muito bom.



Agora o segundo bloco:



Gostaria muito de ter participado da feitura desse programa. Em todo caso, como webtelespectador, lembrei da reportagem sobre o tema que escrevi certa feita, e que me garantiu a seleção no programa Rumos Itaú Cultural de Jornalismo 2004/2005. Foi como um exercício para esse programa que o cabruuum surgiu. Acho que nunca repliquei a reportagem aqui, porque nada tem a ver com quadrinhos. Como falamos agora sobre arte contemporânea, por que não?

SANTA MARIA DAS INTERVENÇÕES URBANAS
(A arte está dentro ou fora dos museus?)

Árvores pintadas de azul, bacias amarelas espalhadas pelo campus da universidade, a frase “Aonde é que tu vaaaai?” estampada em pontos estratégicos das avenidas e ruas... decididamente, Santa Maria, município localizado no interior do Rio Grande do Sul, não é uma cidade convencional.

Uma idéia
“É típico o caso de Christo [artista francês], que envolve em plástico monumentos e até trechos de paisagem, quase recriando um estado de curiosidade em relação a fatores ambientais que haviam se tornado costumeiros e, portanto, desinteressantes.”
Giulio Carlo Argan, crítico italiano

Se você seguir as formigas desenhadas no rodapé das paredes do prédio 40 da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pode ser que encontre Rebeca Lenise Stumm. Rebeca, professora do curso de Desenho e Plástica, é sub-chefe do Departamento de Artes Visuais e orientadora do projeto Intervenções Artísticas no Espaço Comunitário – Laboratório Reflexivo sobre Linguagens Contemporâneas. Mas não confunda as coisas: as formigas foram pintadas pelos estudantes de Desenho Industrial, o que confirma a tese de que o conceito de artista está sumindo; segundo Rebeca, todas as pessoas devem ser consideradas artistas.

Descendo ao subsolo do prédio, há uma sala onde, bem no centro, em meio a quadros, esculturas, restos de materiais espalhados pelo chão, jaz um armário. É daí que Rebeca retira a pasta com as fotos dos trabalhos dos seus alunos - um “rio” de lona percorrendo o campus, árvores com tiras de papel vermelho colados ao tronco, quilos de argila disponibilizados para o manuseio público em alguns setores da universidade, um rastro de sangue dentro do Centro de Artes e Letras... Trata-se de intervenções urbanas, obras de arte que modificam o ambiente em que estão inseridas, fazendo com que as pessoas que circulam por esse ambiente passem a olhá-lo com outros olhos. A intenção é fazer com que a sociedade questione a sua maneira corriqueira de agir sobre as coisas do cotidiano, fazer com que o banal se torne ponto de reflexão.

- As crianças às vezes acham que estão num parque de diversões quando vão à Bienal – comenta a professora.

De fato, apesar do sucesso alcançado junto ao público, há uma preocupação em não transformar a intervenção em mero entretenimento, inclusive na produção. Pois Rebeca diz que é a intenção do autor que diferencia o bom do mau artista. Além do mais, não há uma preocupação maior com o acabamento da obra, já que esta acaba falando sobre o próprio processo de fazê-la. O que conta, portanto, é o referencial teórico do trabalho.

A história do artista holandês Van Gogh, que se trancou sozinho em seu ateliê e, de propósito, cortou a própria orelha, é um exemplo citado por Rebeca do que a arte não quer mais. Nesse novo cenário da produção artística, é o trabalho em grupo que prevalece. Como na música e nas artes cênicas. A Arte Contemporânea, em si, já representaria uma busca por uma maior interação com o público. E, nesse caminho contrário à elitização da arte, as intervenções urbanas exercem papel fundamental.

Um quadro
“A arte acontece, a arte ocorre, isto é, a arte... é um pequeno milagre.”
Jorge Luis Borges, escritor argentino

- Estamos na terra de ninguém! – desabafa Alfonso Benetti, coordenador do curso de Desenho e Plástica.

A sua visão justifica-se assim: já não se sabe mais o que é retrógrado e o que é vanguarda. Há uma busca pela novidade, acima da qualidade. Hoje em dia, arte é aquilo que é declarado como tal, e ponto final.

Sentado numa cadeira do seu ateliê, as pernas cruzadas, as mãos mexendo num rolo de fita adesiva, os olhos em nenhum momento fitando o interlocutor, Alfonso revela sua opinião sobre intervenções urbanas: em resumo, uma arte “inócua” e “pífia”. Por quê? Ora, porque a sensação de estranhamento, típica das intervenções, é esgotada ao primeiro olhar; após isso, a obra não suscita divagações mais profundas. Não há permanência: as obras se destroem logo após serem construídas, tornando-se materialmente “descartáveis”. Assim, as intervenções urbanas acabam tendo, ironicamente, um papel alienador.

Alfonso estabelece uma ligação com a mídia: ela mostra o que choca ou é visualmente atraente e, assim, as intervenções urbanas preenchem espaço; no sentido oposto, essas acabam ganhando legitimidade como obras de arte ao aparecerem na mídia. A própria sensação de estranhamento seria uma idéia bem típica da indústria cultural em que se transformou a sociedade contemporânea, querendo atrair a atenção das pessoas para qualquer coisa, fazer alarde sobre tudo. O professor também enxerga uma concorrência entre as intervenções urbanas e a publicidade na busca pela sensação de estranhamento, dando origem a uma espécie de guerra visual nos espaços urbanos.

Para Alfonso, a relação do interventor urbano com seu público é “cínica”: na maioria dos casos, o primeiro não sabe o que está dizendo, é simplesmente discurso em cima do vazio; o segundo, que já não está familiarizado com a linguagem da arte tradicional, vê-se mais perdido ainda com essa nova linguagem das intervenções urbanas. Assim, Alfonso vai contra a idéia de que a Arte Contemporânea proporciona uma aproximação com o público. Além do mais, o estranhamento pode ser entendido como uma brincadeira com o sentimento das pessoas, o que, segundo Alfonso, não justifica o trabalho artístico. Para ele, a arte não é deboche.

O professor Alfonso trabalha com pintura há trinta anos. E o que é arte para ele, então? Bem, um pedaço da sua resposta está nas idéias do filósofo alemão Friedrich Nietzsche: a arte é um afago, um carinho para o homem. Tem de ser humana, ter vitalidade, passar a presença viva do artista na obra, não pode ser mera técnica. Mas a arte não pode lidar com protesto, então? Aí é que entra o outro pedaço. Segundo Alfonso, pode sim, mas tem que haver sempre uma proposta, uma esperança, uma redenção. Não pode somente botar mais sujeira no mundo, que disso o mundo já está cheio.

