domingo, agosto 30, 2009

Pior entrevista com o melhor articulista

Como prometido, publico aqui a entrevista que fiz com Rogério de Campos, vencedor do troféu HQ Mix deste ano na categoria Melhor Articulista.

Infelizmente, a entrevista foi feita por email. E isto não é um mea-culpa. O blog não dá dinheiro e eu não teria como pagar uma passagem aérea. Sou movido pela boa intenção, mas a boa intenção não me leva de graça aonde eu quiser.

De qualquer forma, as respostas foram bem interessantes!

***

Qual tua formação? Em que lugares já trabalhou? Onde está trabalhando agora?

Antes de ser editor e jornalista, fui uma pessoa útil à sociedade. Trabalhei, por exemplo, colhendo amendoim. Na época, cada um carregava um balaio, retirava o pé de amendoim da terra, dava uma chacoalhada para tirar o excesso de terra e depois batia a raiz dentro do balaio para deixar os amendoins. O sol era desgraçado. Também trabalhei preparando mudas de café. Trabalhei como assistente de pedreiro, carregando carrinhos de terra, tijolos e coisa e tal. E fui um ótimo cortador de frios em supermercado. Então fiz desenho de arquitetura no Senai. Trabalhei um tempo com isso, depois desenhista gráfico e aí minha vida degringolou: virei jornalista, trabalhei em vários jornais e revistas, entre elas a Folha de São Paulo, a Bizz e Set. Criei e editei várias revistas, como a Animal, a Ding Ling, a General. Ganhei alguns prêmios, como editor e como jornalista. E tive uma banda de rock, que teve um disco lançado pela Warner em meados dos anos 80.

Como você foi parar nos quadrinhos? Foi uma decisão ou caiu de pára-quedas? (Tu é quadrinista também?)

Eu queria ser quadrinista, mas depois que virei editor de quadrinhos meu sonho se acabou de vergonha na cara. Sou resultado daquele espírito 68/77: rock, esquerdismo e quadrinhos.

Você acha que o jornalismo de quadrinhos ocupa a devida importância dentro do jornalismo cultural? Você vê falta de informação ou banalização do tema quadrinhos quando surge uma pauta dessas na mídia não-especializada?

Acho que isso foi uma questão. Hoje, com a Internet, tal coisa é uma reclamação velha. Mas os quadrinhos talvez sejam a linguagem artística que mais usufruiu da rede de comunicação digital. Os artistas puderam expor seu trabalho alí, os fãs montaram seus blogs, os fãs mais profissionais montaram seus sites. E isso é uma prova de que havia uma demanda reprimida, não atendida pela grande imprensa cultural.

Há tanto tempo trabalhando com quadrinhos, você vê problemas decorrentes da profissão? Digo, por exemplo, a questão da imagem do profissional de quadrinhos. Para muitas pessoas, esse nem é considerado um trabalho sério, já que quadrinhos está popularmente ligado a entretenimento. O jornalista de quadrinhos, como fica no meio disso? É possível ter seu trabalho (que é sério, ligado a pesquisa, apuração, investigação) valorizado num meio comumente ligado ao entretimento?

Um dos problemas dos quadrinhos é que sendo tão desvalorizados como são, afastam um monte de gente talentosa e sabida, e atraem um monte de sujeitos que não têm nada a dizer, porque estes sabem que ali não serão cobrados como em mundos mais competitivos.

E o lado bom de trabalhar com quadrinhos?

Até agora era de saber que bastava um olho para ser rei.

Uma pergunta que me interessa especialmente: sendo jornalista e trabalhando com quadrinhos, tu já pensou em fazer Jornalismo EM Quadrinhos? Já teve ou pretende ter experiências do tipo?

Sim, de vez em quando penso em fazer um voto de silêncio que só seria rompido na medida em que eu conseguisse me expressar com desenhos. Mas a falastronice sempre me vence.

Um comentário:

Ane disse...

hey!

Boas perguntas e boas respostas! Tb nunca tinha ouvido falar do Rogério Campos, me surpreendi pela sua trajetória, d colhedor d amendoim a vencedor do HQ Mix!!! Espero ter uma ascenção dessa tb!!! heheh
Eu até hj não entendo bem o mercado das HQ, mas confesso q nunca me dedikei mt para tentar compreender.
Parebéns à ele pelo prêmio, nao sei quem eram os outros que concorreram mas me pareceu bem merecido!

kisses and see ya!