quarta-feira, setembro 20, 2006

LATUFF

Antes fosse só uma onomatopéia o título deste post. Poderia ser uma onomatopéia de guerra, quem sabe. Assim ainda teria algo a ver com o verdadeiro assunto de hoje.

Mas não. Latuff é o sobrenome de Carlos, um cartunista brasileiro que tem usado seu trabalho para defender a causa palestina (ou, antes, opor-se à causa israelense e estadunidense). Veja um pouco da história e do pensamento dele cutucando aqui e aqui!


["Nós estamos aqui para trazer a democracia! Repita depois de mim: De-mo-cra-ci-a!"]

[Morra!]


Os desenhos acima são bons exemplos do teor do trabalho dele (veja mais cutucando aqui e aqui). Para você ter uma idéia, após o episódio das charges de Maomé, houve um concurso promovido por um site iraniano para charges sobre o Holocausto. Latuff foi o primeiro brasileiro a ter trabalho publicado lá.

Pois bem, a companheira Elenara Iábel publicou no blog dela uma mensagem do Latuff com o título "DIREITA ISRAELENSE AMEAÇA CARTUNISTA BRASILEIRO". A coisa é séria. Carlos Latuff está sendo ameaçado pelo Likud, um partido de Israel. No blog de Elenara há a tradução das palavras publicadas no site do partido, mas você pode ler no original se souber o idioma.

Eis alguns trechos:

"Ele é o cabeça de uma das maiores indústrias de propaganda e incitamento contra Israel. Ele destila veneno por toda parte. O dano que ele está fazendo a Israel, junto a juventude mundial, é enorme. Ele é um dos mais influentes anti-sionistas da rede mundial de computadores, um talento gráfico fantástico e um grande cartunista. Ele sabe como influenciar através da Internet. É o campeão da indústria de maldades iraniana e seus cartuns participam da galeria de negação do Holocausto de Teerã. "

"Chamo vocês a serem ativos. Não existe qualquer instituição que possa enfrentar essa guerra genocida. Nem o Ministério de Relações Exteriores, nem o Ministério da Defesa ou qualquer outro ministério. Nós devemos, como sugere Carlos, nos unir e agir em conjunto."

"Nós estamos testemunhando uma ação sistemática que visa dar legitimidade para atacar o 'demônio sionista'. Carlos Latuff se destaca nessa forma de propaganda. O problema será resolvido - a 'solução final' - pelo presidente iraniano, que adora esses tipos de desenhos e cartuns, a Alemanha nazista, a negação ao Holocausto, o Hezbollah e seus mísseis. Esta é a razão pela qual ele precisa de uma usina nuclear para matar aquelas criaturas asquerosas que Latuff está desenhando, e então o mundo será um lugar melhor. Houveram outros que tentaram isso antes, lembram-se?"

O portal de jornalismo Comunique-se também escreveu matérias a respeito. Inclusive procurou a embaixada de Israel no Brasil para saber como ela se posiciona no assunto. Um trecho significativo da resposta que recebeu:

"Da mesma forma que o Sr. Latuff tem o direito de se expressar, também tem esse mesmo direito o site do Likud."

É uma questão delicada, como tudo que envolve o conflito entre árabes e palestinos. Também não é a primeira vez que os quadrinhos se envolvem nisso. Além do episódio das charges de Maomé, há os livros do jornalista-quadrinhista Joe Sacco. "Palestina - Na Faixa de Gaza" inclusive é tema da minha monografia.

Bueno, é isso. Achei que você precisava saber dessa situação envolvendo o Latuff, o Likud e, principalmente, os quadrinhos!

2 comentários:

Ane disse...

Excelente assunto a ser abordado! Eu já tinha visto as charges do Latuff, e as achei muito boas. Em termos puramente visuais percebe-se q ele tem um grande domínio da representação figurativa, e o q me chama mais atenção em particular é o uso do espaço d desenho, consegue jogar mt bem com os elementos sem saturar a imagem d informações mas tb sem retirar d+.
A mensagem contida em sua arte é o + impactante, eu mesma quase fui convencida por ele qd vi seu trabalhos pela 1ª vez. Um mensagem direta e d fácil entendimento, o q é perceptível em um bom chargista, onde ele atinge o alvo (e no caso dele atinge bem atingido) e faz o espectador refletir sobre o tema representado.
Há ñ mt tempo atrás eu defenderia os palestinos tb, hj já ñ sei + se os defenderia. Israel sempre me pareceu o real vilão dessa história, mas o Líbano tem se mostrado tão vilão qt, pra mim essa guerra passou a ser d 2 vilões onde os "mocinhos" são os civís d ambos os lados, pois são tratados como escudo humano. E essa questão me faz pensar q mesmo o Latuff sendo um chargista mt bom pode ñ estar no "lado certo", já q ñ há lado certo. Mas suas críticas aos Yankees são ótimas e bastantes pertinentes, e nesse ponto concordo com ele.
Não tenho um conhecimento mt aprofundado nesse conflito e ñ me estenderei +. Como já disse no início, acho esse tema uma ótima escolha, e me relembrou d q tenho q ler + sobre o assunto :p
T+

gabriel renner disse...

cara. esse site é muito bom! gamei