Outra idéia
“Em resumo, ficou demonstrado que nenhum homem pode sentar-se a escrever sem uma profundíssima intenção.”
Edgar Allan Poe, escritor norte-americano

Uma repartição de vidro separa Tetê Barachini de seu ateliê. E é assim que a professora tem um pequeno escritório à sua disposição, com poltronas, cadeiras, um armário, uma escrivaninha, livros... e um computador, de onde se pode acessar o site do projeto Deusa Morna, que Tetê orienta. Enquanto as imagens das intervenções urbanas produzidas pelos seus orientandos enchem a tela, a professora fala de uma palestra que o grupo promoveu: um estranho texto sobre o amarelo foi lido para uma platéia que, devido à disposição caótica das cadeiras, não ficava voltada para o palco; ao mesmo tempo, câmeras filmavam a movimentação fora do edifício e as imagens eram passadas num telão; além disso, o interior do anfiteatro era iluminado por pontos de luz dispostos de maneira aleatória. A palestra acabou se tornando, assim, uma nova intervenção urbana.

Surge a primeira pergunta: essa não acaba se tornando uma arte fácil de se fazer? Tetê responde com outra pergunta: quem disse que a arte tem que ser difícil? E questiona a visão religiosa da arte como algo que requer silêncio e seriedade para apreciação, defendendo que o entretenimento pode estar presente tanto na sua fruição quanto na sua produção. O que não exclui a necessidade da existência do artista; são eles que têm o domínio dessa linguagem da arte, portanto, são os únicos aptos a produzir intervenções urbanas que não causem apenas um choque, um susto, mas que proporcionem uma pausa na vida urbana, com o intuito de colocar as coisas em novos lugares.

E depois desse estranhamento, o que sobra? Nada. Pois Tetê diz que é proposital deixar as obras inacabadas. Neste mundo rápido e dinâmico, não há tempo para detalhismo: o que importa é o discurso. Os interventores urbanos querem apenas provocar desconforto. Não se busca a permanência dessa sensação. Os trabalhos são construídos para serem fugazes mesmo. O papel do artista, então, é estar sempre buscando novas maneiras de provocar a sensação de estranhamento.

- Nós não somos artistas de rua, mas sim artistas indo para a rua – esclarece Tetê.

E isso não significa somente uma aproximação com o público. Segundo a professora, o movimento é uma tentativa de popularizar a discussão sobre arte, sem entrar em questões mercadológicas. Até porque não há espaço para todos os artistas exporem nos museus.

A professora Tetê faz questão de ressaltar que as intervenções urbanas não são feitas para pequenas comunidades. É, sim, um movimento criado para e a partir do mundo urbano. E como se lida com a diversidade de culturas desse público tão heterogêneo que são os habitantes das cidades? Tetê diz que é através do universal. Trata-se de uma nova linguagem, diferente da usada na arte tradicional. O espectador é diferente, a arte também. Segundo Tetê, as intervenções urbanas representam uma nova postura perante o mundo. Em outras palavras, trata-se de uma arte do nosso tempo.

Uma conclusão?
“Toda definição do fenômeno em termos gerais corre o risco de constituir uma nova contribuição àquela genericidade típica da mensagem de massa.”
Umberto Eco, crítico italiano

O leitor atento perceberá que há coincidências nas falas dos três entrevistados, mesmo quando as idéias se opõem. Contradição ou apenas pontos de vista diferentes? Talvez uma demonstração de que a diversidade cultural deve ser pensada não só em termos de fruição, mas também de produção da obra de arte. Pode ser uma questão de gostos e de atitudes, tanto do artista quanto do público.

E então, a arte está dentro ou fora dos museus? Para essa pergunta não há uma só resposta. O debate em torno da Arte Contemporânea é muito amplo. Por outro lado, ele só é possível graças a discussões como a do curso de Desenho e Plástica da UFSM. No fim, é um debate entre indivíduos (e suas idéias). Portanto, cabe agora ao leitor tirar suas próprias conclusões.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Falando em acesso...

Não lembro se eu já havia publicado aqui este cartum do Rafael Corrêa. Em todo caso, não é demais re-publicar. Sempre que encontro o cartum no meu computador, faço uma nova reflexão a partir dele. Portanto, vale a pena ver de novo! O título é "Acesso à cultura".


Em tempo: o Rafael tem uma série muito boa chamada Sapatiras. É surpreendente a criatividade e os diálogos inteligentes que ele consegue fazer usando calçados como personagens. Isso mesmo, calçados!

Veja por si mesmo visitando o blog do Rafael. Cutuque aqui!

Post para reforçar a marca

O Marcelo Engster, publicitário e dono do blog Quadrinhólatra, mandou uma página do "Manual do Super-Herói" em que aparece a onomatopéia que também é marca deste humilde blog. Ei-la:



Ainda não tive acesso ao "Manual", embora o Marcelo tenha me passado o link. Cutuque aqui para ler!



O "Manual do Super-Herói" é voltado para o público infantil, como o Marcelo bem comentou. Mas o que um criança pode ler que um adulto também não pode? Dentro de cada adulto tem uma criança. Nós crescemos que nem cebola, de dentro para fora, e nosso corpo de adulto é a casca.

Ai, ai... É o que dá conviver com crianças na Alemanha.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Não é quadrinhos...

De vez em quando, vale a pena fugir à regra de só falar sobre quadrinhos aqui. Pois escrevi uma reportagem sobre a família com quem estou morando na Alemanha, e quero que você leia. A matéria foi para a revista Continuum, do Itaú Cultural, e começa assim:

"Na Alemanha, um pouquinho de Brasil, iá, iá...
Em Haselünne, pequena cidade no norte da Alemanha, uma família multicultural vive diariamente a experiência de intercâmbio

Por Augusto Paim

No dia 17 de outubro de 2003, início da tarde, a alemã Christine Hoffmeister chegou ao abrigo Tia Júlia, em Fortaleza, Ceará. Trazia consigo a carta autorizando a adoção do menino José Iládio da Silva Rodrigues. Havia já seis anos que Christine esperava por essa decisão judicial, e agora a tinha em mãos. Não conseguiu nem almoçar, de ansiedade.

Na porta do abrigo, a assistente social pegou a carta, leu e falou: 'Não pode ser. Aqui diz que é para você adotar o Iládio. Ele tem um irmão!'. Christine não sabia. Iládio, de 6 anos, foi escolhido para adoção porque era o primeiro da lista de espera. A assistente social fez Christine entrar. Lá dentro, mostrou a carta a outras funcionárias do abrigo. Todas ficaram surpresas. Diziam: 'Vão separar os irmãos.'

Christine foi levada para a sala onde se faz o contato inicial entre os pais adotivos e a criança. Iládio entrou. A assistente social fez a apresentação: 'Iládio, agora você tem uma nova mãe. Ela vem da Alemanha'. O menino sentou-se no colo de Christine. A nova mãe disse: 'Eu aprendi português para falar com você'.

As pessoas na sala discutiam sobre o problema do irmão. Christine entrou no assunto e não percebeu quando Iládio, pequeno e magro, saiu de seu colo. Em instantes, porém, voltou, trazendo pela mão outro menino, ainda menor. Os dois foram até Christine.

'Benedito', disse Iládio para o irmão, 'essa é nossa nova mãe.'"

Leia mais.

domingo, setembro 28, 2008

Os 24% que faltavam...

Que agradável surpresa tive há pouco. Navegando pela internet adentro, fui parar no site da revista mineira Graffiti. Lembra? O cabruuum não tinha ainda um ano de cibervida quando falei dela aqui. Na ocasião, só pude falar por cima sobre cada uma das histórias em quadrinhos que li, e foi pouco para explicar minha admiração. Nunca é demais dizer, essa foi a primeira revista que me fez ver o quanto quadrinhos é uma linguagem tão madura e com tantos regramentos próprios quanto literatura ou música, por exemplo. Em suma, quadrinhos, enquanto linguagem, não precisa falar apenas de personagens infantis e super-heróis. Mas como mostrar isso?


Pois agora posso. O site da revista disponibiliza uma das histórias que me encantaram. Chama-se Transmutações Políticas. Deleite-se com os detalhes ou com o todo cutucando aqui!

quarta-feira, setembro 24, 2008

Alienista mais ligeiro que jabuti


"HQ leva o Jabuti de melhor livro escolar
Adaptação de 'O alienista' é assinada por Fabio Moon e Gabriel Bá. Quadrinho desbancou livros didáticos de história e geografia do Brasil." [leia mais]

Comics

Perambulando por bancas de jornais adentro e folheando descaradamente sem pagar tudo que encontrava nas prateleiras, dei de cara com uma matéria da revista Spotlight sobre graphic novel. Infelizmente, o site só permite ler as primeiras duas páginas, em pdf. Cutuque aqui!

A matéria me pareceu bem correta, sem aquele ar adolescente que se costuma dar quando se escreve sobre quadrinhos. Pena que é em inglês.

quarta-feira, setembro 17, 2008

E o 50° lugar vai para...

Revistas adoram listas, talvez porque rime. A Empire, revista que é, fez uma também, e de algo bem discutível e quase impossível de mensurar, como os 50 maiores personagens de quadrinhos. Cutuque aqui!

Quem me avisou foi o amigo e colega Léo Foletto, do CenaBeatnik.

sexta-feira, setembro 12, 2008

O Papa era para ser pop

Tive esta semana o primeiro contato com o trabalho de um cartunista alemão, ao ler o livro "Nun - das will ich mal gelten lassen", de Martin Perscheid. O título assusta um pouco, porque o idioma por si é assustador. Mas na verdade são charges muito simples, com um humor sutil sobre coisas do cotidiano. Claro, isso não diz nada sobre o livro. E não adianta eu lincar para o site do autor, porque, embora você consiga achar os links fáceis por lá, o texto é em alemão. A wikipedia de Perscheid, em inglês, ajuda, mas não resolve. Bem, um exemplo (mal e porcamente traduzido por mim depois) é melhor:


Na pedra, está escrito: "XI - você deve ter prazer no sexo."
O Papa pensa: "Bosta!"
A legenda diz: "O Papa encontra o décimo-primeiro mandamento."

domingo, setembro 07, 2008

Quem disse que fácil seria?

Faz tempo que estou pra lincar aqui uma entrevista fundamental com o jornalista de quadrinhos Gonçalo Junior. Digo "fundamental" porque fala verdadeiramente e com sinceridade da dura vida de quem desenvolve um trabalho sério na área, tocando nos principais problemas que se enfrenta. É isso, por mais que se escolha trabalhar com o que se gosta, sempre haverá complicações.

Eis o link!

Quem me avisou da entrevista foi o companheiro de blogosfera Marcelo Engster, do Quadrinhólatra.

quarta-feira, setembro 03, 2008

A união faz a força

Coisa boa quando a gente acha um ponto de encontro entre dois projetos aparentemente distantes! Pois consegui emplacar uma pauta sobre quadrinhos no Fiz + Sotaques (cutuque no link sobre o nome para saber mais), programa de webjornalismo do Fiz TV, webtv do Grupo Abril. Participo do projeto com jornalistas de outros estados. Nenhum deles estava acostumado a esse olhar sério sobre quadrinhos, mas toparam o desafio. O resultado, com erros e acertos, você assiste aqui:



São dois blocos. Assista agora ao segundo:

segunda-feira, agosto 25, 2008

Entretenimento interessante (na Suíça)

"Museu suíço mostra 'esqueletos' de personagens de HQ
Por Marcelo Crescenti, para a BBC Brasil
Uma exposição no Museu de História Natural da Basiléia, na Suíça, mostra como seriam os esqueletos de vários personagens de quadrinhos e desenhos animados se eles realmente fossem seres vivos." [leia mais]

sexta-feira, agosto 22, 2008

Sacanagem das boas!

Antes de chegar na Alemanha, fiquei dois dias em Amsterdam. É claro que visitei o Red Light District, embora não tenha usufuido dos serviços de lá. Na verdade, o único dinheiro que gastei no famoso bairro de prostituição da capital holandesa foi pra entrar no Erotic Museum.

Minha vida pessoal nada importaria aqui se eu não tivesse encontrado, nesse museu sobre a história mundial do erotismo, os quadrinhos da personagem Sjef van Oekel, de Theo van den Boogaard. Se você se interessa por HQs eróticos (isso é totalmente válido) e tem mais de 18 anos, cutuque aqui para conhecer o autor! Na verdade, o link vai dar numa excelente reportagem do Universo HQ sobre quadrinhos holandeses.

Também visitei em Amsterdam o Van Gogh Museum e o Rijksmuseum. Neste último, vi obras de Rembrandt, dentre outros. A tela de um artista me chamou a atenção, pois numa olhada de longe me fez lembrar um quadro de HQ. Esta tela:





É do século 17!

Cutucando aqui, você tem detalhes sobre a tela. Já este link vai dar na wikipedia do autor, em inglês.

Entrevista

Saiu uma entrevista comigo no site Impulso HQ, sobre as oficinas que fiz no interior do Rio Grande do Sul. Se você se interessar, cutuque aqui!

Usei um computador da Alemanha pra responder o e-mail, nao repare nos erros. Aliás, "nao", sem til, porque falta esse acento aqui no teclado. Poderia usar no lugar um ß. Que tal? Ou talvez um Ü. Ou um Ä. Ou Ö.

Bem, vale ressaltar que o site Impulso HQ é altamente recomendável.

sábado, agosto 02, 2008

Mudança de endereço

A partir desta quarta-feira, 6 de agosto, o cabruuum passará a ser atualizado de outro endereço. Mas não endereço eletrônico, porque o link para chegar até aqui continuará sendo o mesmo, o muito difícil de soletrar www.cabruuum.blogspot.com.

A mudança de endereço a que me refiro é a minha. Pois na terça-feira embarco para Amsterdan, na minha primeira incursão à Europa. Fico dois dias na capital holandesa, depois vou de trem para a Alemanha. Morarei 12 meses lá, numa pequena cidade chamada Haselünne (próxima à fronteira com a Holanda, ao norte). Em princípio, em agosto de 2009 estarei de volta ao Brasil.

Obviamente este humilde blog continuará na ativa. Escreverei de lá, dentro do possível divulgando e refletindo sobre os quadrinhos alemães. E as coisas do Brasil também terão seu lugar, claro.

Mas um alerta: em função da etapa inicial de adaptação, não estranhe se não houver posts nas próximas semanas. Assim que me estabilizar por lá, voltarei com tudo, do mesmo modo que mantenho o blog aqui do Brasil.

De qualquer forma, enquanto isso você tem uma porção de posts para ler e reler. Principalmente os últimos, sobre as oficinas de HQ.

Bem, está avisado! Até breve!

Auf wiedersehen!

segunda-feira, julho 28, 2008

Agora o passo-a-passo

Como prometido, escrevo agora sobre o passo-a-passo da atividade de produção coletiva de HQs, que propus durante a oficina de quadrinhos que ministrei na escola Valentim Bastianello, no município de Dilermando de Aguiar/RS. Estive em turmas de quinta e sexta série, e em cada uma delas falei sobre uma etapa específica do processo de criação de uma história em quadrinhos, a citar: ARGUMENTO, DESENHO DE PERSONAGENS, QUADRINHOS e CORES/ARTE-FINAL. Poderiam ser mais fases, claro, mas separei em quatro porque foi o número de turmas que visitei.

Vou pegar uma das histórias criadas e explicitar as etapas da criação.

1. ARGUMENTO



"Homem-Sereia e Mexilhãozinho [diminutivo de "mexilhão"] são dois heróis, têm 20 anos. Eles estavam salvando a cidade de Eucaliptos do malvado Plankton. Eles lutaram e salvaram a cidade de Eucaliptos. Ficaram descansando em suas poltronas até terem que salvar a cidade outra vez. Observação: o malvado Plankton queria cortar os eucaliptos."

A maioria dos argumentos criados na primeira turma retratava uma história corriqueira, sem nenhum conflito nem transformação das personagens. Nesses casos, eu mostrava isso aos alunos (numa linguagem acessível, adequada à faixa etária) e perguntava a eles se não seria melhor haver uma situação nova, que apresentasse uma mudança em comparação com a situação inicial. No caso das "Aventuras de Homem-Sereia e Mexilhãozinho", o aspecto humorísitco do "ficaram descansando em suas poltronas até terem que salvar a cidade outra vez" supera qualquer ausência de conflito. Apenas sugeri que os alunos explicassem que tipo de risco o vilão Plankton oferecia à cidade de Eucaliptos. Os meninos mesmos tiveram a idéia e escreveram a observação ao fim do argumento.

2. DESENHO DAS PERSONAGENS

Se a outra turma estava lidando com fundamentos de narrativa, a turma responsável pela segunda etapa do processo de criação coletiva da HQ trabalhava agora com imaginação, visualização. Os alunos tiveram que desenhar as personagens citadas nos argumentos. Para isso, além do ato de tirar a história do papel, era necessário uma visão do conjunto, de modo a não prejudicar o trabalho de quadrinização da turma seguinte.

No grupo que pegou a história das "Aventuras", uma menina chegou muito facilmente à forma da personagem Homem-Sereia:




O desenho mais difícil talvez fosse da personagem "Mexilhãozinho", mas a tarefa caiu nas mãos de uma menina criativa:




As tarefas foram divididas expontaneamente dentro do grupo, e a terceira menina ficou com a incumbência de desenhar o vilão Plankton. Houve várias tentativas e certas dificuldades, mas ao fim se chegou a este resultado:


3. QUADRINHOS

Não havia dúvida de que o processo de quadrinização - ou seja, pegar o argumento e os desenhos das personagens, juntá-los e transformar tudo isso numa ou mais páginas de história em quadrinhos - seria a etapa mais difícil (apesar de também a mais prazerosa). Agora os alunos tinham de acionar o pensamento imagético e também lidar com elementos de estrutura narrativa, alguns específicos da linguagem dos quadrinhos.

Tendo já cumprido metade dos encontros que me propus a fazer nessa escola e sabendo que até aquele momento a produção coletiva das HQs estava dando certo, temi que agora as coisas desandariam. Decidi dedicar mais tempo à atividade prática, portanto, ainda assim preparado para que o processo fosse interrompido ali. Para minha surpresa, deu tudo certo.

A primeira página das "Aventuras" começou a tomar forma assim:



E a segunda página:



Agora uma visão geral do grupo responsável por quadrinizar as "Aventuras", para ver como se subdividiam as tarefas entre eles:



O menino que lê

Pausa.

Pausa para falar desses pequenos grandes retornos que recebemos e que valem toda a dedicação que empenhamos.

A foto abaixo mostra um menino da quinta série lendo um livro da Turma do Xaxado.



Até aí, uma foto normal. Mas só se ignorarmos o fato de que esse menino absolutamente ODIAVA LER. Fiquei sabendo disso por intermédio dos professores, que inclusive tiraram a foto para registrar o momento único.

E não foi uma leitura casual. O grupo do qual esse menino participava já havia terminado a HQ, então ele me perguntou se podia pegar um dos livros que estavam na mesa dos professores, onde pus o material que trouxe. Enquanto os outros grupos trabalhavam, o menino se concentrava na leitura.

4. CORES/ARTE-FINAL

A última parte do processo de construção coletiva da HQ era relativamente mais simples, mas de suma importância. Os alunos não só tinham de marcar com caneta esferográfica e canetinha os traços dos desenhos e dos quadrinhos feitos pela terceira turma, além de pintá-los; era ainda um trabalho de revisão. Afinal, essa era a quarta e também a última turma a mexer com a HQ antes de ela ser publicada no mural da escola. Uma grande responsabilidade, portanto, já que havia problemas de falta de clareza e desenhos inacabados para resolver, antes de a história ir a público.

Deu tudo certo e, no fim, a HQ "Aventuras de Homem-Sereia e Mexilhãozinho" ficou assim:





Outras histórias

Usei o exemplo de "Aventuras" para construir um passo-a-passo porque as imagens estão boas e também porque ela constitui uma boa amostra do que surgiu na oficina, em termos de idéias e desenhos. É importante, porém, mencionar que outras seis histórias foram criadas, trabalhando gêneros variados como romance, aventura e comédia. Vale lembrar que a escolha dos temas foi mérito da primeira turma, que criou os argumentos por conta própria, sem minha interferência.

Um desses argumentos me chamou bastante a atenção. Chama-se "A guria que tinha medo".


É a história de uma menina que tinha medo de ficar sozinha e também sentia uma desconfiança geral e desmedida dos seus amigos. Um certo dia, ficando a sós em casa, sentiu medo. Depois viu que o temor passava ao ligar o rádio e que, de certa forma, ao ouvir os passarinhos cantando lá fora ela não estava mais sozinha. Ao se dar conta disso, ela passou a viver em harmonia com seus amigos, sem desconfianças.

É uma história sobre aprendizado, com fundo psicológico. Isso mostra na prática que os quadrinhos são uma linguagem e que, portanto, servem para contar as mais variadas histórias, não importa o grau de complexidade e o tema.

Atividade crítica

Me interessava bastante, fora de simplesmente fazer trabalhos separados com cada turma, que houvesse uma reflexão sobre o processo coletivo de fazer uma HQ - reflexão sobre valores como confiança em si mesmo e no próximo, respeito pelo colega , espírito de grupo e solidariedade - e também sobre o uso da linguagem dos quadrinhos e do trabalho com narrativas em geral. Também buscava um incentivo à criação artística, mostrando aos alunos que, agindo de maneira organizada e unindo forças, eles podem criar e se expressar. Em quadrinhos, principalmente.

Eu tinha esse objetivo mas não sabia se o cumpriria. Precisaria de mais tempo, de mais discussão, de continuidade. Em todo caso, registrei em vídeo o momento em que alunos do grupo que fez um dos argumentos via agora a HQ pronta, publicada no mural da escola. A reação me parece muito rica.



É isso. Mais do que refletir aqui sobre a minha experiência com essas oficinas (sim, porque este post e os outros que o precederam têm essa função, e eu não me ressabio nem um pouco com isso - ao contrário, até me encho de orgulho!), penso que relatar essa experiência pode servir para outras reflexões e aprendizados, não só meus. Aliás, publico este post até mesmo para refletir e aprender mais, com novos olhares e leituras sobre essas experiências. Além de esperar ouvir retornos sobre as suas próprias!

Bem, é isso!

sexta-feira, julho 25, 2008

Mais sobre as oficinas

Hoje voltei a Dilermando de Aguiar/RS e ministrei a oficina de quadrinhos para mais duas turmas, uma de 5ª e outra de 6ª série.

Trouxe para os alunos exemplos de HQs que fogem do esquema "personagens infantis" e "super-heróis". Não desmerecendo esse tipo de gibi, claro, apenas dando mais opções aos alunos. Quer dizer, mostrando a eles que há toda uma possibilidade de obras no formato de quadrinhos atendendo a todos os gostos, interesses, culturas, idades e sexos.

Nas fotos abaixo, por exemplo, as crianças folheiam as reportagens em quadrinhos do mundialmente reconhecido Joe Sacco; as histórias estilo rock'n'roll das cariocas Mosh! e Jukebox; a HQ Estórias Gerais, que retrata o sertão mineiro; e uma porção de trabalhos da Turma do Xaxado. Também apresentei a eles a forte e complexa Maus, em que o autor Art Spiegelman conta como seus pais sobreviveram ao Holocausto; as teorizações em/sobre quadrinhos de Scott McCloud; os contos em quadrinhos de grande profundidade da revista mineira Graffiti; e a adaptação para quadrinhos do romance de Alcy Cheuiche sobre o índio Sepé Tiaraju, um herói da história do Rio Grando do Sul; dentre outros.


Essa foi uma parte do trabalho, cujo objetivo foi o de ampliar o leque de possibilidades de leituras de quadrinhos para os alunos. Os professores, que não conheciam a maioria das obras, também foram atingidos pela idéia e ao fim planejavam modos de usar esses quadrinhos em sala de aula.

A outra etapa foi uma "discussão prática" sobre a linguagem dos quadrinhos. Em suma, incentivei os alunos a criar HQs coletivamente, simulando um estúdio. Como ministrei a oficina em quatro turmas, deixei cada uma delas encarregada de uma parte do processo. Aqui aparecem as três primeiras, no quadro negro:


Explicando melhor. A primeira turma que visitei foi dividida em sete grupos. Cada um desses grupos criou um ARGUMENTO para uma história em quadrinhos. A turma seguinte foi novamente dividida em sete grupos, que fizeram o DESENHO DAS PERSONAGENS que apareciam nos argumentos anteriores. Ou seja, essa segunda turma deu andamento ao trabalho da primeira.

Na terceira turma, os argumentos e os desenhos das personagens foram transformados em QUADRINHOS. Um processo difícil, já que envolve muitas questões da linguagem dos quadrinhos ao mesmo tempo, mas acabou dando certo. À quarta turma coube o trabalho com CORES/ARTE-FINAL. Ou seja, o fechamento das HQs. Essa quarta fase não está escrita no quadro-negro justamente porque no momento da foto eu estava falando sobre ela para os alunos.

Depois dessa explicação toda, fotos da prática:








Em breve, pego uma das sete histórias criadas e publico aqui o passo-a-passo dela.

quinta-feira, julho 24, 2008

Oficinas

Passei alguns dias sem postar neste humilde blog. Estava de mudança, de Porto Alegre/RS de volta a Santa Maria/RS. Fiquei sem computador em casa.

E nesta semana estou envolvido com atividades de quadrinhos. Ontem, por exemplo, estive na escola Valentim Bastianello, no município de Dilermando de Aguiar/RS, ministrando oficinas de HQ para crianças de 5ª e 6ª série. Algumas fotos:





Já hoje estive na cidade de Tupanciretã/RS, interagindo com alunos de 5ª a 8ª série da escola Alexandrina Soares de Barcelos. No fim, distribuí revistinhas da Turma do Xaxado entre os pequenos, das séries iniciais e da pré-escola.






Amanhã volto a Dilermando de Aguiar, onde vou ministrar mais duas oficinas. Não usarei o mesmo blusão vermelho. Eheheheh.

Em breve, publico aqui detalhes e reflexões sobre essas experiências no interior do Rio Grande do Sul. Hoje é só para registrar mesmo.

domingo, julho 13, 2008

Quadrinhos e emergência

A revista Continuum, do Itaú Cultural, publicou este mês uma história em quadrinhos de Júlio Brilha sobre o tema "emergência". Trata-se do conceito que explicita a idéia de sistemas complexos surgidos a partir de regras simples - como um jogo de xadrez, que tem ordens básicas regulando o movimento de cada peça, mas que resulta em partidas complexas.

A história em quadrinhos está disponível aqui!

Para quem ainda não conhece, a Continuum é uma publicação mensal do Itaú Cultural, distribuída por mailing e disponível também na sede na Av. Paulista, em São Paulo. A edição impressa é publicada integralmente no site do Itaú Cultural, acrescida de matérias feitas exclusivas para a internet. Veja aqui! Cada edição tem um recorte temático diferente.

terça-feira, julho 08, 2008

Saindo da seca prum manancial...

O cartunista Jô X, criador voluntário e não-remunerado da marca do cabruuum que você vê no topo desta página, acaba de ganhar seu primeiro prêmio. E internacional, ainda por cima.

Pois o Jô tirou o primeiro lugar no concurso “Seca e Água”, da Turquia. Detalhes você tem cutucando aqui.

Já o cartum, você vê aqui:



Independente do prêmio internacional, Jô demonstra visão de futuro já há pelo menos dois anos, quando desenhou a marca deste humilde blog. Ehehehe.

Pena que eu não tenho um troféu nem premiação em dinheiro para entregar...

quarta-feira, julho 02, 2008

Heróis da publicidade

Se é pra fugir do tema, então vamos fugir mesmo!



Se bem que "super-heróis" sempre vai remeter à palavra "quadrinhos", nénão?!

Ah, a publicidade do Axe é merschandising gratuito, viu! É que o vídeo é realmente criativo, além de apresentar as onomatopéias de um jeito diferenciado. Vale a pena assistir!

Do tempo da internet a carvão...

Permita-me fugir um pouco do enfoque deste blog!

Um pouco, mas não muito. Pois este vídeo mostra o modo como eram feitos livros em 1947:




Seria igualmente interessante saber como era o processo antigo de publicar HQs.

terça-feira, julho 01, 2008

Penso, logo visito!

Antes de mais nada, veja isto! É o blog Filosofia em Quadrinhos, de Paulo Quaresma Neto e Walter Paiva.

Veja especialmente a citação da Alegoria da Caverna de Platão numa HQ de Maurício de Souza, cutucando aqui!

E veja também um trecho da versão em quadrinhos do pensamento de Descartes, cutucando aqui! Esse trabalho é de autoria do Paulo e do Walter.

É isso. Acho que o blog se recomenda por si mesmo, não?

Não pense duas vezes, vá já visitá-lo!

sexta-feira, junho 27, 2008

Quadrinhos adultos para crianças

O campo de atuação para um adulto que quer trabalhar profissionalmente com quadrinhos é amplo e variado. Feliz é quem cedo descobre isso e vive as maravilhas não ligadas exatamente ao trabalho de produzir uma HQ. Quer dizer, se você não desenha nem roteiriza, nem por isso precisa deixar de fazer parte desse meio. Se por acaso você desenha/roteiriza, pode além disso ter sua experiência enriquecida atuando em outras funções.

Acredito que a realização se dá justamente em poder atuar de diversos modos dentro de um único campo, economizando energia (pois trabalhar em áreas distintas é muito desgastante) e ao mesmo tempo desenvolvendo habilidades pessoais diversas.

Alguns exemplos de como alguém pode se relacionar com os quadrinhos:

* Escrevendo roteiros - isso envolve o aprimoramento de habilidades narrativas e muito estudo de teorias literárias. É ótimo para quem gosta de falar sobre coisas humanas para seres humanos, para quem sente vontade de registrar suas observações sobre a vida de forma a que os outros também se interessem por ler.

* Desenhando - pegar uma idéia e transformá-la em imagens, com os simbolismos e as regras específicas desse pensamento visual aplicado à narrativa de quadrinhos. Fazer uma narrativa visual bem feita não é para qualquer um, envolve muito estudo, disciplina e amadurecimento. É ideal para quem visualiza cenas, imagens e símbolos não verbais para tudo que pensa. Claro que isso também pode ser desenvolvido, você não precisa necessariamente nascer com essa facilidade.

* Pesquisando - um trabalho fundamental, como forma de construir, consolidar e ampliar conhecimento na área, seja em estudos de narrativa, seja em estudos culturais, seja em estudos de ideologia. No fim, todos os outros profissionais dos quadrinhos vão se voltar para o trabalho de pesquisa, principalmente como forma de consulta e aprendizado.

* Criticando - essa é, disparada, a tarefa mais ingrata. O crítico, por mais que procure ser prudente, por mais que pese toda a responsabilidade que sua crítica pode ter na formação do artista e se preocupe em apontar as falhas e destacar os méritos da obra, ainda assim está sujeito a ser mal compreendido. Nada mais natural, em se tratando de algo que envolve tanto investimento afetivo por parte do autor. É assim que entendo a tal da "vaidade" autoral: algo saudável, sim, porque o artista precisa se envolver emocionalmente com a obra que produz. Só vira doentio quando a crítica é mal interpretada, despertando fúrias, o que não era a intenção do crítico (por que raios ele "falaria mal" só por falar? por que raios o crítico quereria mal ao artista?) Enfim, fazer crítica é uma função muito fundamental do campo, porque ajuda a compreender obras mais complicadas e aponta caminhos para aqueles artistas que ainda não dominam determinada linguagem narrativa. Mas dificilmente o artista entenderá assim. E não estranhe se ele levar para o lado pessoal...

* Comercializando - sim, quem tem habilidades de empreendedorismo e gosta disso pode continuar em contato com quadrinhos e ainda assim visar ao lucro. Como? Criando uma loja especializada em quadrinhos, por exemplo. Lojas assim são necessárias porque atendem a todos: artistas, críticos, pesquisadores...

* Formando público - talvez o trabalho mais gratificante. E é aí que quero chegar, é esse o motivo de existir este post.

Pois hoje estive no Colégio de Aplicação da UFRGS ministrando uma oficina de quadrinhos para alunos de sétima e oitava série. Foram na verdade duas oficinas, abrangendo 90 alunos no total. Cada oficina foi separada em dois módulos, o primeiro abordando as possibilidades de uso pedagógico dos quadrinhos e o estudo de elementos dessa linguagem, e o segundo focando em exemplos de quadrinhos que ultrapassam (e de longe) a barreira dos "quadrinhos para crianças". Claro que na prática foi algo bem mais divertido do que essa nomenclatura toda.

Foi um trabalho de formação de público. E foi riquíssimo, tanto para os alunos quanto para mim. A coisa toda aconteceu numa bagunça que só vendo (e é assim mesmo que acontece, me disseram as professoras). As crianças interrompiam, faziam perguntas, cochichavam, comentavam e na maior parte das vezes chegavam sozinhas e rapidamente às conclusões que eu queria conduzi-las. Chegavam lá antes mesmo de eu completar meu raciocínio. Às vezes, até tive que deixar elas falarem e só ajudar com pequenas observações. Outras vezes nem isso. E em alguns momentos a troca foi tão doida que os alunos acabaram me fazendo ver coisas que até então eu não tinha visto. Em suma, construímos conhecimento juntos.

E isso é impagável.

Eu já havia dado oficinas de quadrinhos para colegas universitários (do tempo que eu ainda era um) de outros cursos, não só das ciências humanas. Já havia palestrado sobre algumas das principais idéias dos quadrinhos para artistas plásticos e professores dessa área. Sempre é legal. Mas para crianças, nossa!, é ainda mais gratificante.

"Como se chama mesmo o nome dessa editora que publicou o 'Maus'?"

"A mãe do Calvin tá com cara de 'aff'' nessa tirinha."

"Eu leio mangá e eles são quase sempre em preto e branco!"

"A Mônica e o Cebolinha são desenhados com formas mais circulares, arredondadas!"

"Olha o desenho que eu fiz, 'sor'."

Claro que também tem aqueles que nem estão pra oficina, mas ainda assim é um trabalho riquíssimo. Mostrar para os alunos que existem quadrinhos maduros, que não são coisa só de criança, e alfabetizar esses alunos em elementos básicos de leitura visual é investir no amadurecimento do campo dos quadrinhos como um todo. Daí podem surgir, no futuro, pesquisadores, artistas (que terão acesso cedo a obras não muito acessíveis para quem não é da área), roteiristas, críticos (coitados!) e até mesmo leitores. Os superficiais, que terão ao menos despertado o interesse por essa linguagem; os mais atentos, que prestarão atenção aos detalhes; os de bom gosto, que contribuirão com o campo na medida em que passarão a exigir mais qualificação dos artistas; e os desinteressados, que no mínimo vão saber que quadrinhos são bem mais interessantes do que parecem.

Essa interação com as crianças é ainda mais rica para mim, quem sabe, do que é para elas. Recomendo a quem ainda não passou por essa experiência. Será bom para você, será bom para as crianças. Para o campo dos quadrinhos, nem se fala.

E para quem quer uma maior sensação de realização no trabalho com quadrinhos, marco uma idéia importante: não se restrinja a um papel estanque dentro do campo. Você pesquisa quadrinhos? Pois vá dar uma oficina também e veja o que acontece. Você tem uma loja de quadrinhos? Comece a estudar narrativas e escreva suas histórias, nem que seja só para você mesmo. Você já é autor? Comece a analisar obras também, pois isso aumentará sua visão crítica sobre o próprio trabalho.

De preferência, atue em três ou mais funções. Você se sentirá bem mais realizado.

***

As idéias que expus neste texto, só para deixar claro, não são mera opinião.

Em primeiro lugar, a metodologia usada na oficina foi pensada de acordo com a faixa etária dos alunos, de acordo com os interesses de leitura e as capacidades de compreensão da idade. A parte de alfabetização em leitura de imagens é baseada praticamente no livro "Desvendando os Quadrinhos", de Scott McCloud. Seria injusto, porém, dizer que todas as idéias partiram daí. Eu passei três anos pesquisando semiótica visual no Grupo Imagem, grupo de pesquisa com certificação do CNPQ orientado pelo professor Adair Caetano Peruzzolo, na UFSM. No Grupo Imagem, debatíamos idéias de Adonis A. Donis, Phillipe Dubois, Eliseo Véron, Jacques Aumont, Umberto Eco e outros. Referências mais precisas você tem aqui!

Também pesquisei sobre narrativas para o meu trabalho de conclusão de curso. Desde então, venho me aprofundando mais nessa área.

Sobre como obter satisfação pessoal e coisas do tipo... Não, essas idéias não são de livros do Paulo Coelho ou livros de auto-ajuda. Mas se fossem, também não seria problema. O importante é que sejam úteis. Caso, porém, você queira um embasamento maior sobre isso, a fonte precisa é o livro "First Things First", de Stephen Covey. Mais do que questões sobre como gerenciar melhor seu tempo, esse administrador fala no livro sobre como definir o que é realmente importante em sua vida, beneficiando até mesmo sua parte profissional (em conseqüência, não como fim). É um livro que ajuda você a pôr as coisas nos seus devidos lugares e ainda dá ótimas idéias sobre como se sentir mais satisfeito com as coisas que você faz, apenas mudando o modo de vê-las.

Outro dia posso resumir aqui as idéias principais desse texto. É importante, mesmo fugindo do tema "quadrinhos".

Bem, por hoje é "só".

segunda-feira, junho 23, 2008

300º post

Deixaria neste livro
toda a minha alma.
Este livro que viu
as paisagens comigo
e viveu horas santas.

Que pena dos livros
que nos enchem as mãos
de rosas e de estrelas
e lentamente passam!

Troque a palavra livro por blog e livros por posts nesse poema de García Lorca e será feita então a justa homenagem ao 300° post deste blog. Obrigado, cabruuum, pelas horas santas desses quase três anos de convívio. Obrigado pela aprendizagem, pelo crescimento, pela cumplicidade. Obrigado por me acompanhar esse tempo todo e me proporcionar bons momentos!

Obrigado a você também, leitor, pois essa relação é, na verdade, um ménage à trois. Sairemos para jantar os três!

sábado, junho 21, 2008

A crítica da crítica

Ocorreu uma situação que me parece interessante trazer pro blog.

Há algumas semanas publiquei aqui uma crítica sobre a HQ "A casa ao lado", de Pablo Mayer e Diogo Cesar. Veja aqui!

Confesso (embora o texto por si só deixe claro isso) que fiquei receoso com a repercussão que a crítica poderia ter. Para minha surpresa, não houve repercussão nenhuma. Ehehehe. Mas me interessou saber se, como iniciante que sou nessa lida de fazer críticas, eu tive um julgamento correto sobre a obra. Quer dizer, eu senti que sim, mas é sempre bom o crítico ser autocrítico.

Até porque o crítico é alguém que se torna crítico meio que involuntariamente. Pelas leituras e estudos de determinada linguagem, ele acaba aumentando a percepção e o olhar analítico sobre as obras. Aliás, ele não, eu. Afinal, eu sou o crítico em questão.

Essa observação acaba com aquela dúvida: crítica é opinião? Não, não é. Quer dizer, só é opinião quando o cara que a escreve não tem formação e, com isso, não tem o que falar, quando fica num gostei/não gostei, embora às vezes um pouco mais elaborado do que isso. Só é opinião, portanto, quando o cara que está escrevendo sobre a obra quer se sentir um crítico, sem o ser involuntariamente. Esses casos são complicados. Porque fazer crítica é algo que exige muita responsabilidade.

Eu senti essa responsabilidade quando escrevi sobre "A casa ao lado". E pensei bem se escreveria a crítica ou não. Quer dizer, lendo a obra eu percebi certas coisas, mesmo não querendo. Seria muito mais fácil para mim simplesmente gostar e ponto final. Mas gostei e não gostei, porque vi falhas e tudo o mais, além dos méritos da obra. E decidi que deveria expor tudo isso aqui.

Passou o tempo e, há alguns dias, descobri outras resenhas/críticas sobre a mesma obra. Eu não havia lido nenhuma outra avaliação para escrever a minha própria, que fique claro. Portanto me interessava saber o que veículos especializados (leia-se: "com mais experiência do que eu") escreveriam sobre uma obra que eu também analisei.

Bem, vejamos algumas críticas/resenhas:

- Blog dos Quadrinhos
- Revista O Grito
- Universo HQ

Essa leitura comparativa é realmente um belo exercício. Recomendo que você o faça, não vai levar muito tempo. O maior texto é o meu, os outros são pequenos.

...

Leu?

...

Agora, algumas observações. À primeira vista, parece que há contradições entre os quatro textos (o meu e os outros três que acabo de lincar). Como no fato de eu elogiar a qualidade gráfica da obra e em outro lugar estar dito que "a edição não tem muito luxo". Parece contraditório, mas não é. Eu concordo, a edição não tem muito luxo, mas não precisa de luxo para demonstrar requinte. Dentro do formato simples em que foi pensada a publicação (sem orelhas e tudo o mais), está muito bem feita.

Sobre a parte narrativa, percebi que todas as resenhas/críticas demonstraram um pé atrás em relação ao tema da obra. Algumas fizeram elogios discretos, onde se sobressai mais a crítica subentendida do que o elogio em si. Outros fizeram críticas um pouco mais declaradas, mas procurando neutralizá-las logo em seguida com uma louvação exagerada. Mas, no fim, praticamente todos os textos apontaram que se trata de uma trama simples e que beira o clichê, embora alguns desses textos destaquem aspectos supostamente inovadores que, em tese, dariam todo o mérito da obra e evitariam o clichê. Mas a citação do clichê está ali, em todas as resenhas/críticas.

Poucos entraram nos méritos das questões narrativas em si. Isso me parece explicável por algumas hipóteses:

1) falta formação em análise de narrativa aos resenhistas/críticos - isso seria improvável em alguns casos, mas, mesmo que o fosse, não seria algo ruim de destacar. Afinal, há inúmeras maneiras de olhar uma obra. Eu gosto da parte narrativa. Tem gente que tem mais ligação com o contexto e com a origem histórica, coisas que por enquanto não são meus fortes.

2) foi uma leitura rápida - sim, isso explicaria muita coisa. Eu li com calma porque a minha demanda de leitura não estava grande na época. E, ainda assim, foi uma leitura rápida, porque é um livro pequeno. Mas falo, nos outros casos, em leitura rápida assim, bem rápida mesmo, tipo aerodinâmica - só passar os olhos por cima.

3) estão fazendo vista grossa - também natural. Porque o Pablo e o Diogo são jovens e estão apenas começando essa lida com feitura de quadrinhos. Ninguém quer queimá-los e, ainda por cima, ambos demonstram pontos fortes de potencial qualidade na obra. Isso merece ser destacado. Eu optei por uma abordagem que aponta esses pontos fortes mas que também mostra as falhas, até para os autores se darem conta e poderem evoluir. Outros críticos/resenhistas optaram por falar só dos méritos.

Em suma, lendo os três textos e relendo o meu, cheguei a uma conclusão de certa forma óbvia, mas só depois que eu a expor: todas as críticas/resenhas MANIFESTAM-SE de maneira opinativa ou, melhor dizendo, subjetiva. Em compensação, todas essas opiniões e análises subjetivas SÃO BASEADAS em critérios objetivos muito bem definidos.

Na prática, por exemplo: todos os textos apontaram um enredo pouco interessante em "A casa ao lado", mas a maneira como cada crítico/resenhista decidiu apontar isso variou. Um fez vista grossa, outro elogiou os méritos sem deixar de apontar os defeitos, outro criticou mas cheio de dedos... Todos viram o problema, mas cada um manifestou de um jeito.

Bueno, isso renderia um artigo, mas como prefiro essa linguagem descontraída, rendeu um post.